Domingo, Março 14, 2010
Sábado, Março 13, 2010
Será este tipo de 'estatística' o caminho certo?

... ou talvez o caminho mais fácil (e também um dos mais falaciosos) para certas finalidades?
Prefiro, claramente, uma posição mais sensata e inteligente, como a de Fernando Pacheco em relação à matéria (anónima) publicada pelo Semanário Angolense no passado mês de Fevereiro.
Porquê a supremacia dos Kimbundu?
Por Fernando Pacheco
In, Semanário Angolense, nº 357, 06 de Março de 2010
Pediu-me o amigo Graça Campos para me pronunciar sobre a questão titulada, na sequência do artigo* publicado na edição de 27 de Fevereiro de 2010 do Semanário Angolense, que nos habituou a dar à estampa temas ousados, normalmente considerados tabu na nossa sociedade, o que é bastante positivo. Porém, nem sempre estou de acordo com a forma como tais temas têm sido abordados. Aproveito, pois, a oportunidade, pois acho que deste modo, com recurso ao contraditório, poderemos ir construindo um verdadeiro espaço público, onde se manifestem, de forma descomplexada, opiniões não convergentes que poderão ajudar os cidadãos a formar a sua opinião. Um exemplo que os órgãos de comunicação social públicos, por maioria de razão, deveriam seguir.
A leitura do artigo suscitou-me alguns comentários, forçosamente limitados pela natureza do artigo e pelo espaço. Desde logo, o entendimento sobre conceitos como ‹‹etnia››, ‹‹tribo››, ‹‹pertença étnica›› e outros relacionados. Com quase trinta e cinco anos de poder de um partido como o MPLA, cujo discurso nacional (por oposição a regional) é bastante apreciado, é confrangedor constatar o baixíssimo nível de desenvolvimento das ciências sociais, e, consequentemente, um enorme desconhecimento da nossa história e da realidade social do país. Por tal razão, continuamos a falar de tribos e etnias, e até mesmo de raças, sem termos em conta os avanços científicos universalmente aceites nesses domínios.
O trabalho de José Redinha sobre etnias de Angola com um mapa de distribuição étnica, que teve alguma importância na época da sua publicação (anos 70 do século passado), hoje não faz sentido. Com efeito, não se pode pensar que as pessoas que se reconhecem como integrantes de uma determinada comunidade etnolinguística (considero esta terminologia mais correcta que etnia ou tribo) tenham permanecido estáticas num determinado território que um tanto arbitrariamente foi definido como seu, nem deixar de se ter em conta que as populações naturalmente migram. No caso de Angola, as migrações aconteceram, entre outras razões, pelo êxodo rural, pelo défice de força de trabalho em certas regiões de maior crescimento económico, pela mobilidade dos trabalhadores da função pública, e, nas últimas décadas, sobretudo devido à guerra. Esta, para além de ter provocado a deslocação de milhões de pessoas para regiões ‹‹etnicamente›› distintas, proporcionou uma enorme dispersão de soldados por quase todos os cantos do país. Naturalmente, o número de casamentos ou de relações mais ou menos duradouras entre homens e mulheres de grupos etnolinguísticos diferentes foi intenso.
Quando a guerra terminou, raro era o soldado que não tivesse constituído mais do que uma família em diferentes regiões. Por outro lado, sabe-se que a língua nacional mais falada hoje no Lubango, no Tômbwa ou no Kicolo é o umbundu, coisa que não passaria pela cabeça de Redinha, e que é quase impossível traçar linhas de separação ‹‹étnica›› em municípios como o da Cela, da Cacula ou do Negaje, por exemplo. Em tais circunstâncias, o sentimento de pertença étnica não pode ser encarado de forma linear, e deixa de fazer sentido a sua ligação com o local de nascimento.
Consideremos um homem de Cabinda, que se tenha casado em Malanje com uma senhora do Moxico (o exemplo não é fictício), ambos falantes das respectivas línguas maternas e preservando, individualmente, as tradições, usos e costumes da sua terra de origem. Qual será a pertença étnica dos seus filhos? Poderá acontecer que alguns se afirmem ‹‹Cabindas››, outros ‹‹Tchokwes›› e outros ‹‹Kimbundus malanjinos››. Ou até que não se sintam de nenhuma ‹‹etnia››. Conversando, a propósito deste artigo, com o pai, ele confessou, com certo desgosto, que nenhum dos filhos fala outra língua para além do português e do inglês, esta por terem estudado nos EUA. Onde o autor do artigo em causa – que, penso, deveria assiná-lo pois não é correcto tratar de assuntos tão sérios de forma anónima – situaria estes jovens caso fossem ministros? Nos ‹‹crioulos››? Esta alusão aos ‹‹crioulos›› suscita um outro comentário. Em Angola este termo tem servido para conotar os mestiços, principalmente em termos de cor.
O poeta Mário António utilizou há várias décadas o termo no seu livrinho ‹‹Luanda, ilha crioula››, seguramente que não era nessa perspectiva, mas sim na cultural. A consulta a qualquer dicionário de qualidade permite concluir que o termo é muito ambíguo, e, como tal, deveria ser utilizado com as devidas cautelas, para não provocar perplexidades.
Com efeito, ‹‹crioulo›› pode significar mestiço, mas também nativo, natural de, indígena, autóctone, aborígene, e até ‹‹telefone››. Assim sendo, o autor baralhou o leitor ao atribuir o atributo de crioulo a dois ministros com uma justificação que caberia para muitos outros ‹‹classificados›› como pertencendo aos Mbundu ou Ovimbundu, por exemplo. O autor não explicitou os critérios usados para a ‹‹classificação›› apresentada. Parece-me que o do local de nascimento não tem suporte científico, nem o recomenda o bom senso, dada a realidade do país.
Assim sendo, só um inquérito aos visados poderia expressar com verdade o sentimento de pertença ‹‹étnica››, e a mim não admiraria se grande parte deles tivesse dificuldade em inserir se no cardápio de grupos apresentado, pois hoje é muito comum o sentimento de que a pertença nacional se sobrepõe à etnolinguística, pelas razões assinaladas. Se é verdade que muitos angolanos continuam a se reconhecer identitariamente com o seu local de nascimento ou de pelo menos um dos seus pais ou da sua linhagem, por vezes por oportunismo político, muitos outros há também que se assumem antes de mais como angolanos.
Alguém poderá argumentar que se em vez do MPLA estivesse a UNITA no poder, a maioria dos ministros seriam possivelmente pessoas de fala umbundu. Concordo. Mas isso não retiraria pertinência à minha análise. Pelo que conheço do país, atrevo-me a afirmar que muitos dos Ovimbundu que se reclamam ‹‹etnicamente puros››, poderiam ser considerados tão ‹‹crioulos›› como os identificados, na sua perspectiva, pelo Semanário Angolense. Não sou defensor da política de quotas no poder, para mulheres, raças, etnias, embora reconheça que essa pode ser uma forma de mitigar erros históricos. Acho que, mais importante do que as quotas, são necessárias políticas públicas justas que promovam uma verdadeira igualdade de oportunidades e uma descentralização do poder a todos os níveis. Com um poder local forte, moderno e participativo, as cidadãs e os cidadãos, sem descriminações, terão as oportunidades devidas para exercerem a sua cidadania.
* Infelizmente só o encontro disponível já em segunda mão. De todas as formas, AQUI está, para que se possa ter uma ideia daquilo a que se refere F. Pacheco.
Prefiro, claramente, uma posição mais sensata e inteligente, como a de Fernando Pacheco em relação à matéria (anónima) publicada pelo Semanário Angolense no passado mês de Fevereiro.
Porquê a supremacia dos Kimbundu?
Por Fernando Pacheco
In, Semanário Angolense, nº 357, 06 de Março de 2010
Pediu-me o amigo Graça Campos para me pronunciar sobre a questão titulada, na sequência do artigo* publicado na edição de 27 de Fevereiro de 2010 do Semanário Angolense, que nos habituou a dar à estampa temas ousados, normalmente considerados tabu na nossa sociedade, o que é bastante positivo. Porém, nem sempre estou de acordo com a forma como tais temas têm sido abordados. Aproveito, pois, a oportunidade, pois acho que deste modo, com recurso ao contraditório, poderemos ir construindo um verdadeiro espaço público, onde se manifestem, de forma descomplexada, opiniões não convergentes que poderão ajudar os cidadãos a formar a sua opinião. Um exemplo que os órgãos de comunicação social públicos, por maioria de razão, deveriam seguir.
A leitura do artigo suscitou-me alguns comentários, forçosamente limitados pela natureza do artigo e pelo espaço. Desde logo, o entendimento sobre conceitos como ‹‹etnia››, ‹‹tribo››, ‹‹pertença étnica›› e outros relacionados. Com quase trinta e cinco anos de poder de um partido como o MPLA, cujo discurso nacional (por oposição a regional) é bastante apreciado, é confrangedor constatar o baixíssimo nível de desenvolvimento das ciências sociais, e, consequentemente, um enorme desconhecimento da nossa história e da realidade social do país. Por tal razão, continuamos a falar de tribos e etnias, e até mesmo de raças, sem termos em conta os avanços científicos universalmente aceites nesses domínios.
O trabalho de José Redinha sobre etnias de Angola com um mapa de distribuição étnica, que teve alguma importância na época da sua publicação (anos 70 do século passado), hoje não faz sentido. Com efeito, não se pode pensar que as pessoas que se reconhecem como integrantes de uma determinada comunidade etnolinguística (considero esta terminologia mais correcta que etnia ou tribo) tenham permanecido estáticas num determinado território que um tanto arbitrariamente foi definido como seu, nem deixar de se ter em conta que as populações naturalmente migram. No caso de Angola, as migrações aconteceram, entre outras razões, pelo êxodo rural, pelo défice de força de trabalho em certas regiões de maior crescimento económico, pela mobilidade dos trabalhadores da função pública, e, nas últimas décadas, sobretudo devido à guerra. Esta, para além de ter provocado a deslocação de milhões de pessoas para regiões ‹‹etnicamente›› distintas, proporcionou uma enorme dispersão de soldados por quase todos os cantos do país. Naturalmente, o número de casamentos ou de relações mais ou menos duradouras entre homens e mulheres de grupos etnolinguísticos diferentes foi intenso.
Quando a guerra terminou, raro era o soldado que não tivesse constituído mais do que uma família em diferentes regiões. Por outro lado, sabe-se que a língua nacional mais falada hoje no Lubango, no Tômbwa ou no Kicolo é o umbundu, coisa que não passaria pela cabeça de Redinha, e que é quase impossível traçar linhas de separação ‹‹étnica›› em municípios como o da Cela, da Cacula ou do Negaje, por exemplo. Em tais circunstâncias, o sentimento de pertença étnica não pode ser encarado de forma linear, e deixa de fazer sentido a sua ligação com o local de nascimento.
Consideremos um homem de Cabinda, que se tenha casado em Malanje com uma senhora do Moxico (o exemplo não é fictício), ambos falantes das respectivas línguas maternas e preservando, individualmente, as tradições, usos e costumes da sua terra de origem. Qual será a pertença étnica dos seus filhos? Poderá acontecer que alguns se afirmem ‹‹Cabindas››, outros ‹‹Tchokwes›› e outros ‹‹Kimbundus malanjinos››. Ou até que não se sintam de nenhuma ‹‹etnia››. Conversando, a propósito deste artigo, com o pai, ele confessou, com certo desgosto, que nenhum dos filhos fala outra língua para além do português e do inglês, esta por terem estudado nos EUA. Onde o autor do artigo em causa – que, penso, deveria assiná-lo pois não é correcto tratar de assuntos tão sérios de forma anónima – situaria estes jovens caso fossem ministros? Nos ‹‹crioulos››? Esta alusão aos ‹‹crioulos›› suscita um outro comentário. Em Angola este termo tem servido para conotar os mestiços, principalmente em termos de cor.
O poeta Mário António utilizou há várias décadas o termo no seu livrinho ‹‹Luanda, ilha crioula››, seguramente que não era nessa perspectiva, mas sim na cultural. A consulta a qualquer dicionário de qualidade permite concluir que o termo é muito ambíguo, e, como tal, deveria ser utilizado com as devidas cautelas, para não provocar perplexidades.
Com efeito, ‹‹crioulo›› pode significar mestiço, mas também nativo, natural de, indígena, autóctone, aborígene, e até ‹‹telefone››. Assim sendo, o autor baralhou o leitor ao atribuir o atributo de crioulo a dois ministros com uma justificação que caberia para muitos outros ‹‹classificados›› como pertencendo aos Mbundu ou Ovimbundu, por exemplo. O autor não explicitou os critérios usados para a ‹‹classificação›› apresentada. Parece-me que o do local de nascimento não tem suporte científico, nem o recomenda o bom senso, dada a realidade do país.
Assim sendo, só um inquérito aos visados poderia expressar com verdade o sentimento de pertença ‹‹étnica››, e a mim não admiraria se grande parte deles tivesse dificuldade em inserir se no cardápio de grupos apresentado, pois hoje é muito comum o sentimento de que a pertença nacional se sobrepõe à etnolinguística, pelas razões assinaladas. Se é verdade que muitos angolanos continuam a se reconhecer identitariamente com o seu local de nascimento ou de pelo menos um dos seus pais ou da sua linhagem, por vezes por oportunismo político, muitos outros há também que se assumem antes de mais como angolanos.
Alguém poderá argumentar que se em vez do MPLA estivesse a UNITA no poder, a maioria dos ministros seriam possivelmente pessoas de fala umbundu. Concordo. Mas isso não retiraria pertinência à minha análise. Pelo que conheço do país, atrevo-me a afirmar que muitos dos Ovimbundu que se reclamam ‹‹etnicamente puros››, poderiam ser considerados tão ‹‹crioulos›› como os identificados, na sua perspectiva, pelo Semanário Angolense. Não sou defensor da política de quotas no poder, para mulheres, raças, etnias, embora reconheça que essa pode ser uma forma de mitigar erros históricos. Acho que, mais importante do que as quotas, são necessárias políticas públicas justas que promovam uma verdadeira igualdade de oportunidades e uma descentralização do poder a todos os níveis. Com um poder local forte, moderno e participativo, as cidadãs e os cidadãos, sem descriminações, terão as oportunidades devidas para exercerem a sua cidadania.
* Infelizmente só o encontro disponível já em segunda mão. De todas as formas, AQUI está, para que se possa ter uma ideia daquilo a que se refere F. Pacheco.
Sexta-feira, Março 12, 2010
Arte - O que é?
Não existe resposta reconhecida universalmente. (Talvez...)
Os padrões variam com as culturas e os olhares são múltiplos e infinitos. Há formas de a definir 'cientificamente', teorias fundamentadas e quase irrefutáveis. Quase... (Pois há sempre pelo menos uma fragilidade em cada definição).
Às vezes irritam-me algumas vozes quando me dizem que muita gente não percebe os meus trabalhos. São 'difíceis', argumentam. Sorrio o mais educadamente que me permitem os meus nervos sempre prontos a denunciar os meus modos de tigre (no horóscopo oriental); isto quando não ataco 'sem dó nem piedade', esgotada que está a paciência de aturar e ser 'pedagógica' com certas cabeças orgulhosamente duras.
Há algum tempo, do outro lado do mundo, li as palavras de um pintor de um ainda outro lado do mundo, Aubrey Williams. Diziam assim:
"A arte que é ritualística, mística, é profunda. É 'fine art'. Arte sem mistério não é nada. É apenas decoração."
Os padrões variam com as culturas e os olhares são múltiplos e infinitos. Há formas de a definir 'cientificamente', teorias fundamentadas e quase irrefutáveis. Quase... (Pois há sempre pelo menos uma fragilidade em cada definição).
Às vezes irritam-me algumas vozes quando me dizem que muita gente não percebe os meus trabalhos. São 'difíceis', argumentam. Sorrio o mais educadamente que me permitem os meus nervos sempre prontos a denunciar os meus modos de tigre (no horóscopo oriental); isto quando não ataco 'sem dó nem piedade', esgotada que está a paciência de aturar e ser 'pedagógica' com certas cabeças orgulhosamente duras.
Há algum tempo, do outro lado do mundo, li as palavras de um pintor de um ainda outro lado do mundo, Aubrey Williams. Diziam assim:
"A arte que é ritualística, mística, é profunda. É 'fine art'. Arte sem mistério não é nada. É apenas decoração."
Sorri, mas desta vez no gozo de me sentir protegida.
Sobre Aubrey Williams, ler também AQUI
Quinta-feira, Março 11, 2010
Quarta-feira, Março 10, 2010
Segunda-feira, Março 08, 2010
Amizade
Sem pestanejar, olhando o júri de frente, com voz suave, mas determinada pelo grande conhecimento do tema que escolheu, falou-nos, calmamente, da Memória e da História. Da(s) Lunda(s)!...
Muito Bom com Distinção, Mérito e Louvor por Unanimidade, deliberou o júri, três horas depois, perante uma sala cheia de amigos.
E foi assim que esta minha amiga, mulher de grandes sacrifícios e coragens, se doutorou hoje.
Parabéns e... estamos juntas ( "e misturadas").
Muito Bom com Distinção, Mérito e Louvor por Unanimidade, deliberou o júri, três horas depois, perante uma sala cheia de amigos.
E foi assim que esta minha amiga, mulher de grandes sacrifícios e coragens, se doutorou hoje.
Parabéns e... estamos juntas ( "e misturadas").
Sábado, Fevereiro 20, 2010
Quando a Homofobia = Atraso!...

Uganda - Lei que condena o homosexualismo com a pena de morte.
África concentra o maior número de países com leis antigays no mundo. São 36 nações, mais da metade do continente, que proíbem legalmente o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Quatro países, Mauritânia, Nigéria, Sudão e Somália, aplicam a pena de morte para quem infringe a norma. Nos próximos dias, esse número pode aumentar para cinco, se o Uganda, que já tem uma lei que rejeita o homossexualismo, aprovar um texto mais rígido para condenar [com a pena de morte] a prática homossexual.
Ler mais AQUI
Assinar petição AQUI
Mas não são os únicos: Ver também Aqui e Aqui
África concentra o maior número de países com leis antigays no mundo. São 36 nações, mais da metade do continente, que proíbem legalmente o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Quatro países, Mauritânia, Nigéria, Sudão e Somália, aplicam a pena de morte para quem infringe a norma. Nos próximos dias, esse número pode aumentar para cinco, se o Uganda, que já tem uma lei que rejeita o homossexualismo, aprovar um texto mais rígido para condenar [com a pena de morte] a prática homossexual.
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Mas não são os únicos: Ver também Aqui e Aqui
Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010
Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010
Quinta-feira, Fevereiro 11, 2010
Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010
Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
Culpados, Vítimas e Hipocrisias - Contextos e outras "nuances"
... do tipo: a minha escravatura foi mais cruel que a tua ou a minha escravatura foi mais escravizante que a tua.

Estima-se que entre os anos 1500 e 1800 o tráfico de escravos europeus tenha feito mais de um milhão de vítimas: Italianos (a Sicília está à distância de Tunes apenas em 200 Km), Espanhóis, Franceses, mas também Portugueses, foram a maioria; é necessário notar que as razias marítimas e terrestres tiveram igualmente lugar – designadamente – na Inglaterra, na Irlanda e mesmo até na Islândia (!). Aqui
A - Uma organização de direitos humanos na Nigéria pediu aos líderes tradicionais
africanos que peçam desculpas pelo papel que desempenharam no comércio de escravos.
O Congresso dos Direitos Civis diz ser altura de os líderes africanos copiarem os EUA e a Grã-Bretanha que já lamentaram o sucedido.
Numa carta endereçada a líderes tradicionais, o Congresso dos Direitos Civis disse que estes não podiam continuar a culpar os homens brancos quando os seus próprios ancestrais haviam ajudado a capturar e a raptar comunidades indefesas, vendendo-as depois aos americanos e aos europeus.
B - Em 18 de Junho de 2009, o Senado dos Estados Unidos apresentou formalmente desculpas por a federação, ao longo da história, ter apoiado «a escravatura e a segregação racial» dos Afro-Americanos. A resolução, patrocinada pelo senador Tom Harkin (do Partido Democrático), foi aprovada, por aclamação, na véspera da efeméride do fim da escravidão na América (a 19 de Junho de 1865, 246 anos depois de os primeiros africanos terem chegado à Virgínia).
O texto reconhecia «a injustiça fundamental, a crueldade, a brutalidade e a desumanidade da escravatura» e das leis segregacionistas.
C - Chissano exigiu que peçam desculpas oficiais a África:
"Até hoje, ainda não se prestou uma verdadeira homenagem aos povos africanos, pela contribuição que deram para a acumulação do capital, e ainda não foram apresentadas desculpas oficiais pelas atrocidades cometidas". As palavras duras foram proferidas por Joaquim Chissano, no discurso da cerimónia em que a Universidade do Minho lhe atribuiu o grau honoris causa em Ciências Políticas e Relações Internacionais.
D - A Igreja Anglicana pediu oficialmente perdão pela sua cumplicidade, durante vários séculos, com o tráfico de escravos. O Sínodo Geral da Igreja Anglicana publicou ontem à noite um comunicado, em que pede desculpas à luz do que qualifica como "participação no comércio de escravos e as exigências cristãs de arrependimento e pesar". A moção aprovada faz referência às consequências “odiosas e desumanas” da escravatura, abolida na Grã-Bretanha em 1807
E - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu perdão aos africanos pelos negros do continente que foram enviados ao Brasil em séculos passados para trabalhar em regime de escravidão. Ao falar na Ilha de Gorée (Senegal), ponto de saída dos navios negreiros para as Américas, o presidente e a comitiva se emocionaram.

Estima-se que entre os anos 1500 e 1800 o tráfico de escravos europeus tenha feito mais de um milhão de vítimas: Italianos (a Sicília está à distância de Tunes apenas em 200 Km), Espanhóis, Franceses, mas também Portugueses, foram a maioria; é necessário notar que as razias marítimas e terrestres tiveram igualmente lugar – designadamente – na Inglaterra, na Irlanda e mesmo até na Islândia (!). Aqui
A - Uma organização de direitos humanos na Nigéria pediu aos líderes tradicionais
africanos que peçam desculpas pelo papel que desempenharam no comércio de escravos.
O Congresso dos Direitos Civis diz ser altura de os líderes africanos copiarem os EUA e a Grã-Bretanha que já lamentaram o sucedido.
Numa carta endereçada a líderes tradicionais, o Congresso dos Direitos Civis disse que estes não podiam continuar a culpar os homens brancos quando os seus próprios ancestrais haviam ajudado a capturar e a raptar comunidades indefesas, vendendo-as depois aos americanos e aos europeus.
B - Em 18 de Junho de 2009, o Senado dos Estados Unidos apresentou formalmente desculpas por a federação, ao longo da história, ter apoiado «a escravatura e a segregação racial» dos Afro-Americanos. A resolução, patrocinada pelo senador Tom Harkin (do Partido Democrático), foi aprovada, por aclamação, na véspera da efeméride do fim da escravidão na América (a 19 de Junho de 1865, 246 anos depois de os primeiros africanos terem chegado à Virgínia).
O texto reconhecia «a injustiça fundamental, a crueldade, a brutalidade e a desumanidade da escravatura» e das leis segregacionistas.
C - Chissano exigiu que peçam desculpas oficiais a África:
"Até hoje, ainda não se prestou uma verdadeira homenagem aos povos africanos, pela contribuição que deram para a acumulação do capital, e ainda não foram apresentadas desculpas oficiais pelas atrocidades cometidas". As palavras duras foram proferidas por Joaquim Chissano, no discurso da cerimónia em que a Universidade do Minho lhe atribuiu o grau honoris causa em Ciências Políticas e Relações Internacionais.
D - A Igreja Anglicana pediu oficialmente perdão pela sua cumplicidade, durante vários séculos, com o tráfico de escravos. O Sínodo Geral da Igreja Anglicana publicou ontem à noite um comunicado, em que pede desculpas à luz do que qualifica como "participação no comércio de escravos e as exigências cristãs de arrependimento e pesar". A moção aprovada faz referência às consequências “odiosas e desumanas” da escravatura, abolida na Grã-Bretanha em 1807
E - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu perdão aos africanos pelos negros do continente que foram enviados ao Brasil em séculos passados para trabalhar em regime de escravidão. Ao falar na Ilha de Gorée (Senegal), ponto de saída dos navios negreiros para as Américas, o presidente e a comitiva se emocionaram.
Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010
Angolachelys Mbaxi
Outra coisa fantástica que não tem nacionalidade: o terreno de investigação.
Não é meu, não é teu, é de quem o (quiser) descobrir; é para enriquecer o património mundial.
Paleontólogos portugueses descobriram o fóssil duma nova espécie de tartaruga, com 90 milhões de anos, durante uma expedição científica a norte de Luanda, anunciou hoje em Lisboa fonte da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa.
Em comunicado enviado à Lusa, salienta-se que a descoberta, ocorreu em Abril de 2005 nas rochas cretácicas a norte de Luanda pelo paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, e o estudo contou com a participação de paleontólogos de Portugal, Estados Unidos, Angola e Holanda.
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Não é meu, não é teu, é de quem o (quiser) descobrir; é para enriquecer o património mundial.
Paleontólogos portugueses descobriram o fóssil duma nova espécie de tartaruga, com 90 milhões de anos, durante uma expedição científica a norte de Luanda, anunciou hoje em Lisboa fonte da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa.
Em comunicado enviado à Lusa, salienta-se que a descoberta, ocorreu em Abril de 2005 nas rochas cretácicas a norte de Luanda pelo paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, e o estudo contou com a participação de paleontólogos de Portugal, Estados Unidos, Angola e Holanda.
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Domingo, Fevereiro 07, 2010
Pratos tradicionais: Funjada à angolana!
... para descobrir que a "Globalização" afinal tem séculos de idade!
Depois de um matabicho onde se aprecia uma boa caneca de chá de origem Asiática (e trazido pelos portugueses para a Europa onde era, inicalmente degustado apenas pela realeza e classes mais abastadas) com pão que encontrou a sua primeira versão há cerca de 6000 anos na Mesopotâmia, aquando do cultivo do trigo, vamos deitar mãos à preparação do almoço.
RECEITA: Muamba de galinha
Corta-se e lava-se uma galinha (os primeiros povos a ter galinhas domesticadas terão sido os antigos coríntios, na Grécia A.C.) e tempera-se com sal (cuja história conta ter começado a ser extraído pelos chineses e usado há mais de 5.000 anos na Babilónia e Egipto), alho de origem Asiática e jindungo oriundo das Caraíbas.
Faz-se um refogado (trazido pelas donas de casa metropolitanas) com cebola picada de origem Centro-asiática, óleo de palmeiras trazidas da África Oriental e põe-se a galinha na panela (se for feito em fogão a gás inventado pelo inglês James Sharp é mais rápido).
À parte, cozem-se e pisam-se os bagos de dendém (fruto das tais palmeiras vindas da África Oriental), separando-se os caroços. Para se obter este polme, junta-se água morna, espreme-se e côa-se. Por fim, junta-se esta massa à galinha, deixando-se cozer bem. Junta-se a abóbora nativa da América Latina (provavelmente México), cortada aos cubos, os quiabos originários do Continente Africano (e levados para o Brasil pelos escravos) e deixa-se acabar de cozer.
A muamba acompanha-se com funji, preparado com farinha de mandioca originária da América do Sul e trazida pelos europeus, cozida em água a ferver e batida até ficar sem "borbulhas".
À sobremesa pode sempre comer-se uma banana originária do Sudoeste Asiático, uma manga nativa do Sudoeste da Índia ou uma fatia de mamão com origem no Sul do México.
Bebidas? Sumo de caju originário do Brasil e levado pelos portugueses para a Ásia e para África ou sumo de tamarindo, fruto originário das Savanas Africanas.
TEMA PARA O CAFÉ (planta originária da Etiópia, levada para a Europa, depois do seu consumo passar pela Pérsia, e introduzido nas ex-colónias portuguesas através do Brasil): O que é "NOSSO"!
É engraçada a história das origens e a forma fantástica como os povos (todos eles) se vão apropriando e adoptando (fazendo seus) produtos, hábitos, materiais, sinais culturais, objectos, pensamentos e tantos outros etecéteras mais...
Assim sendo, a minha esperança é que, uma vez percebido (e aceite a ideia, de forma saudável e descomplexada!) que os actuais traços e espaços identitários - tão intrínsecos e indeléveis - são produto de trocas, absorções ou adopções, se aceitem outros elementos "importados" (ou retirados, porque não?) do património universal como parte integrante das novas formas culturais angolanas, como o são já a nível do vestuário, da escrita, da gastronomia, da perfumaria, da economia, dos transportes e da tecnologia.
Sopro da cozinha: - Ei! Ouvi dizer que um povo esclarecido é perigoso. Não se engasguem. Vai um golo de kisangwa de ananás de origem sulamericana e uns bagos de jinguba nativa da América do Sul e difundida do Brasil para África através dos europeus só no século XIX? Glup!...
Também há os sabichões quadrados e tendenciosos com as suas teorias esdrúxulas e afuniladas. De que terão medo esses complexados tão desesperadamente inseguros?
(OK! Para não falar mais, já enchi a boca de batata doce assada e originária das Américas Central e do Sul).
LOL. :-o
Depois de um matabicho onde se aprecia uma boa caneca de chá de origem Asiática (e trazido pelos portugueses para a Europa onde era, inicalmente degustado apenas pela realeza e classes mais abastadas) com pão que encontrou a sua primeira versão há cerca de 6000 anos na Mesopotâmia, aquando do cultivo do trigo, vamos deitar mãos à preparação do almoço.
RECEITA: Muamba de galinha
Corta-se e lava-se uma galinha (os primeiros povos a ter galinhas domesticadas terão sido os antigos coríntios, na Grécia A.C.) e tempera-se com sal (cuja história conta ter começado a ser extraído pelos chineses e usado há mais de 5.000 anos na Babilónia e Egipto), alho de origem Asiática e jindungo oriundo das Caraíbas.
Faz-se um refogado (trazido pelas donas de casa metropolitanas) com cebola picada de origem Centro-asiática, óleo de palmeiras trazidas da África Oriental e põe-se a galinha na panela (se for feito em fogão a gás inventado pelo inglês James Sharp é mais rápido).
À parte, cozem-se e pisam-se os bagos de dendém (fruto das tais palmeiras vindas da África Oriental), separando-se os caroços. Para se obter este polme, junta-se água morna, espreme-se e côa-se. Por fim, junta-se esta massa à galinha, deixando-se cozer bem. Junta-se a abóbora nativa da América Latina (provavelmente México), cortada aos cubos, os quiabos originários do Continente Africano (e levados para o Brasil pelos escravos) e deixa-se acabar de cozer.
A muamba acompanha-se com funji, preparado com farinha de mandioca originária da América do Sul e trazida pelos europeus, cozida em água a ferver e batida até ficar sem "borbulhas".
À sobremesa pode sempre comer-se uma banana originária do Sudoeste Asiático, uma manga nativa do Sudoeste da Índia ou uma fatia de mamão com origem no Sul do México.
Bebidas? Sumo de caju originário do Brasil e levado pelos portugueses para a Ásia e para África ou sumo de tamarindo, fruto originário das Savanas Africanas.
TEMA PARA O CAFÉ (planta originária da Etiópia, levada para a Europa, depois do seu consumo passar pela Pérsia, e introduzido nas ex-colónias portuguesas através do Brasil): O que é "NOSSO"!
É engraçada a história das origens e a forma fantástica como os povos (todos eles) se vão apropriando e adoptando (fazendo seus) produtos, hábitos, materiais, sinais culturais, objectos, pensamentos e tantos outros etecéteras mais...
Assim sendo, a minha esperança é que, uma vez percebido (e aceite a ideia, de forma saudável e descomplexada!) que os actuais traços e espaços identitários - tão intrínsecos e indeléveis - são produto de trocas, absorções ou adopções, se aceitem outros elementos "importados" (ou retirados, porque não?) do património universal como parte integrante das novas formas culturais angolanas, como o são já a nível do vestuário, da escrita, da gastronomia, da perfumaria, da economia, dos transportes e da tecnologia.
Sopro da cozinha: - Ei! Ouvi dizer que um povo esclarecido é perigoso. Não se engasguem. Vai um golo de kisangwa de ananás de origem sulamericana e uns bagos de jinguba nativa da América do Sul e difundida do Brasil para África através dos europeus só no século XIX? Glup!...
Também há os sabichões quadrados e tendenciosos com as suas teorias esdrúxulas e afuniladas. De que terão medo esses complexados tão desesperadamente inseguros?
(OK! Para não falar mais, já enchi a boca de batata doce assada e originária das Américas Central e do Sul).
LOL. :-o






















