E por falar em pérolas...
A ESSO, distinta empresa petrolífera, quis mostrar que, para além de ajudar a fazer buracos de onde jorra aquele líquido "sujo" e "pegajoso" que conhecemos, contribui imenso para o desenvolvimento cultural do país.
Vai daí e pimba!, resolveu financiar a publicação de um luxuoso album sobre instrumentos musicais tradicionais de Angola que, apesar do pomposo nome, não passa de um catálogo de peças do Museu Nacional de Antropologia, com belíssimas fotos (justiça seja feita ao jovem fotógrafo) e textos de levar os dedos à garganta.
Nada tem de enquadramento ou contextualização sociológica. Nada tem de reflexão de qualquer espécie. Apenas pequenos apontamentos descritivos sobre cada peça, sem quaisquer preocupações sequer em uniformizar a escrita das palavras nas distintas línguas nacionais, por exemplo.
Os erros, de natureza diversa, vão desde a falta de rigor ortográfico à falta de rigor antropológico, falando-se indistinta e arbitrariamente em tribos (!!!), etnias, etc. para designar as diversas formações socio-culturais ou os grupos etnolinguísticos angolanos. Mas há mais! Os nomes de alguns dos instrumentos estão mal grafados e, em alguns dos casos, errados!
Mas não admira pois, entre os nomes a quem se agradece, não consta um único etnomusicólogo, estudioso de questões musicais ou mesmo alguém que tenha efectuado um trabalho etnográfico rigoroso. No entanto, apresenta uma parangonha inicial pretensiosa sobre o processo de "investigação", à guisa de (gosto desta expressão!), ou a brincar ao "trabalho científico".

As cerejas no topo do bolo são o facto do livro não ter autor (à excepção da apresentação do organizador do livro, nenhum dos textos é assinado, nem o prefácio!) e... o glossário que é a maravilha das maravilhas! "Baseado" (LOL) no Glossário do Museu da Música / Roteiro do Instituto português dos Museus e no Atlas de Música de Ulrich Michels, está explicada a inclusão de termos como: oitava, longitude vibrante, acorde, barítono, cavalete, sopranino ou outras, que nada têm a ver com os instrumentos em questão e que nem aparecem nos textos.
Com uma bibliografia onde constam investigadores de renome como G. Kubik, J. Redinha, R. de Candé, C. Sachs e C. Neto ou V. Kajibanga, este livro não lhes faz qualquer justiça. Talvez a principal inspiração deste(s) autor(es) anónimo(s) tenha vindo de um livrinho intitulado O Maravilhoso mundo da música / Uma alegre viagem de descobertas ao mundo musical, que também consta das referências bibliográficas.
Mas .... vá lá.... algumas coisas estão bem. Devem ser as "copiadas"!





1 Comentários:
Pois...........
E quem permite a publicação?
Bjos
Mulemba
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