Sexta-feira, Outubro 31, 2008

Sonho, sonho meu: há alguém no mundo mais acordado do que eu?


Fecho os olhos e sinto-te, desenhado nas minhas costas. Nas mãos, sei-te a fita… (aquela branca de tecido fino e transparente.)
Vens, finalmente, para cumprir a trança entretanto feita desejo.
Sorrio, feliz.
Porém, não te aproximas; não a sinto no meu cabelo.
Mas a tua respiração espreita (como sempre) por sobre o meu ombro.
Como um felino, beijas-me insinuantemente o rosto e tapas-me a boca
… com a fita de tecido fino; (aquela branca…)
Acordo: dos teus lábios semi-selados recebo, devastador, meio silêncio.
1990

Domingo, Outubro 26, 2008

Interculturalidade e Desenvolvimento

Por: Filipe Zau*

Tem havido, através dos tempos e em diferentes sociedades, três formas diversificadas de encarar e lidar como a diversidade:
Na aculturação, muitas vezes utilizada com o sentido de assimilação, as pessoas tendem a perder a sua cultura de origem, a desintegrarem-se do ponto de vista sócio-cultural e, segundo Félix Neto, a sentirem-se, do ponto de vista psicológico, perdidas na mudança, dado o desaparecimento de normas culturais de referência [NETO: 87-89]. Em África, a língua de comunicação, é um dos mais fortes componentes culturais, que, de geração em geração, transmite valores, formas de pensar e de agir... enfim, toda uma filosofia de vida. Ao nível do grupo, os antigos padrões de autoridade podem deixar de funcionar e ao nível do indivíduo pode surgir a incerteza, a confusão de identidade, a depressão e a solidão. O stress de aculturação constitui, assim, um dos lados mais negativos do assimilacionismo.

A integração social foi um conceito elaborado pelos americanos em função de um certo ideal de “way of life” e de “bem-estar social”. A integração implica na manutenção parcial da identidade cultural do grupo étnico juntamente com uma participação cada vez mais acentuada no seio da nova sociedade. Nesta situação, as pessoas conservam a sua identidade e outras características culturais próprias (língua, hábitos alimentares, religião, festas, etc.), participando simultaneamente nas instituições económicas, políticas e jurídicas com outros grupos da sociedade. No integracionismo a manutenção cultural é procurada, enquanto que no assimilacionismo há pouco ou porventura nenhum interesse em tal continuidade. A integração só é possível no caso da sociedade receptora ou dominante ser tolerante e valorizar, de alguma forma, a diversidade.

Segundo Hermano Carmo, no seu livro “Desenvolvimento Comunitário”, tal como o ambiente, a saúde, a população, o género e a cidadania económica, também a interculturalidade passou a constituir uma das áreas-chave de uma Educação para o Desenvolvimento, onde se fazem necessárias as aprendizagem para a identidade e diversidade cultural, bem como ainda para o ecumenismo. O respeito pela diversidade cultural isenta de preocupações hegemónicas é a corrente onde se situa o pluralismo cultural, que defende um modelo de relacionamento social, no qual cada grupo étnico preserva as respectivas origens, partilhando, em simultâneo, um conjunto de características culturais com os restantes grupos. Esta teoria viria pois a influenciar as políticas sociais, culturais e educativas, dando lugar ao aparecimento da educação multicultural, cuja finalidade é valorizar e legitimar, numa dada sociedade, as diferenças em presença.

Surge, assim, no Canadá, o multiculturalismo, em 1971 e, posteriormente, por volta dos anos 80, nos EUA. No entanto, na Europa, há um a reacção à abordagem compartimentada e um tanto separatista das culturas e, em meados da década de 70, surge a teoria intercultural, que parte do princípio que a identidade sócio-cultural se encontra em estreita relação com o universo cultural em que o indivíduo é socializado e, assim sendo, cada ser humano está simultaneamente ligado a vários subgrupos culturais e inserido em várias microculturas. Logo, a educação intercultural tem como principal objectivo assegurar que o desenvolvimento educacional e a inserção social dos indivíduos não sejam condicionados pelo sexo, idade, classe, aptidões de ordem física ou mental, língua, religião e outras características culturais que lhe são próprias.

O ano de 2008 apresenta-se como a da confirmação da interculturalidade, já que foi declarado pela ONU, através de uma resolução aprovada em 16 de Maio de 2007, “Ano Internacional das Línguas”; também “Ano Europeu do Diálogo Intercultural” ao reconhecer-se, a partir de 4 de Dezembro de 2007, que a grande diversidade cultural europeia representa uma vantagem única; e, o dia 26 de Setembro de 2008, como “Dia Europeu das Línguas”, por iniciativa do Conselho da Europa, o que encoraja todos os que vivem naquele continente a explorarem os benefícios do seu acervo e a oportunidade de aprender com outras tradições culturais.

Nesta conformidade, a Federação Nacional das Associações de Professores de Línguas Vivas, em Portugal, constituída por associações de professores de alemão, francês, inglês e português, passou a sensibilizar a sociedade para a importância da aprendizagem de várias línguas no processo de formação do cidadão. Paralelamente, alerta as entidades educativas para a necessidade de uma maior reflexão para as decisões que venham a contribuir para o desenvolvimento duma competência plurilingue durante o percurso escolar. Para além de vantagens cognitivas e comunicativas, esta competência constitui ainda uma mais valia para o acesso à informação, à formação ao longo da vida e ao desempenho profissional.

Em Angola, independentemente do facto da reforma educativa já ter introduzido sete línguas africanas no ensino primário, aparentemente, com algum sucesso, necessário se torna estreitar, numa perspectiva transsectorial, os laços indissociáveis entre Educação/Cultura/Informação, em prol de um política linguística a ser futuramente institucionalizada pela Assembleia Nacional e que contribua para os fins de uma Educação para o Desenvolvimento.

* Ph.D em Ciências da Educação e
Mestre em Relações Interculturais

In, Jornal de Angola de 24 de Outubro de 2008

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Quando o teu discurso não é sobre a carne, mas também não é carne nem é peixe


E a noite chegou contigo; escura, densa, indecifrável.
As nuvens negras sujaram o meu sol que não te conseguiu limpar a alma.
Engoli as palavras que não me ouviste. Ouvi-te os queixumes que não disseste.
Luto agora para encontrar o pequeno fragmento de alegria que tinha guardado para o nosso encontro.
Vivemos um puzzle insolúvel
1990

Domingo, Outubro 05, 2008

O Mário



Este é o Mário.

O Mário é o responsável pelo meu regresso ao espectáculo.

Por culpa dele decidi reacender a Companhia.

Ah! O Mário tem sentido de humor, é super organizado, é uma mistura de mau e bom; de agressivo e sensível;

(como deve ser um chefe grande!)

Masssss... um "vidrinho" sempre pronto a emocionar-se numa lágrima nos olhos, com ar grave.

Gosto do Mário e...

"Prontos", obrigada!

Angola, país de futuro!


Também temos!...
Caro??? Nããããão! Então é um lugar de luxúria (porra, confundo sempre com luxo ou lixo ou lixa ou líxia, porque não uma chinesisse???...)
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