Terça-feira, Junho 24, 2008

Um exemplo que não nos interessa


É interessante como são as coisas...
Que eu saiba, o Brasil não é um país europeu, mas também não tem complexos em assumir formas artísticas de génese europeia em processos importantes para a edificação da(s) sua(s) sociedade(s). Refiro-me ao caso concreto de projectos de inclusão social e recuperação de crianças e jovens que vivem em ambientes de crime ou outros, considerados marginais.
Desde a dança clássica (vulgo, ballet) ao ensino do violino, tudo interessa para garantir o desenvolvimento, a estabilidade emocional e até a formação desses jovens que vivem, na sua maioria, em favelas ou outros bairros problemáticos.
Já nós em Angola, preferimos oferecer outro tipo de 'luxos' aos nossos cidadãos. Estou a referir-me a klínikas de estêtika e a se-pás (não, não vou falar dos condomínios de luxo com jákuzi).
Bonito seria, esta malta que esbanja kumbu, dedicar-se a projectos sociais do calibre deste, cujos resultados nos deviam tocar. Mas nada!!!
"Vejam lá a palermice!!!! Putos das favelas, de origem africana a tocar violino!!!".
Enfim... com pensamentos destes, tarde será...


Ver aqui: Orquestra Criança Cidadã.


Sábado, Junho 21, 2008

Emanuel Esteves 1945 - 2008

Vinha do cemitério a pensar com raiva em coisas que acontecem em Angola.
Porque haveria o meu amigo e colega Emanuel Esteves de morrer assim, esmagado por um contentor que seguia solto sobre um atrelado qualquer?
Pois é, Esteves, tínhamos marcado para esta semana redigir o tal documento para a próxima reunião do Conselho Científico...
Arrepio-me ao pensar-te o sorriso tímido e afável por detrás dos teus óculos que combinavam discretamente com os teus cabelos brancos.
Gostava de ti. Eras dos poucos angolanos que, apesar do título de Pós-Doutorado não ostentava vaidades, muito menos transportadas num 4x4. Eras simples e modesto como todos os que são verdadeiramente 'bons' e verdadeiramente 'grandes'.
A classe de historiadores angolanos perdeu uma das suas peças fundamentais.
Adeus, Emanuel Esteves. Até já, meu amigo.

Sexta-feira, Junho 20, 2008

Piropo

Não sei se é uma "xtiga" ou se é um insulto mesmo, mas até curti.
Hoje chamaram-me cor-de-frango. Bem visto, por acaso.
Só não fui a tempo de retribuir o cumprimento, chamando ao simpático jovem (que xispava raiva pelos olhos, mas isso agora não interessa nada!...) cor-de-churrasko-keimado.
Fica para a próxima pois, adaptando o adágio que tanto agradava à minha avó, 'rancor com humor se paga'.
LOL

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Vens ver-me na piscina?...


Na água azul da piscina, os meus olhos diluem a ideia de que a esperança é mesmo verde.
Em definitivo, não é cor que me favoreça - a esperança.
Também se podem ver navios nas piscinas?

(Foi quando te percebi ocupado, gastando desesperadamente o tempo, só para não me descobrires)

Sábado, Junho 14, 2008

Na "trazzeira" do kandongueiro XXIX


Que raio de senhor é este? Em Angola não vive com certeza!

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Lógika


Se gostas de fikar a xorar (ao longe) a falta k te faço, em vz de me tentares alcançar;
eh 1 problema meu e, ptto, xtahs livre.

Terça-feira, Junho 10, 2008

Bwé!

Bwé de lixo, mesmo no meio da cidade; em plena Maianga!
Numa esquina, ali à vista de toda a gente, encostado aos tapumes de uma obra (vai-se obrar mais um prédio, fixe!!!), uma montanha de restos putrefactos coberta de cascas de banana enegrecidas pela oxidação, qual bolo de casamento ‘guarnecido’. No topo, as cerejas (ou pitangas, se preferirem uma sugestão mais 'nacional') em forma de umas quantas galinhas a ciscar, só não eram vermelhas porque essa época já passou.
[Acabo de ser interceptada pela memória dos “sábados vermelhos” em que todos os cidadãos vinham para a rua limpar em redor das suas casas. Não havia comida, mas não havia lixo também. Ou será que as duas ausências estavam relacionadas???]
Resolvi fotografar (o bolo montanha de lixo). Enquanto o fazia ia sendo insultada com provocações de ordem cromática (lol) por um zungueiro* que ali estava (e cujos olhos chispavam de ódio), juntamente com outros, mesmo no sopé de tal ‘montanha’.
Pronto! Lá tive de puxar do meu lado menos bom e retorquir, explicando-lhe que não estava a fotografar a cara feia dele, mas a bela colina de lixo.
Depois de uma troca de palavras entre nós dois, bem à nossa moda, um deles saiu do grupo e pediu-me que o fotografasse.
Na pose, exibia a mercadoria composta por fios para ligações várias, capas para telemóveis, pilhas, cotonetes, esferográficas e outras merdas úteis.
Curti!
*Vendedor ambulante

Domingo, Junho 08, 2008

Go away!...


De pernas cruzadas, abracei-te sem te sentir.
Insisti, de te gostar.
Passaram-se segundos e eu era já o mar onde o teu rio não desaguaria.
Fui boca enviada de regresso e fui fogueira impotente perante o gelo.
Falhei!
Não soube ser mulher…
Retiro-te a minha mão para que o meu coração não me enlouqueça e me deixe viva; ao menos para te poder ver.

(... e não me amarraste o cabelo com a fita branca…)

Sábado, Junho 07, 2008

Árvores no Dombe Grande






Fotos: Nuno G.

Quinta-feira, Junho 05, 2008

O chão era em pedra de vários padrões

Olho-te através de uma chama que arde lenta mas intensa.
O pequeno vestido vermelho não esconde por completo a minha alma de mar encapelado, onde espero na (a)tensão de te perceber os sinais.
Chegas(-te). Tão longinquamente perto... A tua boca.

Sobre os búzios, as “mahamba” te trouxeram para mim.
Sou já sol aceso ao meio-dia!

De dentro do teu gemido, jorra a minha vontade de te 'matar'. Ao meu desejo amarro aquele com que agora me sabes romper. No teu coração parado, os silêncios tocam a inquietante tortura do prazer.

O chão era em pedra de vários padrões e a luz entrava, insolente, pela cortina azul.

Domingo, Junho 01, 2008

Mal-estar




Estar só, contigo tão perto; aqui mesmo.
Quando o mar nunca foi tão inocentemente inimigo…
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