Quinta-feira, Maio 29, 2008

Voei

... De novo rumo a Benguela.
É fim-de-semana prolongado, mas vou trabalhar.
Até à volta.

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Sim, eu sei que ages já sob os efeitos de uma surpreendente experiência de metamorfose dos sentires

Ajuizadamente sentada na minha sala de trabalho, experimento o prazer de ninguém me notar corpo plateau de ‘animado’ furacão.
Por sobre o ombro, o medo de me entorpecer com a tua ensurdecedora mudez sopra-me, sensualmente, ao ouvido.

Receio admitir que me desmaio em transparências que contrastam com a tua espessa forma de defesa.
Temo não poder mais ser depósito de prazeres amarrados com peças de prata que os transformam em surdos desejos.

Portanto, pára de ficar calado e enche (depressa) da tua a minha alma, do teu o meu corpo! Não vês que estou em risco de passar indiferente à porta da tentação da escrita?

Segredo: [... Pecadora que me assumo, trarei do mercado uma caixa de madeira onde esconderei todas as letras com as quais vou insistir em trançar um tecido de ti que jamais vestirás.]

Domingo, Maio 25, 2008

Novidades?

… de resto, nada de novo; a não ser a mesma merda de sempre: a miséria míope (ou a fingir que é) continua (ou finge que continua) embevecida com os belos prédios de vidro, as viagens às províncias, os fins-de-semana no Dubai, os iates, os jipes, ‘os suves’ (isto agora é que xtá a dar!) e as jóias (compradas quase a quilo na Stern do R J) dos novos ricos, etc.
Quando assim é… (ainda bem, porque senão ‘há chatisse!!!’)

Sábado, Maio 24, 2008

As "figuras" que se fazem...





Neste dia, a minha intenção era revisitar o Louvre, mas "perdi-me" no jardim.
Quando lá cheguei, estava encerrado. Que figura!...

Domingo, Maio 18, 2008

Horror do Vazio

*Por Pepetela

Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. Não é forçosamente para amealhar umas comissões, como imediatamente pensam os nossos cérebros borrados de preconceitos, embora uns tantos aproveitem. Nada de novo, afinal: o mundo está cheio de processos por causa do imobiliário e o cinema e a literatura até já esgotaram o tema. O que me preocupa é muita gente estar sinceramente convencida que isso é que é bonito e assim é que será viver bem. Têm horror ao vazio que nas suas cabeças significa uma praça, um jardim, um parque, um desperdício de espaço que ficaria melhor com uma torre no meio (antes dizia-se arranha-céus, mas reconheço o exagero americano ao inventar o termo, porque os céus não têm costas, são da natureza dos anjos, e ninguém imaginaria um edifício a arranhar as costas de um anjo). Torre é melhor, lembra logo aquelas construções onde se enfiavam os prisioneiros para morrerem lentamente, como a célebre Torre de Londres, ou onde se aninhava o povo da Europa medieval para se defender de ataques. Torre sim, pois os seus utentes/prisioneiros vivem no medo de sair à rua, de viver a cidade, enclausurados e protegidos da miséria que espalham à volta de si.

Queixamo-nos do trânsito na baixa da cidade (não só na baixa, sejamos justos) e nem sempre escapamos de lá cair, porque ali está concentrado mais de metade do capital financeiro e dos serviços do país. E querem fazer mais torres, para atrair mais gente e mais carros? Que as torres vão ter parques de estacionamento, dizem os defensores das ideias futuristas. O problema é entrar ou sair dos parques, porque as ruas estão atulhadas de carros. Claro que há uma solução do mesmo estilo: fazer as ruas da baixa com andares, género auto-estrada em fatias sobrepostas, ou até com viadutos por cima dos prédios, a arranharem as nuvens. Isso seria um arranhanço útil. E já agora peço, façam um túnel por baixo da baía ou uma ponte a ligar o bairro Miramar à Ilha, assim chegamos à praia em cinco minutos, como era há vinte anos atrás. Como de todos os modos a ideia geral é dar cabo da baía e da Ilha, também tanto faz, mais ponte menos ponte… Suponho também que já deve haver negociações para se tirar a Igreja da Nazaré do sítio onde está, a ocupar indevidamente um espaço nobre para mais uma torre. Uma pequena concessão não fica mal, mantém-se a igreja na cave do edifício. A História que se lixe, não foi a lição da destruição do palácio de D. Ana Joaquina? Então continuemos. Neste afã de ocupar todos os espaços, proponho também acabar com o prédio dos correios, bem feio e sem valor arquitectónico por sinal, e já agora com a praceta à sua frente, outro desperdício de espaço. E aquele compacto e azul edifício que serve a polícia? Um quarteirão inutilizado! A polícia pode ocupar um andar da nova torre. Com menos agentes, claro, para se fazer encolher o Estado, assim mandam os compêndios do liberalismo económico, nossa nova Bíblia.

Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.

Sábado, Maio 17, 2008

Percurso

Espero o dia que tarda, à sombra do que te sinto.
Espero um vento que te traga ávido até mim.
E espero, espero sempre… como esperei até quando, enfim, (me) disseste... meu amor.

Quarta-feira, Maio 14, 2008

Lembrar mais para nunca mais

Por: Filipe Zau *

Durante o ano de 1992, as indústrias extractivas em Angola haviam contribuído para 40% do PIB. O petróleo representava 89% do valor total das indústrias extractivas e o diamante branco 10,6%.

Com o recomeço da guerra, as indústrias extractivas passaram a registar uma baixa de 14,6%, agravando-se assim, ainda mais, a qualidade de vida das populações, tanto nos centros urbanos como nas áreas rurais. Só a exportação de diamantes, que, em 1992, chegou a atingir 250 milhões de dólares, baixou, em 1993, para 16,7 vezes menos.

A insegurança e a instabilidade político-militar fizeram com que a agricultura, a silvicultura e a pesca passassem a contribuir apenas 6,9% ao ano, o que correspondia a metade do que se havia realizado em tempo de paz. O comércio baixou ao modesto nível de 15,6%.

A taxa de inflação que, em 1991, era de 175%, passou, em 1992, para 496%.

Em 1993, o défice orçamental situava-se em 29% do PIB e o défice da balança de pagamentos fixava-se nos 400 milhões de dólares.

A taxa de câmbio que, em Outubro de 1994, era de 1 dólar para Kz 500.000, passou, em Fevereiro de 1995, a corresponder a Kz 1.600.000; ou seja, o triplo num espaço de 4 meses. Hoje, 1 dólar já vale menos que kz 75. A destruição de infra-estruturas económicas (principalmente, das petrolíferas na província do Zaire) e de linhas de transmissão e distribuição de energia; a paralisação de várias unidades de produção; as dificuldades de aquisição de sobressalentes e diferentes matérias-primas; o abandono de locais de produção… reduziu, em muito, o nível de produção e produtividade na economia angolana, que passou a fazer face a um duplo desafio: - Por um lado, a passagem de uma economia de orientação socialista, para uma economia de mercado de tipo neo-liberal; - Por outro, a transição de uma economia condicionada pela guerra, para uma economia orientada para a reconstrução nacional e para o desenvolvimento humano.

Em 1993, o programa de estabilização económica adoptado foi interrompido e substituído por um programa de emergência.

Contudo, devido à nova situação conflitual, o objectivo de restaurar o equilíbrio macro-económico que havia mobilizado a maior parte dos meios orçamentais e empréstimos do exterior, acabou por não surtir os efeitos desejados.

Consequentemente, a contribuição do orçamento de Estado para o financiamento do sector da Educação que, em 1990/91, se situava entre 9 e 10%, passou para 4%, em 1994/95 e ainda não se aproximou dos valores de 1991, que, já anteriormente, correspondiam a pouco mais que o pagamento de salários para professores. Hoje, ainda está longe dos 17% considerados normais para países em desenvolvimento, que, evidentemente, não tenham vivido situações prolongadas de guerra.

Estimava-se que, após o Protocolo de Lusaka, já houvesse cerca de 2 milhões de pessoas deslocadas, ou seja, a sexta parte da população total do País, superando, em muito, as 342.635 que já existiam até 1992, bem como as 34.743 crianças de rua e na rua controladas só pela ex-Secretaria de Estado dos Assuntos Sociais.

A exacerbação de vários decénios de conflitos armados provocou um maior empobrecimento das populações, em particular no meio rural e peri-urbano: - Mais de 65% da população rural passou a viver abaixo do nível da pobreza;- Somente um quinto da mesma beneficiava de água potável. A nutrição e a saúde pública reflectiam uma situação preocupante, que era agravada pela destruição, entre outras, de 40 a 60% das infra-estruturas educacionais, principalmente nas províncias do Bíé, Huambo, Malanje e Uíje.

Em cada 1.000 crianças que nasciam, 126 morriam antes de atingirem 1 ano e 292 antes dos 5 anos. Uma em cada 1.000 mulheres morria por razões ligadas a complicações no parto. Na área do emprego e ocupação, a população activa correspondia a 40% da população total: 73% provinha da agricultura, 10% da indústria e 17% do comércio e serviços.

O sector formal acolhia somente 628.000 activos, dos quais três quartos eram provenientes do sector público.

O sector privado possuía uma população activa de 132.000 pessoas, mas um terço da mesma encontrava-se em Luanda. As estratégias de sobrevivência, impostas pela situação sócio-económica, fizeram crescer um mercado paralelo maioritariamente composto por mulheres (60%), tanto ao nível do comércio grossista, como ao nível das operações de troca de moeda (kinguilas).

A taxa de desemprego, em particular em Luanda, era estimada em torno de um quarto da população activa. Associada à população desempregada encontravam-se ainda: as vítimas de guerra, os refugiados de regresso ao país (calculados na ordem das 100.000 pessoas), os deslocados, os soldados desmobilizados (em torno de 90.000), as crianças deficientes, os órfãos e as crianças de rua… Toda uma população em sérias dificuldades, calculada, em 1995, em mais de 3 milhões de pessoas.

Por esta altura continuava-se a verificar-se que apenas um terço das crianças angolanas, na primeira infância, eram vacinadas. A inexistência ou precariedade das estruturas sanitárias, a subalimentação ou a má nutrição, continuavam a contribuir para que houvesse um elevado índice de mortalidade infantil e juvenil.

O raquitismo, a avitaminose e a meningite (causadora da surdez e dos problemas da fala), atingiam uma boa parte destas crianças, sobretudo, na zona rural e no perímetro urbano. No total, estimava-se que houvesse 1,5 milhões de crianças em estado de privação física ou condicionadas psíquica e emocionalmente e, dentre estas, 840.000 em condições particularmente difíceis.

Cerca de 500.000 crianças haviam sido atingidas mortalmente pela violência das acções armadas. Diariamente, registava-se, em média, a morte de 500 crianças. Em finais de 1998, Angola regressou uma vez mais à guerra e o país ficou praticamente exangue com um maior agravamento da situação político-militar e económico-social.

É certo que foi a guerra que uniu os angolanos e os levou à independência através da luta contra o império colonial. Todavia, foi também a guerra entre os próprios angolanos, que impediu a realização de todo e qualquer programa estruturante de desenvolvimento económico e social no nosso País. Nas guerras civis, não há vencedores nem perdedores. Todos perdem. E o maior dos perdedores – nunca é demais dizer –, é sempre o mesmo: o povo.

*Doutorado em Ciências da Educação e Mestre em Relações Internacionais

In, Jornal de Angola de 6 de Maio de 2008

Terça-feira, Maio 13, 2008

LOL

"Ele há com cada coisas..." que só visto, aqui ou aqui ou aqui ou... LOL

AQUI (em vídeo)

Sábado, Maio 10, 2008

... mãe?

Mãe?... Depois da festa da escola somos capazes de ir sair.
Está bem, mas cuidado; esta cidade é perigosa. Onde vão? Com quem vais?
Ainda não sei mas digo-te. Não tranques as portas. Beijinho?...
(... e a mãe fica; com uma ruga de preocupação na testa. Parece que é assim mesmo, quando os filhos crescem e nós nem percebemos...)
Procuro um livro na estante e preparo as minhas músicas preferidas. Vou esperar...


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