-Angola, por estes dias, confirmou que deixou de ser nome de guerra, procurando um certificado de ‘free and fair elections’, onde pouco interessa um resultado que antes de o ser já o era-
Há a força dominante de um partido-sistema que já foi partido-único e que tende a ser uma espécie de partido revolucionário institucionalizado, ou um bloco central, de cujos dissidentes sairá a futura oposição eficaz, dado que a minoria institucional da UNITA, apenas representa uma espécie de oposição espiritual.
Vale mais salientarmos que a construção do político em África não pode ser mera aquisição de um modelo de pronto-a-vestir adquirido no hipermercado politológico das chamadas transições para a democracia.
Até nem haverá democracia em África se ela não for uma democracia efectivamente africana, enraizada no chão moral de uma história sofrida. Logo, quem continuar a traduzir em calão modelos organizacionais que não se adequam ao corpo e à alma dos africanos está, na verdade, a trair todos os que lutam por este valor universal. Porque a liberdade, enquanto libertação, implica espremer gota a gota o escravo que cada homem conserva, escondido, dentro de si. Porque apenas conseguimos passar de súbditos a cidadãos, quando nos autodeterminamos como homens livres.
Porque, se desapareceram os sinais exteriores da anterior repressão, permanecem os subsistemas de medo e é dominante o oficialismo bonzo do permanecente comunismo burocrático. Desde aquele que foi herdado do aparelho colonial, ao que foi hiperbolizado pelo afro-estalinismo e que tem, como contrapartida, uma agressividade negocista e corrupta dos que, rasgando os anteriores princípios, se fica pela técnica do enrichez, vous! e pelo capitalismo selvagem da sociedade de casino"
-J. Adelino Maltez in Diário Económico,Lisboa,8SET08
Ainda a propósito e ainda, o Dr Adelino Maltez, se me permite e pelo recado para quem, aí, em 'ngola, como aqui, em purtugale, for capaz de ler: http://tempoquepassa.blogspot.com/2008/09/uma-imagem-vale-mais-do-que-mil.html (com a devida vénia)
5 Comentários:
Já vi que votaste. Tens a marca de tinta preta no dedo. Eheheheheh. Não podes bisar. Bju
Quem dera que essa tinta ficasse em marca «indissolubile» de uma verdadeira democracia alcançada!
Escafedi-me!
Já chega!
Bijinhos
Mulemba
sabe Ana,
nunca pensei que ter o dedo "borrado" me desse assim tanto prazer!
beijo
"Os africanos inventaram o tempo
-Angola, por estes dias, confirmou que deixou de ser nome de guerra, procurando um certificado de ‘free and fair elections’, onde pouco interessa um resultado que antes de o ser já o era-
Há a força dominante de um partido-sistema que já foi partido-único e que tende a ser uma espécie de partido revolucionário institucionalizado, ou um bloco central, de cujos dissidentes sairá a futura oposição eficaz, dado que a minoria institucional da UNITA, apenas representa uma espécie de oposição espiritual.
Vale mais salientarmos que a construção do político em África não pode ser mera aquisição de um modelo de pronto-a-vestir adquirido no hipermercado politológico das chamadas transições para a democracia.
Até nem haverá democracia em África se ela não for uma democracia efectivamente africana, enraizada no chão moral de uma história sofrida. Logo, quem continuar a traduzir em calão modelos organizacionais que não se adequam ao corpo e à alma dos africanos está, na verdade, a trair todos os que lutam por este valor universal. Porque a liberdade, enquanto libertação, implica espremer gota a gota o escravo que cada homem conserva, escondido, dentro de si. Porque apenas conseguimos passar de súbditos a cidadãos, quando nos autodeterminamos como homens livres.
Porque, se desapareceram os sinais exteriores da anterior repressão, permanecem os subsistemas de medo e é dominante o oficialismo bonzo do permanecente comunismo burocrático. Desde aquele que foi herdado do aparelho colonial, ao que foi hiperbolizado pelo afro-estalinismo e que tem, como contrapartida, uma agressividade negocista e corrupta dos que, rasgando os anteriores princípios, se fica pela técnica do enrichez, vous! e pelo capitalismo selvagem da sociedade de casino"
-J. Adelino Maltez
in
Diário Económico,Lisboa,8SET08
Ainda a propósito e ainda, o Dr Adelino Maltez, se me permite e pelo recado para quem, aí, em 'ngola, como aqui, em purtugale, for capaz de ler:
http://tempoquepassa.blogspot.com/2008/09/uma-imagem-vale-mais-do-que-mil.html
(com a devida vénia)
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