A angolanidade , a arquitectura e os Nacionalismos rácicos
Por mais que o não pretendam - e a opinião será livre em países livres de até poderem dizer asneiras , aspecto que será deveras salutar em confronto com todos aqueles que desde o século XV-XVI andam a seguir apenas e exclusivamente as "modas" políticas do mundo - a maioria dos mundos deste mundo , historicamente , continua a seguir o lema de " serem homens do seu tempo ": foram nacionalistas quando o nacionalismo venceu, foram capita listas quando o capitalismo despoletou em força, foram leninistas quando o leninismo andou a fingir que era dominante, e são nacional- liberais, quando, de novo, muito da barbarie capitalista se renova na arte de destruir para construir em novos moldes.
Porventura pode haver mil e um argumentos, mas há qualquer coisa de surrealismo neste conjunto de aspectos que , ano após ano, percorre as " ruas da amargura " da democracia formal angolana.
Bem podem as actuais forças democráticas formais virem com a estória - já que não , de todo , História daquilo que falam -, que será muito negativo , que não é assunto da sua conta , que é sinal de modernidade, que é assunto de especialistas, que é problema dos outros , aquilo que estão a fazer ao Mercado do Quinaxixe (repito, do Quinaxixe , pois são os vanguardistas do Kinaxismu todos, sejam eles do norte, do centro ou do sul, moderados ou radicais , de esquerda ou de direita, brancos, negros, azuis, encarnados ou mestiçados pelas várias cores do oportunismo conjuntural , que está na moda, não se sabe se longa, que aproveitam estas oportunidades individuais ou de pequenos grupos , sem ligar às legalidades nem à legitimidades)!
Bem podem afirmar que isso faz parte do boom angolano que nada tem a ver com os tempos passados , e - repetindo textos anteriores - , que isto faz parte de um acabar com " os vestígios do colonialismo " e que " nós fizemos mais nestes últimos anos do que os Colonos " durante não sei quanto tem po. Tudo é possível, tudo é permitido. Mas o que não se entende , de todo , é que este processo - o da liberdade de expressão ou o da liberdade de associação, não deixando de abordar a questão da liberdade de todos poderem ter direito ás mesmas oportunidades - , esteja a passar por um crivo que é absolutamente fraccionado por interesses multinacionais , angolanos e portugueses em primeira instância , que neste caso concreto são um bife de atum ou um bife de espadarte . É que poderiam ter escolhido para sempre poder ser " não alinhados " , quer dizer " nem carne, nem peixe "; poderiam ter escolhido abertamente ser "peixe à moda dos ilhéus" dali ao pé da Igreja do Padre Filipe que tinha , sabe-se lá se por moda , "um milhão " de sobri nhos ; poderiam ter escolhido ser apenas bife com ovo estrelado , à moda da Trindade de Lisboa , passe a propaganda que não será maior do que a dos meninos das t- shirts que se pavoneam dando de borla a publicidade toda às empresas que estão " coladas " ao seu corpo , sempre na moda . Não! Escolheram, de facto , ser bifes de atum ou de espadarte, não nos aspectos à moda de Nelson Mandela , antes dele aliás , não ! Escolheram , num aspecto deveras lamentável do processo de mudança ...ou de transformação?...social na terra de que se apropriaram totalitariamente: o da ruptura com o desenvolvimento humano , o do apoio aos " ricos e famosos", o da admissão da mediocridade como passo fundamental para a consolidação de uma classe provinciana , nacionalista ( do sul , do norte ou do centro ) e baseada em itens que pouco têm a ver , ao menos , com uma História colectiva e patrimonial .
Que vivam os impulsionadores da destruição do Mercado do Quinaxixe, repito, do Quinaxixe , exemplo de uma angolanidade que , já ao tempo em que se implantou, utilizou a mesmíssima ideologia . Em vez de construir ao lado , perto ou longe recuperando o antigo , constroe uma vez mais por cima da destruição. Ou construirá em cima das águas das correntes frias de Benguela . Não há dúvidas: hoje é possível afirmar que esses bifes de atum ou de espadarte são um caso de sucesso. Daqui a trinta anos , terão estátua, certamente à moda do tempo que houver, pois não são capazes, nunca foram capazes, de inovar. Nem nas teorias à moda de Joseph Schumpeter, na versão " destruir para construir melhor ". Porque será que o Macedo dos Direitos Humanos não fala neste assunto de lesa património que afecta as pessoas no seu direito histórico ?
Eugénio Monteiro Ferreira, 1 de Agosto de 2008





1 Comentários:
Muito bem!
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