"Adeus"?

... E sem te virar as costas, iniciei a minha caminhada para longe.
Sobre os fragmentos de nós – e com os pés sulcados por todos os trilhos de inventada felicidade –, a coragem de prosseguir com os olhos gritando sangue em mudo desespero.
Lentamente, vou despindo sensações, marcas, desejos, esperanças e sonhos, inscritos na minha pele e descontroladamente alojados na minha memória.
O frio arrepia-me a alma escurecida pelo fogo que me ardeu até ao último sorriso. O corpo, agora em carne viva, esperar-te-á eternamente na tão desejada 'morte' que nunca conheceu.
Vejo-te chorando, mas imóvel. Esperas, como sempre, o tempo que para ti é infinito. Abandonado ao que está escrito e sem mudar o destino das palavras, ofereces-me um punhado de amor verdadeiro e de vontades quase estéreis.
Olho-te triste, impotente, sentindo-me só numa cruzada cega.
Qual a validade da palavra "Adeus"?
Sobre os fragmentos de nós – e com os pés sulcados por todos os trilhos de inventada felicidade –, a coragem de prosseguir com os olhos gritando sangue em mudo desespero.
Lentamente, vou despindo sensações, marcas, desejos, esperanças e sonhos, inscritos na minha pele e descontroladamente alojados na minha memória.
O frio arrepia-me a alma escurecida pelo fogo que me ardeu até ao último sorriso. O corpo, agora em carne viva, esperar-te-á eternamente na tão desejada 'morte' que nunca conheceu.
Vejo-te chorando, mas imóvel. Esperas, como sempre, o tempo que para ti é infinito. Abandonado ao que está escrito e sem mudar o destino das palavras, ofereces-me um punhado de amor verdadeiro e de vontades quase estéreis.
Olho-te triste, impotente, sentindo-me só numa cruzada cega.
Qual a validade da palavra "Adeus"?





2 Comentários:
inacreditável.
Um abraço
Mantenho a caixa de madeira aberta.
Diante da minha árvore da febre
Abro a velha caixa de madeira
A minha velha caixa de alucinações
Ouço passos seguros, cadenciados
Soltam-se os murmúrios das fontes
Águas de engrossar rios e mares
Dançam nos ventos tão diferentes
Palavras suaves de escrever e contar
Cetins verdes recobrem as margens
Voam poemas de vestir e sonhar
Máscaras escondem rostos de mulher
Moi-se massambala na casa do meio
Contam-se rios de muita água passada
Imaginam-se outros que hão-de chegar
Certos que na foz todos são de ir e voltar
Grandes manadas empoeiram o sol
Meninos homens na circunsição esperada
Os mais velhos matam os bois sagrados
Mulheres de fitas brancas nos cabelos
Velhos gaviões flutuam no ar quente
Girassóis amarelos ensaiam valsas lentas
No horizonte o chão estremece de calor
O grande vermelho entra no rio maior
Polvilhando de faúlhas os céus negros
Hora de dragões sobrevoarem as fogueiras
Libertam-se os lobos de todas as memórias
Sonhos de boiar na superfície da vida
Embrulham-se cambriquitos e juras de amor
No ritmo dos batuques há muito ensaiados
Até que os corpos se diluam na madrugada.
GED
Tão bonito...
Um beijo, Ged.
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