Domingo, Março 09, 2008

A trança

Quando era pequena, a minha mãe nunca me prendia o cabelo que se espalhava em desalinho, amarelado, um pouco por todo o rosto. Sempre o usei comprido.
Cresci rebelde como o meu cabelo.

“Faço-te uma trança”, pediu-me ele em tom determinado. Não, eu respondi.

Prender-me o cabelo seria amarrar-me como quando fazia ballet em que cabelo e corpo eram acorrentados a normas e a modelos que inibiam a minha natureza.

… mas às vezes sou tentada a fazer-lhe a vontade e invento-me a pensar se abrir uma excepção teria a cor da felicidade

9 Comentários:

Blogger -pirata-vermelho- disse...

É bonito o escrito e luminoso o cabelo e é também bonita a pele abaixo dele.
Registe a minha concordância com a denúncia 'daquela' dança, acorrentada a normas e modelos inibidores de gestos largos e d'outros destemores
mas
não foi 'escola'?
não foi exercício de primor?
e
não foi condição da sua emancipação?

Não há educação sem condicionamento
nem
aprendizagem sem um ou outro tormento.

09-03-2008 23:32  
Anonymous Anónimo disse...

Como gosto de te ver, lendo o que escreves.
Como gosto!
Mulemba

11-03-2008 13:33  
Blogger Paulo M. disse...

Olá,
Gostei muito do seu blog. Faço uma pesquisa sobre Angola para um documentario e gostaria de ter mais informações com pessoas que tiveram ou estão lá. Se puder dispor do seu e-mail para conversarmos melhor ficarei grato. O meu e-mail:pmafonseca@uol.com.br
Att
Paulo Murilo Fonseca

11-03-2008 15:23  
Anonymous Anónimo disse...

Gosto da tua trança e da tua dança, prontos!!!!!!

Fifer

11-03-2008 23:17  
Blogger ged disse...

O prazer do conhecimento foi mutuo.
Quanto às estradas e...ao resto, permite que te diga, que muito do meu olhar, vem de dentro, do coração e do amor que tenho a essa pátria.
Bjs
GED

11-03-2008 23:40  
Blogger inominável disse...

Estou muito tentada a concordar com o Pirata... Para se chegar a um nível de virtuosidade (não é só para se ser boa, mas para se ser óptima), em que o dom e a arte, o saber, a consciência do que se faz, e como e para quê se conjugam - e a isso chamo arte - não chega ter jeito ou contentar-se com o que já se conseguiu... e isso implica esforço, teimosia, passos a trás e adiante, cabelo apanhado e tranças...

Um post belíssimo...

12-03-2008 9:30  
Blogger Phwo disse...

Obrigada pelos vossos comentários.
Posso apenas dizer que para falar dessas "amarras" tive de dançar, inclusivamente, "As Sílfides"; ou seja, dominar a técnica clássica. Sei do que falo, embora as reconheça (às técnicas, quaisquer que sejam) como imprescindíveis para uma profissionalização em dança.
Um beijo para cada um.

12-03-2008 20:09  
Blogger Niuska disse...

Quando te conheci, há mais ou menos 24 anos, apaixonei-me por essa trança. A paixão unica das miudas que ensinaste que era possivel fazer arte na bwala! Quando crescesse ia ter uma trança igual à tua mas a carapinha mesmo não deixou.
Gosto-te e comoves-me sempre, de uma forma que nunca te direi ao vivo porque sou muito achada.

beijo
ana tavares (a filha naturalmente)

15-05-2008 3:21  
Blogger Phwo disse...

Ana, minha querida
Que bom ver-te por aqui e "ouvir-te" sobre épocas passadas.
És achada e muito bem (digo eu, achando-me também). Sabes que há um grupo de alunos, onde tu estás, que continuam particularmente importantes para mim.
Um beijinho grande e acha-te sempre (mas não em 'desmaziadamente', como eu, 'no entretanto' aprendi)

16-05-2008 20:20  

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