Quinta-feira, Março 06, 2008

Testamento

… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.
Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.
E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.
Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:
a tua alma pura e frágil!...

6 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Delicioso!
Arrebatador!

07-03-2008 10:55  
Anonymous Anónimo disse...

Que mulher! Lindo!
um beijo pelas tuas palavras.
Carlos Nogueira

08-03-2008 9:29  
Anonymous Mirian Martin disse...

Dançar com o corpo e palavras...
Parabéns pela proeza! Adorei!

09-03-2008 17:25  
Blogger Phwo disse...

Um abraço a cada um.

10-03-2008 0:06  
Blogger inominável disse...

Há tanto tempo que não passava por cá que até me tinha deslembrado da beleza deste blogue... mas não é por mal, acredita... a vida dá tantas voltas e tão rápidas, umas grandes, outras tão pequenininhas.........

abraço-te de longe, bailarina amarela, com todos os meus braços :)

12-03-2008 9:26  
Blogger Phwo disse...

Nominável: Já tinha saudades tuas. Um beijo, alegre pela tua "volta".

12-03-2008 20:12  

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