Sem Título
De pernas cruzadas, sento os meus pensamentos no tapete da entrada. Certifico-me de que o “alemão” não os vai engolir numa lambidela amistosa.
No portão de casa reinvento a sua silhueta, coreografando-a no nada do escuro.
Como será em movimento? Felino, hirto, agitado, indolente?
Fantástico! Como me intimida, sendo tão frágil. Ou serei eu que me enleio em merdas minhas? Talvez... (haja algo mais).
Braços, pernas, pélvis?... Percussão ou melodia? Semi-nu ou vestido?
Não sou boa companhia, avisou-me logo. Pois… nem eu, revelei-me depois.
Foto: daqui
A música começa e só depois a luz. Uma luz fria, incómoda; a ausência de movimento nos dois corpos inertes, de sensualidades múltiplas, deitados no chão.
Saudades, vontades, urgências, falta pouco, já!... e faltam as palavras. É a cara da frustração. É quando a magia se transforma em constrangimento. Porra!...
“Hymn to the sun” de Glass. É difícil, ele disse. Será que resulta? Um em cada círculo de luz. Os bailarinos nunca se juntam; nunca se tocam. Têm ritmos diferentes, não se completam.
E o fim? No fim de contas são dois estranhos que acreditam gostar um do outro. Banal.
Não vejo o final da coreografia. Será que as minhas lágrimas ficaram opacas? Chove.
"Finalmente ar fresco! Estou à tua porta..."
Talvez os junte. Mas em círculos excêntricos.
Talvez os mate, incinerando-os na paixão do sol que um dia queimará o planeta então ex-azul.
No portão de casa reinvento a sua silhueta, coreografando-a no nada do escuro.
Como será em movimento? Felino, hirto, agitado, indolente?
Fantástico! Como me intimida, sendo tão frágil. Ou serei eu que me enleio em merdas minhas? Talvez... (haja algo mais).
Braços, pernas, pélvis?... Percussão ou melodia? Semi-nu ou vestido?
Não sou boa companhia, avisou-me logo. Pois… nem eu, revelei-me depois.
A música começa e só depois a luz. Uma luz fria, incómoda; a ausência de movimento nos dois corpos inertes, de sensualidades múltiplas, deitados no chão.
Saudades, vontades, urgências, falta pouco, já!... e faltam as palavras. É a cara da frustração. É quando a magia se transforma em constrangimento. Porra!...
“Hymn to the sun” de Glass. É difícil, ele disse. Será que resulta? Um em cada círculo de luz. Os bailarinos nunca se juntam; nunca se tocam. Têm ritmos diferentes, não se completam.
E o fim? No fim de contas são dois estranhos que acreditam gostar um do outro. Banal.
Não vejo o final da coreografia. Será que as minhas lágrimas ficaram opacas? Chove.
"Finalmente ar fresco! Estou à tua porta..."
Talvez os junte. Mas em círculos excêntricos.
Talvez os mate, incinerando-os na paixão do sol que um dia queimará o planeta então ex-azul.





8 Comentários:
Ui, que sensação... estou, não surpreendido porque tu és de uma beleza que não cria dor de alma, mas siderado com tais palavras que projectam uma coreografia plena de cumplicidades e sentimentos. Surpresas vais-mas projectando na tela de uma paixão "queimada" por um sol quente que nasce na magia de uns olhos que vê ainda azul o lugar onde amamos.
Que tenhas um bom fim de semana. Beijos.
FIFER
Bonito, Fifer.
Obrigada.
Bjo.
Seja o Glass...ou um grito ou o som do batuque, mas que a coreografia os una em circulos inconcentricos. Não mates o Ogro.
Bjo
Olá, Paterhu; nada temas. As vidas do(s) Ogro(s) estão asseguradas.
Este aqui é mesmo um caso de outra galáxia, eheheh.
Bjnhos
"Phwo" querida,
Sublime a forma como evocas a sensualidade e o desejo numa coreografia que se adivinha quase uma declaração de cumplicidade de um sentimento belo, seja qual for a sua natureza. Gosto também do jeito como anulas a felicidade com a tristeza.
Se me permites eu leio o como se fora para mim, como sabes sou um romantico. (mas um mau dançarino)
Obrigado por me teres dado a conhecer este espaço que já não dispenso nas minhas voltas pela blogosfera.
Carlos N.
Sou mais uma que dança ao sabor das suas letras... E viaja na imaginaçào.
Olá "Bruxa",
Obrigada pela tua visista. É bom saber que esta minha (des)organização pode ser (re)transformada.
Um abraço e volta sempre.
Carlos,
Como sabes, depois de uma coreografia estar criada, de um quadro estar pintado, de um texto estar escrito, enfim... quando há a exposição pública de um trabalho, ele inicia um percurso autónomo, ou seja, sobrevive fora do controle de quem o "pariu". Assim, qualquer leitura é lícita por corresponder aos diferentes olhares.
Um beijinho
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