Domingo, Setembro 30, 2007

Transparência (?)


Esta semana saiu ESTA notícia no Jornal de Angola, o jornal oficial.
Na televisão foi anunciado que Angola é o segundo país em África com maior incidência da tripanossomíase (doença do sono). Milhares de angolanos correm o risco de contrair esta doença que se encontrava já erradicada de Angola.
É pena...

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Homenagem III

Hoje foi o encerramento do III Encontro Internacional sobre a História de Angola (está justificada a minha ausência do blog). No seu discurso, Boaventura Cardoso, ministro da Cultura, lembrou este grande nome da poesia angolana, homenagiando-o.

António Jacinto do Amaral Martins.

"Nasceu no Golungo Alto, em 28 de Setembro de 1924. Conclui seus estudos licencias em Luanda, passando a trabalhar como funcionário de escritório. Destaca-se como poeta e contista da geração Mensagem e, em conseqüência de seus envolvimentos políticos, é preso no campo de concentração do Tarrafal, Cabo Verde, onde cumpriu pena de 1960 a 1972. Neste ano, foi transferido para Lisboa, em regime de liberdade condicional, onde exerceu a função de técnico em contabilidade. Fugiu em 1973 e foi integrar a luta pela independência de Angola, participando das frentes militantes do MPLA. Após a independência, foi Ministro da Cultura de 1975 a 1978. Morreu em 23 de Junho de 1991."
Texto nesta página, onde poderão ler alguns dos seus poemas.

Publicou Poemas (1961), Vôvô Bartolomeu (1979), Poemas (1982, edição aumentada), Em Kilunje do Golungo (1984), Sobreviver em Trrafal de Santiago (1985; 2ªed.1999), Prometeu (1987), Fábulas de Sanji (1988).
Arrebatou vários prémios, nomeadamente Prémio Noma, Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e Prémio Nacional de Literatura.

O primeiro espectáculo da Companhia de Dança Contemporânea (Dezembro de 1991) foi-lhe dedicado.

Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro XVI


E andam mesmo; e bwe!!
O dono tem pelo menos 5 a andar.

Domingo, Setembro 23, 2007

O mimo "finge" (?) com saber


A notícia apanhou-me deprevenida. Ouvi sobre o
mimo que sabia fingir de tudo.
Mas Marcel Marceau não pôde fingir a morte e,
aos 84 anos de idade, deixou-nos sem a magia de
uma gestualidade que já é eterna.


Marcel Marceau
(22.03.1923 - 22.09.2007)

Na "trazzeira" do kandongueiro XV


O preço justo?

Sábado, Setembro 22, 2007

"Desmontando e reconstruindo a ideia de lusofonia"



Não é recente, mas mantém-se muito interessante, este texto de Mia Couto.

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Futilidades (?): Do "grande" ao abaixo de cão



Angola está com orgulho! Tem, uma vez mais, uma concorrente encarcerada na casa do "Grande Irmão" africano. Isso mesmo a "nossa" mui-querida Tatiana, "modelo" e "actriz" entrou para o BBA (Big Brother África) e está a dar cartas, falando o seu melhor inglês!

Seja em que país for, programas como o "Big Bréda" são por mim atirados para o conjunto de lixo televisivo, protagonizado por idiotas para outros, não menos idiotas. A "realização" dos produtores é total pois, aproveitando-se das vaidades de uns e do voyeurismo de outros, lá vão "encaixando" milhões.

Um destes dias, vi cerca de 5 minutos do BBA, na casa de alguém que insistiu em mostrar-me mais um bando de desocupados, dedicados a uma temporária vida ociosa. Apesar do seu encerramento naquela casa ser voluntário, lembrei-me logo dos horríveis "Human zoos" ou das experiências com animais em cativeiro, testados até aos limites.

De facto, o que vi era deprimente. Grades de cerveja sobre a mesa (onde já havia garrafas de vinho cheias e vazias) e todos de garrafa na mão falavam o melhor que podiam sob a acção das misturas etílicas.

Mas ontem o espectáculo foi total. Hoje, na "city" não se fala noutra coisa. A novidade encontrou-me dentro da caixa de correio electrónico. A nossa mui-querida conterrânea que andava de amores por um dos moradores da big casa, proporcionando aos telespectadores daquelas cenas que no "Cinema paraíso" seriam 'cortadas', decidiu pedir para a colocarem (maizaojovemparceiro) numa Penthouse, para momentos de privacidade.

E foi assim que o canal BBA passou cenas de sexo explícito com grandes planos protagonizados pela nossa sempre mui-querida representante, alternados com cenas da mesma "actriz", completamente embriagada, de joelhos, a vomitar para dentro da sanita. Os realizadores do programa não a pouparam sequer das imagens que a mostraram sentada no vaso sanitário, difundindo todos os momentos da figurinha "recatada" que todos fazemos quando estamos nestas actividades privadas, que Luis Buñuel apresentou como burguesas e de "discreto charme"?

Milhões, em toda a África, viram. Eu não vi, mas acredito. E não me orgulho nada!

(Pensar que me achava uma pessoa "moderna", sem preconceitos e respeitadora das liberdades de cada um...)

Crólicas VII

Como dedos da nossa própria mão
Por: Wa Zani

In, Jornal de Angola, 14 de Setembro de 2007

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Batem(-se) palmas às palma(dela)s dos importadores de palmeiras


As palmeiras. Tornaram-se uma referência dos "países tropicais". Vieram de fora e, como outros elementos da flora, da gastronomia ou das artes, igualmente importados há séculos, foram absorvidas e fazem hoje parte do nosso "património"; donde, as palmeiras, como o óleo de palma, são cempurcentos angolanas! (Será que os Hummers, os 'Patrois' e os lustres de cristal - ou será caco de vidro igual aos das garrafas de gasosa, mesmo? - que estão na moda nos 'gabinéfilos' dos nossos chefes um dia vão ser também tradicionais angolanos? Pode ser... é o progresso da globalização!)
E por falar em progresso, lembrei-me agora mesmo da tal "requalificação" da marginal de Luanda com as tais torres de luxo a lembrar o novo-riquismo de um Dubai inventado para turismo de luxo, onde endinheirados burgessos reclamam o direito a usufruir de "tudo a que têm direito".
É que, de há alguns dias para cá, se vêem passar na marginal camiões e mais camiões a abarrotar de palmeiras acabadas de sair do porto de Luanda. Vêm de longe (afinal Maiami não é logo ali), vão para longe (estão a ser "acantonadas" nos Ramiros) e voltarão para a marginal, onde serão re-replantadas com o propósito de... "enfeitar". Mais de 20.000 (!!!) palmeiras decorativas, já crescidas (urgentes), pois não há tempo para esperar que cresçam.



Nem mais! Exactamente do que precisamos! Torres de luxo na baía com palmeiras urgentes importadas de um dos bastiões do " inimigo imperialista yanki" ao qual, não há muitos anos, no tempo em que sonhávamos com uma Angola exemplar, não daríamos "nem um palmo da nossa terra". Também... não foi preciso!... Venderam-nos eles as palmeiras. Cool!
Obras de saneamento público, melhoramento das condições de vida das populações, formações de qualidade e emprego para todos, tapar os buracos das artérias de Luanda e asfaltar as ruas e os acessos aos bairros periféricos onde vive a maioria da população luandense, nada! Pra quê?
Já se faz o suficiente para animar as campanhas, apresentadas em horário nobre na televisão pública angolana.
Pergunto: quais são as prioridades? Pergunto mais: a quem bater palmas? Às (eternas) ajudas internacionais que nos "oferecem" milho transgénico... ou quê?
Fotos cedidas por: Paterhu.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro XIV



"Staff Canadá". Internacionalização?

Empresários, ideologia e mentalidades

«1. "É a vida!", lá disse um muito benemérito e cristão 1º Ministro português, quando as circunstâncias se lhe colocaram de forma tal que não pôde resolver a contento dos seus correligionários um problema qualquer, lá longe, em Portugal. Aliás, pouco interessa o motivo.»

Ler texto completo AQUI

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Já foi há bwe...


Estávamos em 1986. Cacimbo. O avião era um enorme Antonov militar; dois bancos corridos frente a frente e duas cordas ao alto para nos segurarmos. Era grande a delegação da Secretaria de Estado da Cultura. No meio, entre os dois bancos e à nossa frente, a bagagem empilhada. Destino: Lunda Sul.
...
Chegou o dia da festa. Na época, ainda não tinha máquina; apenas papel e lápis de carvão, mas só consegui escrever quando regressei ao local de alojamento.
Era um final de Mukanda. Tundanji e Akixi exibiam-se com organização e ordem de actuação próprias. Fiquei petrificada entre o medo e o fascínio.
Entravam em fila; os tambores no seu lugar, dirigidos pelo mukwa ngoma ya xina. Os movimentos perfeitos para pôr as máscaras em movimento, espalhando a memória dos antepassados, as suas qualidades e as suas funções na sociedade. Os jovens, já ngalami, dançavam ao lado dos profissionais para mostrar o que tinham aprendido durante o tempo de retiro. Os seus cikolokolo, olhavam com satisfação.
...
Depois foi a vez da Ciyanda. Fui desafiada por um "chefe" de Luanda para entrar na roda. Percebi que o fazia por provocação. Não "obedeci". Achei que entrar numa roda, assim, sem convite, não era ético. Para além disso, não dominava a técnica de execução daquela dança.
(Guardei o desafio para mais tarde. Anos depois viu-me dançar. Admirado, mostrou o seu agrado. Tive tempo para aprender.)
Em palco, jamais danço sem saber bem a coreografia. Não gosto de errar.
...
Os outros partiram e eu ainda fiquei.
Semanas depois regressei; o caderno cheio de letras e desenhos, o lápis gasto de tanto afiar.

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

(Maus) Tempos


Verdade ou "ficção"?
AQUI

Sábado, Setembro 15, 2007

Primeira vez

O meu interesse pelos akixi remonta há já algum tempo atrás quando, pela primeira vez, me vi a escassos metros daquele que se viria a tornar o meu eterno objecto de interesse.
Enquanto trabalhadora da então Secretaria de Estado da Cultura fui destacada como directora de palco de um espectáculo, em Luanda, no qual participariam grupos de dança de todas as províncias angolanas.

No decorrer de um dos ensaios fui impedida por alguém, quando tencionava auxiliar um bailarino mascarado visivelmente desorientado no palco – um local de apresentação de características completamente distintas do terreno no centro da aldeia: «- Não vás, porque as mulheres não se podem aproximar deles. Batem e podem até matar.»

Hesitei, obedeci, mas decidi naquele momento que me aproximaria o mais possível daqueles bailarinos cuja performance me atraiu pela dualidade entre deslumbramento e recusa, entre o espectacular e o aterrador.
E foi assim. Vivia-se o início dos anos 80.

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

Crólicas VI

Um buraco daqueles para o meu tendão de Aquiles
Por: Wa Zani

In, Jornal de Angola, 6 de Setembro de 2007

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Escultura

Quando trabalhava no edifício da ex-Academia de Música de Luanda, a minha sala dava para a avenida marginal. Com as janelas sempre abertas, via a baía, a ilha e o mar, com as diversas iluminações que o sol acendia, desde a manhã ao entardecer.
Na época era um privilégio. [Hoje será um pesadelo, mas o ocupante da minha (ex) sala tem ar condicionado e usa as portas fechadas.]

Nesse tempo (não tão distante assim), o movimento na avenida não era tão intenso, os aterros para construir dentro da baía nem haviam sido pensados e a poluição... não era.
Eu gostava...
Um dia colocaram, no pedestal vazio que antes suportara o gordo e verde Vasco da Gama, esta escultura do António Ole. Muita gente resmungou.
Eu gostei!


Foto: Jorge António

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Crianças






Fotos: Jorge António
Rodagem: "Kuduro, fogo no museke" (Setembro - 2007)

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Educação Intercultural: uma contribuição para o desenvolvimento

«(...) De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, “não há, não pode, nem deve existir” uma espécie de “educação universal”, já que cabe a cada sociedade real e histórica, em determinado momento da sua história, a responsabilidade de criar e de impor o tipo de educação de que necessita para o exercício de papéis sociais (BRANDÃO: 76). Assim sendo, a acção educativa, inserida num processo de desenvolvimento comunitário, não deverá estar desassociada do contexto cultural em que está inserida. Caso contrário, os aspectos teóricos adquiridos nas instituições de formação não serão capazes de dar resposta aos problemas reais e quotidianos dessa comunidade. »

Ler o artigo completo aqui.

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro XIII


"Somosno z mesmo"

Sábado, Setembro 08, 2007

Duetos





Sexta-feira, Setembro 07, 2007

Crólicas V

"Achismo" e Gnoseologia
Por: Wa Zani

In, Jornal de Angola, 3 de Setembro de 2007.

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Não é necessário, obrigada

toutaver

Tenho pena dos que não querem ter sentido de humor. Realmente... não é pena, porque essa não será uma condição para a felicidade e eu tenho ainda mais pena dos infelizes. Ya, daqueles que o são deliberadamente, porque pobres de espírito.
... ou porque o rancorzinho do recalcamento lhes limita o campo de visão.
Passo a explicar:
Há tempos, estava eu "posta em sossego" (eheheh) quando um "triste" vem ter comigo dizendo que eu não podia estar ali sentada. À minha pergunta bem humorada, respondeu-me "porque não". Estava fardado e armado, como todos os que fazem cumprir a lei. Voltei a olhar para as pessoas sentadas ao meu lado. À minha pergunta (já) impertinente ele respondeu "porque eles são estrangeiros" e não percebem o que eu digo. Normal!...
Embora contrariada, fiz um esforço para perceber porque razão aquele "fardas" tinha achado que eles eram estrangeiros. Tinham os olhos rasgados e o cabelo preto, muito liso. Levantei-me e perguntei-lhes as horas: Nóbe e mêia. (O sotaque era "do norte, carago!"). Obrigada.
A minha filha saiu, finalmente, da loja. E ainda por cima tem uma amiga de cor, ouvi-o rosnar na sua fardex de segurança a brincar aos poderes; nos limites.
Nem lhe liguei, como esperam ele e todos aqueles que, como ele, se acham muito sabedores de tudo. Por mim, podia ficar ali o dia inteiro a esforçar-se para parecer superior, que a falta de sentido de humor e as conclusões precoces já tinham denunciado a caducidade do seu prazo de validade.
Afinal, ali, a única estrangeira era eu.
Coitado! Só "reparou" nos detalhes que quis ver; e mal. Só a ele lhe fez (bom?) proveito, portanto.
Típico; de quem "goza" em frente ao poster do "inimigo".
Pergunta: Sado-masoquismo? E se essa "malta" fosse ao psiquiatra? Freud? Não dá... Infelizmente já morreu!

Terça-feira, Setembro 04, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro XII


"Pai da Ricardina", orgulhoso da filha e dono do puro azul e branco!

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Crólicas IV

A crioulidade como doutrina e falsa teoria social
Por: Wa Zani

In, Jornal de Angola, quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Domingo, Setembro 02, 2007

As costas (largas) de Luanda


A parte de trás da Escola de Música e da Embaixada da Alemanha


Os ares condicionados dos vizinhos dos dois primeiros


O terraço da Escola de Música


As costas vistas de frente para o fotógrafo no terraço da Escola de Música


De frente como de costas, os prédios com ares condicionados (sempre!) e roupa pendurada com parabólicas à mistura

Fotos de Jorge António
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