Terça-feira, Julho 31, 2007

O Mussulo

Há anos que não ia ao Mussulo. Há mais anos ainda que não passava lá um fim de semana. De facto, estava a tornar-se uma tortura os geradores, as motas de água, as moto-quatro, as aparelhagens, os barcos quase iates e até os jipes que, de manhã e de noite "barulhavam", poluiam e punham em perigo a vida dos banhistas sem dó nem piedade, ou seja, "sem maneiras".

Mas é cacimbo e o meu amigo Paterhu garantiu-me que a época era boa. Aceitámos o convite. E ainda bem!
Parecia o Mussulo antigo...
(Fingi não ter visto os casarões dos novos ricos com piscinas a dois passos da praia.)
O silêncio era o mesmo, o mar azul e verde mantinha as cores, os mangais pareciam não sofrer. Os peixes fugiram das nossas canas, é verdade, mas havia o vento frio da estação misturado com o sol cor-de-laranja do meio da tarde que nos invadia através das roupas leves.
As palmeiras ajudavam os pássaros a cantar e faziam sombras irrequietas na areia, muito limpa naquela zona.

Foi um tempo breve de esquecer o semi-esgoto em que somos obrigados a descontar o nosso dia-a-dia.
Obrigada, M.


A igreja da ilha dos padres, do lado que era das madres


Cavalos marinhos


Aquele cliché de sempre com o pôr do sol e tal...


Frutos da matebeira


Mangal

Segunda-feira, Julho 30, 2007

Fotos da Diana - XI

Estradas da mesma cor com margens diferentes




Sábado, Julho 28, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro V


Dia & Noite? Diabo Negro? Duro Nakéda? ...?
(querem adivinhar?)

Sexta-feira, Julho 27, 2007

S. Miguel, um património histórico multiusos



Hoje fui à fortaleza de S. Miguel, actualmente Museu Nacional da História do Exército (ex-Museu Nacional das Forças Armadas). À porta, o Cão. Diogo Cão, é claro!
Lá dentro fomos atendidos por um senhor muito gentil e disponível.

Para além de museu, o velho forte, que há séculos observa o oceano e as transformações do espaço circundante é agora: passerelle de desfiles de moda; local eleito para sumptuosas festanças com e sem fogo de artifício; palco de "inventos" de alta visibilidade.

Engraçado... tudo isto sob os olhares (des/a)gastados das (ante)passadas "estrelas da história de Portugal" que, desde a independência, moram no pátio de entrada da fortaleza.

Azulejos? Sim, havia... duraram mais de quatrocentos anos, mas nos últimos trinta o "maldito salitre" apareceu de repente. Valeu-lhe a utilidade de vir desculpar o estado lastimável em que se encontra o que resta dos painéis azuis e bracos, verdadeiras fontes históricas.


(Tirei esta foto em 2006. Era um dos três painéis que estavam completos. Hoje, só encontrei metade)
Quando saí, havia um grupo de crianças de um colégio que visitava o museu. Ouvi o guia explicar: "- Este é o Salvador Correia de Sá e Benevides que conseguiu correr com os holandeses de Angola".

Boa(s) notícia(s): Vão recuperar os painéis de azulejos. Já localizaram, na Torre do Tombo, imagens dos originais. Também vão fazer um restaurante de luxo, lá dentro, na fortaleza...

Quinta-feira, Julho 26, 2007

Luanda...

Foto: Diana
Uma reportagem de Luis Pedro Cabral e Sandra Rocha publicada há pouco mais de uma semana na revista Única do semanário Expresso.

Quarta-feira, Julho 25, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro IV


Criatividade; um "móbil" de campanha?

Terça-feira, Julho 24, 2007

Fotos da Diana - X

As mesmas cores em lugares idênticos (?).





Segunda-feira, Julho 23, 2007

(Ainda) e a propósito de...

Ainda sobre as demolições, trago hoje um excelente texto (publicado no último semanário "Agora") de Nelson Pestana - Bonavena - , jurista, escritor, jornalista... meu amigo de há bwe* (desculpem-me estas vaidades). Para o ler basta clicar sobre o título a seguir.

O Camartelo, a Constituição e o Medo

* A propósito:Há muito tempo, estava eu nos anos 80. Saía de mais um dia de aulas no Teatro Avenida. Apareceu um "moço" (nosso linguajar de cá) bem alto para me entrevistar. Eu não queria, nunca tinha sido entrevistada antes. Aleguei ter pressa, acho... Mas ele, pacientemente, lá me convenceu.

Domingo, Julho 22, 2007

Jardim do Éden* para uns, Inferno para outros

* Complexo habitacional

Foto: Diana

"O que mais revolta, dizem os populares, é saber que no espaço onde agora estão a ser demolidas as suas residências é erguido um complexo residencial de Luxo, a troco de indemenizações de apenas 500 dólares norte-americanos para cada um dos detentores de terrenos no bairro Iraque" (A Capital, 21-28 de Julho 2007,p. 27)

"Na madrugada do dia 17, populares residentes na zona do Sindicato Iraque, município do Kilamba Kiaxi, acordaram em alvoroço. Homens armados escoltavam tractores que invadiram a área. Eles bateram às nossas portas e mandaram-nos tirar todas as coisas para fora, contou um dos moradores ainda trémulo e um pouco traumatizado pela cena que presenciou". (Idem)

Foto: Diana
Pois é!... Há já algum tempo que as pessoas andam aterradas com o nosso "progresso" na área da construção civil. É que... casas para todos, nada! É a febre do "vidro" na força do "camartelo".

Sábado, Julho 21, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro III


Sem trazzeira???
'tou com gripe e de mau humor :-[

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Jorge Gumbe

Em silêncio podemos ouvir o ritmo azul da pintura.






Da minha geração, Gumbe também começou cedo a construir-se num país que se inventava.

Sobre Jorge Gumbe, um dos grande nomes das Artes Plásticas angolanas saber mais AQUI

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Fotos da Diana - IX

Água cinzenta






Terça-feira, Julho 17, 2007

Francisco Van-Dúnem - VAN


VAN - "Animais em direcção ao mar"

Francisco Van-Dúnem é um dos grandes nomes que, juntamente com Jorge Gumbe, António Ole e o escultor Masongi Afonso, não só marcam uma geração de artistas plásticos angolanos, como continuam a ser grandes referências desta área artística.
Hoje, no SIEXPO (salão internacional de exposições) do Museu Nacional de História Natural, VAN inaugurou uma exposição retrospectiva dos seus 30 anos de dedicação às artes plásticas em Angola.
Excelente, não fosse a interferência desnecessária de um grupo de dançarinos com um trabalho de péssima qualidade técnica e artística (a contrastar com os trabalhos expostos) e sem qualquer preocupação no que refere ao seu enquadramento quer no espaço da exposição, quer no evento em questão.
Ler mais sobre o artista aqui.

Segunda-feira, Julho 16, 2007

"A imbecilidade do betão armado"

Nem mais! Ando eu "práqui" a ferver com esta novela dos edifícios e da Ilha, e qual não é o meu espanto quando me deparo com um texto de um dos maiores da nossa literatura - Manuel Rui Monteiro - publicado no "Semanário Angolense" (p. 29) deste fim de semana, na sua coluna intitulada "Crónicas Desinvencionadas".
Dada a extensão do texto, não o posso publicar na íntegra, destacando apenas algumas passagens:

«"Onde é a casa de banho?" Fiquei espantado com os mármores, lavatórios, tudo. Como era possível ali e não era possível reformular "de forma sustentável" as cagadeiras do aeroporto Internacional 4 de Fevereiro?»

«(...) reparei que dali, pertinho da vaga e espuma embrulhando conchas, não enxergava uma réstia de mar. E falei. "Vocês sabem que na redefinição do ensino vão aparecer novos conceitos como por exemplo: uma ilha é uma superfície de terra envolvida em betão armado e istmo é um pedaço de canal artificial de mar que liga a península a uma montanha de betão e, cemitérios de lixos para a sua transformação em hamburgers e maquedês, montanha essa a que chamam continente.»

«(...) E eu com a sensação de que a ilha poderia afundar numa sapatada de vento. (...) Os hotéis de luxo. Mas isso não importa. O que importa é erguer monstruosidades que simbolizem riqueza que dá a impressão corresponder a desenvolvimento»

«O Mussulo que alguém já caracterizou como " a cidade mais absurda do mundo, com mais geradores do que alguns países do mundo e mais piscinas do que cidades do interior e com um consumo de combustíveis, proporcionalmente mais elevado que algumas pequenas cidades do mundo desenvolvido". E se a ideia das piscinas pega... vai daí... qualquer dia não há areia.»

«Por natureza o betão armado não fala. Mas é muito pior quando ele se torna imbecil para tapar o vento, as flores, a espuma do mar e com isto tudo tentar tapar os olhos das pessoas que não querem cegar por tanta coisa ver desinvencionada.»

Domingo, Julho 15, 2007

António Ole



Só um amigo como o Ole, me faria sair de casa para essas horríveis recepções em embaixadas que evito sempre. Mas o Ole merece!
Não podia deixar de estar presente à sua condecoração com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, atribuído pelo Presidente português.
Parabéns!
Ler mais aqui e aqui.

Sábado, Julho 14, 2007

A ilha bateu no fundo

Há dias "comment"-ava-se sobre o fundo da ilha, a felicidade e outros etecéteras.
Pois bem, aqui está uma foto que não mostra bem o estado lastimável do "fundo da ilha", praticamente coberto por botecos improvisados com tendas de campanha, divisórias de bambu, cadeiras de plástico e grelhadores inventados com jantes e grelhas das sarjetas (dão bwé de jeito), onde se fazem "pinchos" e outros churrascos, enquanto os automóveis levantam o pó necessário a manobras que os consigam arrumar neste conjunto cenográfico onde, claro está, não falta o lixo aos montinhos e o vasilhame de bebidas por todo o lado.
Sorry se acabei com o romantismo de alguns. Mas tudo isto é relativo. "Há bem quem goste".
Ah! Também há um carrocel e uma roda gigante, daquelas de parque de diversões. "Ôba!".
(O problema deve ser quando falta a energia...)



Um dia destes trago as "obras de vulto" que estão a ser construídas lá.
(Se estão a pensar nisso, é verdade; A ilha de Luanda, por questões técnicas, não suporta construções de grande porte, interdição que agora não interessa mesmo nada!)

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Casas quase centenárias na baixa de Luanda

Resistência patrimonial (des)organizada*


Esta vai-se aguentando
(Talvez os donos sejam outra vez donos, ou
nunca tenham "basado".)


Esta, "nem por isso"...
(Temo por ela. É lindíssima. Talvez a mais
bela de todas. No rés-do-chão era a antiga
Pharmácia Popular.)


Esta então...
(Devem estar à espera que se justifique a
demolição.)

* Quem se lembra do chavão pós-dipanda "Resistência Popular Organizada" contra o inimigo internacional??

Quarta-feira, Julho 11, 2007

O nosso kumbu

"Notas de Kwanza(s) sobre caixa de papelão às riscas"


Foto: Diana

Ao contrário do Banco (naquele dia), aqui não há notas de 500 e faltam as de 100.
(... e as de 1 e de 5 kz, também faltam)

Terça-feira, Julho 10, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro II


"O Próprio Betume"
(Mensagem codificada?)

Segunda-feira, Julho 09, 2007

(m)ana joakina

Foto: Phwo
Que lindo!!! Nem se percebe porque diabo ela andará sempre a dizer mal da "banda", pensarão vocês...
É a tal coisa do "quem vê caras, não vê corações", digo eu...
Mas o que interessa aqui dizer é que um edifício do séc. XVII, que conseguiu resistir ao tempo, não foi capaz de resistir à violência da ignorância e da nossa prepotência.
Assim, há uns anos atrás foi demolido já com a intenção de se fazer uma réplica. E é isto que vêm na foto acima; a tal réplica que alegrou quase toda a gente já que o outro já estava podre!!!
Houve reclamações, xinguilamentos teatrais, manifestações de quem se sentiu chocado com a decisão. Mas aqui, quando "alguém" pensa, já é obra concluída. Não houve classe intelectual nem historiador que conseguisse fazer ouvir a sua voz de justiça em defesa do património luandense.

Pergunta 1: Para que serve esta cópia "barata" em betão, do vetusto edifício em pedra cujas fachadas (ao menos essas) poderiam ter sido aproveitadas? Se era para provocar, mais valia lá terem colocado um "vidrinhos fumados" (já agora!!!)
Pergunta 2: Como classificar esta porcaria em termos de património?
Pergunta 3: Já repararam no mau gosto e no ridículo daquele letreiro a dizer "Palácio Dona Ana Joaquina"? Para além de não ter conhecimento da prática de colocar letreiros de identificação nas frontarias dos edifícios históricos, este edifício nunca foi assim chamado, sendo conhecido como o Palácio de D. Ana Joaquina, por ser perteça desta senhora.

Este "palácio" já havia sido colégio. A minha mãe, que o frequentou, lembra-se de ver no chão do pátio as grades para os subterrâneos onde D. Ana Joaquina dos Santos e Silva, guardava os escravos, sua principal fonte de receita.
Depois da independência teve início o seu proceso de degradação até se transformar em covil de bandidos, prostitutas e todas as categorias de delinquência que se possam imaginar.
No início do séc. XXI foi assassinado.

Era este o triste aspecto, antes do crime, do "palácio", em tempos lugar de encontros e tertúlias, frequentado por governadores e por toda a burguesia africana e branca da época, gente do relacionamento desta senhora mestiça, riquíssima e grande traficante clandestina de escravos do séc. XIX.
(Diz-se que os seus navios aportavam em Portugal, Uruguai e Brasil.)

Foto: Aqui
Não estava tão mal assim. Mesmo que estivesse, deveria ter sido salvo!!!

Domingo, Julho 08, 2007

Os monstros 'tão na moda!

São quase todos iguais, os modelitos importados. Construídos por chineses ou não, lá vão reflectindo o belo sol tropical nos vidros que os tornam tão atraentes. Parecem aquelas garinas com óculos escuros tipo do cinema americano; dá vontade de "pegar".
São os novos monos, digo, monstros, que tanto estão a orgulhar quem anda distraído.
E ainda não começou a festa da construção de estádios para aguentar o "tranco" do CAN / 2010!...

Foto: Phwo
Monstro de vidro e betão na Marginal de Luanda
(há outro igual ali mesmo)

Foto: Phwo
Monstro futura sede da SONANGOL sobre o cadáver da
belíssima Pharmacia d' Antas Valladas, na baixa de Luanda.

NOTA: A seu tempo, colocarei aqui as torres que vão ser plantadas na Baía de Luanda. Por enquanto ainda só está o aterro e a fotografia dos "melhoramentos" num placard, para toda a gente ver como a cidade vai ficar linda!
(Musekes? Lixo nas barrocas? Bairros onde se anda de canoa "através" das chuvas? Crianças de rua na droga e prostituição? Sida? Tuberculose? Lepra? Mutilados suicídas? ONDE, porra!????)

Sábado, Julho 07, 2007

Sentido prático ou irresponsabilidade?

De facto, há sempre alguém que "tem ideias" sobre aquilo que vulgarmente se diz não lembrar ao Diabo. Quem, quem? Nós, os angolanos, por exemplo!
Vejam isto:
Como não tinha tempo para o fazer, pedi a alguém que me fosse tratar de um Atestado Médico para "efeitos de emprego". Notaram algo de anormal? Foi o que eu pensei quando me garantiram que era possível.
Tentei a sorte (ou o procedimento legal): entreguei o meu B.I. com uma nota de 1000 Kz e... surpresa! Segunda-feira fica pronto o Atestado Médico que me foi passado sem eu nunca ter aparecido e, portanto, sem qualquer exame médico.
Como para esses "efeitos de emprego" é igualmente necessário um Certificado de Registo Criminal, na Delegação Províncial de Saúde, num guichet ao lado daquele dos atestados médicos, também se passam esses documentos. E ainda mais barato do que no Departamento de Identificação Criminal do Ministério da Justiça, onde eu mandei passar o meu.

Até me apetece perguntar, homenageando o autor da frase: "E esta, hein?"

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Fotos da Diana - VIII

Porque ela também está atenta.

1. As novas ricas "mansões". Arquitectura "original".




2. E, mesmo ao lado, o contraste . Os eternos pobres.


Quarta-feira, Julho 04, 2007

Na "trazzeira" do kandongueiro I


Foto: Phwo

Aqui, quem sabe não é o BES!

Terça-feira, Julho 03, 2007

Hoje fui.... ao Banco.


E o kumbu veio assim, no saco plástico, tipo "mercadoria" do supermercado, que nem cabe na carteira.
Parece bwe, não é? Pois... mas nem tanto. É que desta vez só havia notas de 500...
Metade do saco ficou na loja da esquina onde o pacote de leite custa cerca de dois euros, um (uma unidade!) iogurte custa cerca de um euro, oito baquetes médias custam cerca de sete euros, um quilo de nabo fica em quase dez euros e étecétera (que também se paga)...

"Poizé"... Angola, o nosso país onde falar-se em "carradas" de dinheiro não é uma metáfora.
(Ainda hoje no Banco vi uma senhora a depositar dois sacos que me davam pela cintura. LOL)


Fotos: Phwo

Segunda-feira, Julho 02, 2007

Hoje fui!...


Foto: Phwo

Hoje o dia tem sido vazio.
O cacimbo torna tudo mais estúpido. Sinto-me suspensa no nada.
As sobras das conversas e das makas antigas já não me entusiasmam. Cheiram a naftalina e estão secas. Volto a pensar que sentido faz tudo isto. (O quê, poderão perguntar. Tudo, respondo.)

Há dias recebi um mail que me trouxe de volta um passado fantástico. Alguém falava de coisas vividas, com aquele colorido mágico que eu tinha já esquecido. Experimentei saudades...
Esse mail recordou-me que todas as lutas valem a pena, sim; desde que tenhamos a noção de que nem todas elas são guerras vencidas, claro.

Fui.
(Já tenho saudades do dia em que tirei esta foto. Chovia.)

Domingo, Julho 01, 2007

01.07.89 a 01.07.07


Diana - Auto-retrato 1


Diana - Auto-retrato 2
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