Domingo, Abril 29, 2007

29 de Abril


Foto: Cando.Co

Comemora-se hoje, uma vez mais, o Dia Mundial da Dança, instituído em 1982, pelo Conselho Internacional da Dança da UNESCO, em homenagem ao coreógrafo e professor de dança francês Jean-Georges Noverre.





Terça-feira, Abril 24, 2007

No comments


Placard publicitário na Marginal de Luanda.
Até dá vontade de perguntar a nossa pergunta: "- Keres gozo ou kiê?"´
É a chamada saída infeliz!...
Enfim... ninguém repara. Eu é que tenho estas manias de ler nas entrelinhas.

Domingo, Abril 22, 2007

Kambada de Nacionalistas


Perante este triste outdoor do PNR,


os "Gato Fedorento", não foram mansos.

Encontrei AQUI, n"O Moringue".
Uma vez mais, o Agualusa atento e umas verdades que incomodam mais (muita gente) que uma manada de elefantes.
Pensar que em Angola (e não apenas em Angola) era nacionalista quem lutava pela independência. Uma vez mais a mesma palavra pretendendo encerrar conteúdos distintos.

Sábado, Abril 21, 2007

Fotos da Diana - IV

O caminho verde até ao mar.








Sexta-feira, Abril 20, 2007

A propósito de batuque

É bem verdade que gosto de descrever situações que, por motivos diversos, me tocam.
Há tempos, num blog que faz parte da minha ronda obrigatória, A Matéria do Tempo, vi um post particularmente interessante pelo seu grau de emotividade e sinceridade.
Nele, o "Denudado" contava da sua entrega a uma prática que, não sendo do seu quotidiano, de repente se tornou tão sua, se tornou elemento de consciencialização de que a humanidade é só uma.
É o que sinto quando danço; é o que sinto quando estou ali a tocar com as meninas sob o "comando" do Maradona. São momentos de entrega e de fruição únicos.
Hoje, com a sua permissão recupero o seu texto para aqui.
... Lembrei-me, porque também fala de batuque, apesar de no contexto dele, o "batuque" não ser um instrumento musical, mas sim uma performance de canto e dança.
(Fiquei contente por, finalmente, ter um pretexto para resgatar um relato de que gostei muito.)
LER AQUI.

Quarta-feira, Abril 18, 2007

Maradona

Ele é assim, entre o ensino tradicional e a modernidade. Nasceu em Cabinda, viajou por África e viveu em Paris. Encontrei-o, na "Celamar", quando vi o anúncio do curso. Foi-me apresentado pela Marcela Costa, a dona desta galeria que gosto de frequentar, na Ilha de Luanda.

Mais tarde, ela explicou-lhe quem eu era, o que fazia.
Eu jogava muito futebol, por isso me deram este nome. Quando tiveres um projecto, chama-me. Vamos trabalhar juntos. Diz-me tudo isso com uma voz calma, em tom baixo, e um rosto meio triste com a desanimação de um artista cansado de lutar sem ser reconhecido. Move-se lentamente, o Maradona.

Logo no início da aula, 20 minutos seguidos de aquecimento - sem parar, sob o seu olhar atento e de repreensão à mínima falha - . Um ritmo monótono até (quase) à exaustão. Se as mãos doerem, não param. Ninguém atrasa. Se estragarem o ritmo, continuam até apanhar. Se estiverem cansadas, aguentam. É outro. Firme e determinado, sem se deixar comover com os esgares que deixamos escapar. Nem mesmo o cansaço nos pode fazer perder a pulsação.
Quando ele toca, tudo pára. Estão-me a olhar como se quisessem engolir o ritmo do meu batuque, ele diz. E é (quase) verdade!



Os ngoma(s) grandes, em posição oblíqua com a "cara" para a frente e amarrados (a preceito) à cintura, a passarem-nos entre os pés; pernas afastadas "como na tropa". Ele ensina, com orgulho e severidade, um grupo de jovens raparigas de um lar, que a Marcela acolheu no seu espaço; "- Coisa única em Angola, mulheres no batuque". Depois de perceber que eu também era "nacional", aceitou que em outras partes de Angola há mulheres que tocam tambor. Mas é verdade que em Luanda, isso não é hábito. Pois não.

Agora, ele tem mais dois alunos: eu e o meu sobrinho de 11 anos.
Hoje, pela primeira vez (em quase um mês de aulas diárias), fez-me um elogio (em tom indiferente) enquanto olhava, preocupado (eu percebi), para a palma da minha mão, onde uma veia "derramada", roxa e saliente, não deu para disfarçar a dor. Há uma coisa que tu tens de bom, tens ouvido. Para ti, é fácil apanhar um ritmo logo à primeira. Ainda que não consigas imediatamente uma boa execução, acrescentou rapidamente, como que “arrependido” por ter falado demais.

Quando me despedi, pediu-me para amanhã trazer uma pomada, para me fazer uma massagem na mão, prometendo-me que irei ficar boa (ainda faltam dois meses) e garantindo-me que no início é sempre assim.
Afinal, o nosso Mestre tem (bom) coração. Mas sabe que não pode “mostrar muito os dentes” (como às vezes dizemos aqui para indicar ‘sorrir’ ou ‘rir’), não vão os alunos exceder-se.
Gosto dele!

Terça-feira, Abril 17, 2007

Abaixo o progresso com (telhas de) vidro!


Foto de telemóvel com o qual tentei apanhar um urinol público (letras a branco na parede verde) onde flutuava, entre outras duas, a bandeira nacional de Angola. O placard é uma publicidade a cigarros (!!!); Malrboro.

Luanda, hoje (2007).

Podia ser uma ficção, mas infelizmente não o é.
Saio à rua. À porta de minha casa, um mercado de fruta e peixe; junto ao muro lateral, uma oficina de motorizadas improvisada diariamente e escondida por um camião, há que tempos, moribundo. A polícia não liga. É normal…

Decido, enquanto parada no trânsito infernal, reparar na apressada (e desenfreada) construção civil. Prédios e mais prédios, enormes, nascem como cogumelos (desculpem o lugar-comum) por toda a parte, desrespeitando quer as normas obrigatórias de segurança, quer a traça e o conjunto arquitectónico dos bairros onde são edificados.
Chego ao local do primeiro grande crime: a Mutamba. O belo edifício da Fazenda é agora um micro-ondas gigante, com as amplas varandas fechadas por enormes paredes de vidro fumado, num desrespeito total à autoria do arquitecto Vieira da Costa (alteração da forma).
Depois... a baixa; a velha baixa luandense onde o atentado contra o património físico (classificado e protegido pela lei) foi, pomposamente, inaugurado pelo derrube da farmácia D'Antas Valladas (onde se ergue, arrogante, a nova sede da Sonangol, com dezenas de andares). São já mais de cinco as torres com vidros que tanto orgulham os defensores do progresso e da modernização do país. [A que preço? (Gargalhada!)]

Enquanto se fortalece o discurso cultural sobre a autenticidade e a tradição, com o qual se entretêm jornalistas, políticos e cidadãos comuns, dá-se (entre outras práticas importadas e mal digeridas) aos prédios nomes menos “nacionais”: Tour Elysée, Edifício Vernon, Edifício Modus Vivendis, América Plaza, entre outros, cujas designações uma nova gargalhada substituiu agora mesmo.

E “o povo”? O povo, esse, deve orgulhar-se da "nova cara da cidade de Luanda", enquanto ainda vai tendo o direito de pensar em bairros com casas dignas, escolas para os meninos, hospitais, jardins, lojas e todos os postos de trabalho que poderiam ser criados em bairros diferentes dos condomínios de luxo com piscinas, ginásios, saunas e seguranças para guardarem a vergonha que os muito-ricos não têm.
Bairros que substituam as crateras de água putrefacta e lama onde kandongueiros, camiões, cães, viaturas ligeiras, jipes e pessoas - todos em iguais condições de precariedade - se cruzam diariamente (num "subúrbio" que transborda já para o "asfalto"), apressando-se, em vão, para chegar a tempo aos empregos e às escolas.

Que fique bem claro que sou contra o progresso, se este for construir, a alta velocidade, edifícios de vidro, com climatização artificial, verdadeiros fornos, gastadores de energia num país onde as fontes renováveis e alternativas são mais que muitas.
Sou contra o progresso, se este for equivalente a futilidades (e tudo o que isso implica e tem implicado) do tipo: “o meu Hammer é mais potente que o teu [onde é que já vão os Mercedes, benz(a-os) Deus!...]” ou, “eu vou este fim de semana fazer compras a Paris, queres vir?”, ou ainda, “daqui a três meses casa-se a minha filha kasule, vou encomendar tudo no Brasil”.
Porra, só me fogem os olhos para "estas merdas"!!!!

Nesta foto, mais recente, pode ler-se melhor (acho que falta o acento no "U" de público), mas as bandeiras, já esfarrapadas, transformaram-se, entretanto, em trapos.

Sábado, Abril 14, 2007

Fotos da Diana - III

O caos. A cores





Quarta-feira, Abril 11, 2007

Ensinar e aprender na cultura cokwe


Foto de José Redinha in Etnias e Culturas de Angola (1975)

Na minha curiosidade de pesquisadora, propus-me saber quais as técnicas e metodologias utilizadas na Mukanda para o ensino da dança.
Como em todos os trabalhos que envolvem acções de campo, acumulei uma série de informações paralelas, não menos preciosas e tão imprescindíveis como os dados concretos que procurava.
Assim, e porque este blog não se destina à apresentação de textos de fundo (por não ser o forum certo e porque poderiam tornar-se fastidiosos de tão extensos), hoje trago um breve apontamento sobre os diversos termos que aprendi para serem utilizados em contextos de ensino / aprendizagem. A essa diversidade contextual, correspondem termos específicos e distintos.

Por exemplo, aprendi que para a acção de ensinar podem ser utilizadas duas palavras diferentes, kulongesa e kuthangisa. Já para designar os professores, são utilizadas os seguintes substantivos: cikolokolo (ou cilombola), thangixi e longexi.

Para as situações particulares do ensino da dança – e a acção de dançar pode, por seu lado, ser distinguida pelos verbos kuhangana, kukina e kulyata – é utilizado o verbo kuthangisa, já que o professor de dança é o thangixi (este é, igualmente, o intérprete do ngoma ya xina, o principal tambor da orquestra de percussão).
Kuthangisa é, portanto, um termo exclusivo da Mukanda que se restringe à acção do thangixi.

A dança pode igualmente ser ensinada pelos yilombola (sing. cilombola), pelos Akixi (mascarados) ou por qualquer homem que visite a Mukanda, desde que seja ngalami (adulto / iniciado). Todavia, é o thangixi que preside às sessões principais e é ele que dá as miyanda (sing. mwanda) com o seu ngoma ya xina.
Ele é o professor de artes (dança e música) enquanto que os yilombola (ou yikolokolo), para além de cuidarem dos tundanji durante a sua reclusão, ensinam-lhes tudo o que precisam saber para merecerem o estatuto de ngalami. As miyanda são instruções codificadas (de acesso restrito) que determinam os passos e os movimentos que os tundanji (neófitos da Mukanda) e também os Akixi devem seguir durante as suas performances.

Neste contexto, a palavra kuthangisa encerra não apenas o significado de ensinar (a dança), mas de ensaiar, repetir, seguindo as ordens do tambor principal.
Fora do contexto da Mukanda, o thangixi é designado por mukwa ngoma ya xina (literalmente: o dono - o expert - do tambor maior) ou mukwa kwimba ngoma ya xina (literalmente: o tocador especialista do tambor maior).

Resumindo:
O thangixi, enquanto percussionista principal, dirige as danças (kanatangisa) através das miyanda, ou códigos falados, e de toques específicos (igualmente codificados) no ngoma ya xina. Desta forma, um diálogo é estabelecido entre ele e os alunos (que aprendem estes códigos previamente com os seus yikolokolo). Um sistema de comunicação idêntico é utilizado durante a actuação das máscaras de dança.

As palavras:
- Thangixi – Mestre de dança; tocador do ngoma principal (mukwa kuimba ngoma) e que dá ordens (miyanda) através do tambor; professor de música e de dança; ensaiador. É um termo utilizado apenas no contexto da Mukanda.
- Kuthangisa – Ensaiar em grupo. Ensinar; mandar com o batuque. Emitir mensagens codificadas através do tambor.
- Kulongesa - Ensinar
- Longexi – Professor ou mestre.

Mas...
O verbo Kuthangisa pode ainda significar “ler”, enquanto que o verbo Kuthanga significa criar (criação divina) ou gerar (filhos)…

Segunda-feira, Abril 09, 2007

Fotos da Diana - II

Angola pelos olhos dela. A preto e branco.






Domingo, Abril 08, 2007

Sinais exteriores de riqueza

Pois é... e o Presidente J. E. dos Santos lá inaugurou, em grande estilo, o tão esperado centro comercial para o contentamento daqueles que, de dentro dos seus luxuosos jipes de "marka", não podem (coitados!...) ver a miséria em que vive grande parte (a maioria?) do "povo angolano".
É claro que os preços seleccionarão a clientela (imagino eu, que não tenciono ir a Talatona perder tempo com aberrações), afastando os pobres e andrajosos do empreendimento construído direito com dinheiros tortos e com gestão brasileira.
É Angola a avançar rumo ao progresso, pois então!!!

Uma vez mais não resisti a enviar um mail ao José Eduardo, pedindo-lhe que me enviasse a mais recente das suas brilhantes crónicas, publicada este fim de semana, como de costume, no semanário angolano "A Capital".



Foto daqui

OS NOSSOS RICOS SÃO UMA FRAUDE
Por: José Eduardo Agualusa


Espero sinceramente que esta crónica pareça completamente ridícula daqui a meia dúzia de anos. Trata-se de uma crónica que tem por tema a inauguração – com a presença do Presidente da República! – de um centro comercial de média dimensão nos arredores da capital. Num país minimamente desenvolvido, com um saudável sistema de economia de mercado, a inauguração de um novo centro comercial representa, quando muito, uma notícia relevante para o bairro onde o mesmo se situa. O facto de um tal acontecimento nos entusiasmar tanto (a mim entusiasma) diz bem do lamentável atraso em que nos encontramos – é o espanto do camponês ao ver pela primeira vez uma televisão (ou, ao invés, do menino da cidade diante de uma galinha). Daqui a meia dúzia de anos espero, pois, que a notícia da inauguração de um centro comercial já não alvoroce ninguém. Olhando para trás haveremos todos de sorrir, com certa auto-ironia, ao lembrarmo-nos do tempo em que não havia em nenhuma cidade angolana um bom cinema, com filmes actuais, ou sequer uma boa livraria. Nessa altura o Presidente da República, quem quer que seja, há-de estar a inaugurar grandes bibliotecas públicas, bons hospitais, auto-estradas, escolas em bairros carentes, e então nós teremos orgulho nesse Presidente da República.

Os nossos ricos – por falar em centros comerciais – são igualmente reveladores do terrível atraso em que três décadas de guerra, corrupção e incompetência deixaram o país. Não temos ainda ricos como os ricos dos países ricos. Os ricos dos países ricos são charmosos e elegantes. Praticam musculação em casa, uma hora por dia, com a ajuda de um personal trainer, e ainda lhes sobra tempo para o yoga, a escalada, a esgrima, ou a equitação. Os nossos ricos, esses, luzem de gordura. Acham que assistir ao futebol, sentados num sofá, é a forma mais confortável de fazer desporto. Os ricos dos países ricos morrem de velhice perto dos cem anos. Os nossos sofrem crises de malária e morrem vítimas de doenças ligadas a maus hábitos alimentares, como os pobres dos países ricos, antes dos setenta. Os verdadeiros ricos têm no escritório uma tela de Miró ou de Picasso. Os nossos têm uma fotografia do Presidente da República a inaugurar centros comerciais. Os verdadeiros ricos coleccionam a grande arte do nosso tempo – Paula Rego, David Hockney, Portinari, Basquiat, etc.. Os nossos ricos coleccionam “arte africana”, o que quer que isso seja, comprada muitas vezes nos mercados populares. Os verdadeiros ricos assistem em Londres ou em Nova Iorque a concertos dirigidos por grandes maestros. Os nossos assistem em Luanda a desfiles de misses. Os ricos legítimos almoçam num dia com Mário Vargas Llosa, em Paris, e no outro com Barack Obama, em Washington. Os nossos almoçam com o Pierre Falcone em algum recanto escondido. Os verdadeiros ricos lêem o Times Literary Suplement e a New Yorker. Os nossos lêem a “Caras”, na versão nacional, e sorriem felizes de cada vez que encontram o próprio rosto (encontram sempre, é inevitável) iluminado por uma aura de gordura.

Resumindo: os nossos ricos são uma fraude. São tão duvidosos, enquanto ricos, tão refutáveis e mal-amanhados, quanto eram enquanto comunistas. Precisamos, urgentemente, de novos novos ricos. Ou então resignamo-nos a que estes envelheçam. Porém, como disse antes, receio que a maior parte morra antes de envelhecer decentemente.

Quinta-feira, Abril 05, 2007

Paula Tavares e a máscara Phwo


Debaixo da árvore da febre
perdi a máscara Pwo
as pulseiras pesadas
da família

Perdi a máscara Pwo
segui as marcas de sangue
até à árvore da febre

Vesti o pano antigo de noivar
os colares de missangas
e fiz de novo as tranças.

Preparada para o tempo
caminhei sobre as marcas de sangue
deitei-me
debaixo da árvore da febre

Perdi a máscara Pwo
as pulseiras de protecção
os óleos do início
os frascos dos remédios

Perdi as palavras
as dos poemas
e do silêncio

Caminhei sem canto
sem as bolas de cera virgem
o mel do princípio
a cabaça de leite azedo

Caminhei sobre o rasto das marcas de sangue
para junto da árvore da febre

Caminhei pela areia
seguindo o rasto de sangue
sem precaução.

Deitei-me debaixo da árvore da febre
sem precaução
vi a minha pele velha
rasgar-se ao sol
debaixo da árvore da febre
Vi o meu pano do nascimento desfazer-se
debaixo da árvore da febre

Como uma velha leoa
fiquei só
debaixo da árvore da febre
sem os óleos de protecção
as palavras
o silêncio
os cantos de atravessar desertos e medos

Fiquei só
debaixo da árvore da febre

Segui o rasto
as pegadas
as marcas das minhas feridas
e fiquei só
debaixo da árvore da febre

A mulher trouxe a pemba
traçou a minha testa e
as mãos
O velho soldado
entrançou-me as pernas de histórias e confusão

Debaixo da árvore da febre
eu não disse nada

Debaixo da árvore da febre
ardo devagarinho
sem as palavras
o silêncio
os óleos de protecção
os cantos de atravessar desertos
o fogo sagrado dos antepassados.

Viram a minha máscara Pwo?

Ana Paula Tavares, in Manual para Amantes Desesperados
Nota: A Paula Tavares é a única poetisa (no feminino, portanto) contemporânea (do pós-independência) angolana.
E é única, porque conhece as palavras que escolhe cuidadosamente, recriando-as nos seus multiplos sentidos e formas; é única, porque o seu texto é profundo e pleno; única, porque suplanta o óbvio com a nobreza das imagens; porque é poetisa e não se limita a "poetar".
Ela é mesmo a única. Para mim (se mo permitem). Porque nos seus textos resta sempre uma mensagem por revelar.
Amanhã, dia 6 de Abril, pelas 18.30 nas instalações do Museu de História Natural, a Paula vai apresentar este seu último livro aqui, em Luanda.
Estão convidados!
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