Quinta-feira, Março 29, 2007
Segunda-feira, Março 26, 2007
Partilhando
Venham todos a correr!
Há um ÓBITO novo no alto das cruzes
elas estão muito
arranjadinhas
retocadinhas
borradinhas
Eles de fato
(fato de inverno em pleno verão!!!!)
papos de gordura isenta de impostos
os olhos postos na roupa preta
com uma decência imperturbável
evidente
mente
transparente
Venham depressa!
há um FUNERAL de última hora no alto das cruzes
com umas caixitas térmicas nos porta-bagagens
para beber à saúde deste morto
mais recente e mais moderno.
Carlos Ferrreira, in Até Depois...
Nota: Num excelente texto que saiu na imprensa angolana deste fim de semana, a propósito de mais este livro do Cassé, Vicente Pinto de Andrade chama-lhe o "poeta lúcido".
E é.
Há um ÓBITO novo no alto das cruzes
elas estão muito
arranjadinhas
retocadinhas
borradinhas
Eles de fato
(fato de inverno em pleno verão!!!!)
papos de gordura isenta de impostos
os olhos postos na roupa preta
com uma decência imperturbável
evidente
mente
transparente
Venham depressa!
há um FUNERAL de última hora no alto das cruzes
com umas caixitas térmicas nos porta-bagagens
para beber à saúde deste morto
mais recente e mais moderno.
Carlos Ferrreira, in Até Depois...
Nota: Num excelente texto que saiu na imprensa angolana deste fim de semana, a propósito de mais este livro do Cassé, Vicente Pinto de Andrade chama-lhe o "poeta lúcido".
E é.
Quarta-feira, Março 21, 2007
Mais um verde
Hoje, no dia mundial da árvore, recebi este endereço. Mais um blog ligado à causa ecológica.
ECOLOGIA URBANA
Um blog da disciplina de Ecologia Urbana, do 5º ano da FAUP
ECOLOGIA URBANA
Um blog da disciplina de Ecologia Urbana, do 5º ano da FAUP
Segunda-feira, Março 19, 2007
Riskuss
Há já muito tempo que conheço o Mário Tendinha; as suas filhas foram minhas alunas, ainda nos anos 80. Mas nessa altura eu nem imaginava que o Mário se dedicava, para além da sua actividade laboral, às artes plásticas.
Há tempos calhei num site onde estavam expostos alguns dos seus trabalhos de pintura e agora, recebo um convite para a sua exposição de desenhos - Riskuss - a ter lugar aqui em Luanda, na galeria "Celamar", dia 20 de Março, pelas 18.00H.

Alex. Desenho a tinta da china sobre papel.
Mário Tendinha.
Para quem não puder ir à exposição, ficam AQUI mais alguns dos seus "fantástikuss" trabalhos em tinta da china, como prova de que se trata de mais um artista atento ao meio que o rodeia.
Há tempos calhei num site onde estavam expostos alguns dos seus trabalhos de pintura e agora, recebo um convite para a sua exposição de desenhos - Riskuss - a ter lugar aqui em Luanda, na galeria "Celamar", dia 20 de Março, pelas 18.00H.

Alex. Desenho a tinta da china sobre papel.
Mário Tendinha.
Para quem não puder ir à exposição, ficam AQUI mais alguns dos seus "fantástikuss" trabalhos em tinta da china, como prova de que se trata de mais um artista atento ao meio que o rodeia.
"Até Depois..."
Até poderia ser o anúncio de um último post, pois o meu desencantamento e o do Cassé estão fundados nos mesmos motivos.
Crescemos juntos, vimos a independência juntos, embarcámos juntos na quimera de uma Angola justa e de direitos iguais. Hoje, continuamos juntos - sem abdicar dos nossos valores - agora a assistir ao desmoronar do sonho que se esvai nos "edifícios de vidro espelhado" que se erguem por todo o lado, para o contentamento de alguns (poucos?).
"Até Depois..." é o título do livro deste escritor angolano, um dos fundadores da Brigada Jovem de Literatura, herdeiro do dom da escrita de seu pai, o Dr. Eugénio Ferreira.
O livro, editado pela editora angolana Nzila, será apresentado pelo escritor João Melo, dia 20 de Março, em Luanda, na sede da União dos Escritores Angolanos, às 18.00H.

Diz ele, nesta sua mais recente obra de poesia:
(…)«enquanto durar esta gente / parola / amoral / sem princípios – só com fins / vou ali e não venho / talvez até nunca mais».
Breve biografia
Carlos Sérgio Monteiro Ferreira
Natural de Luanda onde nasceu a 28 de Fevereiro de 1960.
Realizador de Programas de rádio. Letrista. Cronista.
De 1977 a 1995, trabalhou na Rádio Nacional de Angola onde foi, sucessivamente, Chefe das Redacções Desportivas e de Intercâmbio, Chefe do Departamento de Intercâmbio, Chefe do Departamento de Realização, Assistente do Director de Programas e Director de Programas.
Correspondente do "Diário de Notícias" e da “Revista Seara Nova" entre 1990 e 1991.
Jornalista da Assessoria de Imprensa do Presidente da República, a partir de 1991 retornando depois à RNA até 1995.
Co-fundador da Brigada Jovem de Literatura, onde foi Secretário das Actividades Culturais, a mesma função que exerceu posteriormente na União dos Escritores Angolanos, da qual é membro.
É membro da União dos Jornalistas Angolanos.
Actualmente exerce a actividade literária em tempo inteiro.
Um poema
Não devias vir
e vieste
eu curtia esta solidão antiga
pontiaguda
faca apontada ao estômago
no mais escuro de mim
onde te imagino todos os dias sem descanso
Não devias vir
e vieste
voltou o curso dos rios à violência
quando era tão só um lago parado quieto manso
adormecido pelo cálido sonho
tão cedo tornado hirto...
Crescemos juntos, vimos a independência juntos, embarcámos juntos na quimera de uma Angola justa e de direitos iguais. Hoje, continuamos juntos - sem abdicar dos nossos valores - agora a assistir ao desmoronar do sonho que se esvai nos "edifícios de vidro espelhado" que se erguem por todo o lado, para o contentamento de alguns (poucos?).
"Até Depois..." é o título do livro deste escritor angolano, um dos fundadores da Brigada Jovem de Literatura, herdeiro do dom da escrita de seu pai, o Dr. Eugénio Ferreira.
O livro, editado pela editora angolana Nzila, será apresentado pelo escritor João Melo, dia 20 de Março, em Luanda, na sede da União dos Escritores Angolanos, às 18.00H.

Diz ele, nesta sua mais recente obra de poesia:
(…)«enquanto durar esta gente / parola / amoral / sem princípios – só com fins / vou ali e não venho / talvez até nunca mais».
Breve biografia
Carlos Sérgio Monteiro Ferreira
Natural de Luanda onde nasceu a 28 de Fevereiro de 1960.
Realizador de Programas de rádio. Letrista. Cronista.
De 1977 a 1995, trabalhou na Rádio Nacional de Angola onde foi, sucessivamente, Chefe das Redacções Desportivas e de Intercâmbio, Chefe do Departamento de Intercâmbio, Chefe do Departamento de Realização, Assistente do Director de Programas e Director de Programas.
Correspondente do "Diário de Notícias" e da “Revista Seara Nova" entre 1990 e 1991.
Jornalista da Assessoria de Imprensa do Presidente da República, a partir de 1991 retornando depois à RNA até 1995.
Co-fundador da Brigada Jovem de Literatura, onde foi Secretário das Actividades Culturais, a mesma função que exerceu posteriormente na União dos Escritores Angolanos, da qual é membro.
É membro da União dos Jornalistas Angolanos.
Actualmente exerce a actividade literária em tempo inteiro.
Um poema
Não devias vir
e vieste
eu curtia esta solidão antiga
pontiaguda
faca apontada ao estômago
no mais escuro de mim
onde te imagino todos os dias sem descanso
Não devias vir
e vieste
voltou o curso dos rios à violência
quando era tão só um lago parado quieto manso
adormecido pelo cálido sonho
tão cedo tornado hirto...
Domingo, Março 18, 2007
O Anarco-defecalismo
Gosto de ler o Agualusa. Nas crónicas, gosto do humor corrosivo, da ironia, do sentido de oportunidade. Gosto dele porque não deixa a faca perder o fio.
Engraçado... Há dias, escrevia eu por aqui mesmo: "Yá, é que aqui [em Angola] as pessoas são livres de, em qualquer espaço público ao ar livre, desanuviarem as entranhas."
Hoje, li este texto dele no semanário angolano "A Capital". Que coincidência!
Como eu, ele está sempre atento; a "única" diferença é que este meu amigo ESCREVE e eu... apenas penso em "voz escrita".

Foto tirada numa praia em Luanda
BREVE INTRODUÇÃO AO ANARCO-DEFECALISMO
Por: José Eduardo Agualusa
Visitei recentemente a província de Benguela na companhia de um jovem dinamarquês, Christian (vou chamá-lo assim) representante de um conhecido movimento ecologista europeu.
Enquanto atravessávamos a custo as ruas lamacentas, passando por bairros abandonados, respeitáveis casarões em ruínas, bandos de mendigos em andrajos, o jovem dinamarquês não conseguia ocultar a indignação. A extrema miséria da população, num país produtor de petróleo e diamantes, horrorizava-o. Em determinada altura, ao passarmos defronte ao Cemitério da Catumbela, demos com um grupo de cinco ou seis pessoas agachadas de encontro ao muro.
Envergonhado, tentei distraí-lo, chamando-lhe a atenção para uma rixa que ocorria do outro lado. Não consegui.
– Aquelas pessoas estão...
Achei que era demais. O meu brio nacionalista veio ao de cima:
– Não, não! – Retorqui. – Aquilo não é o que parece. Trata-se na verdade de uma acção política.
– Acção política?
– Exactamente. Aquelas pessoas fazem parte de um movimento anarquista radical. Chamam-se a si mesmo anarco-defecalistas. Reúnem-se todos os dias, a determinadas horas, junto de instituições ligadas ao poder político ou religioso, para expressar a sua rejeição. Expressam-na desta forma.
Christian voltou-se para mim, maravilhado:
– Fantástico! Brilhante! Caramba, uma acção como essa está a anos luz do que nós fazemos lá na Europa. Ocupar casas velhas, pintar paredes, incendiar carros, acções assim parecem-me agora falhas de imaginação, até infantis, uma coisa de meninos de coro. E como reage o poder? Os manifestantes são presos?
Disse-lhe que na nossa democracia avançada, tão avançada que, inclusive, prescinde da farsa burguesa das eleições, não existem – não podem existir – constrangimentos à liberdade de expressão. As pessoas são livres de defecar onde bem quiserem. E fazem-no, na verdade, com extraordinária competência e determinação. Christian abanou a cabeça, incrédulo. Viera a Angola na disposição de formar combatentes contra a globalização e o imperialismo, contra o capitalismo e o consumismo, e descobria que era ele, afinal, quem precisava de receber lições.
Perguntou-me se poderia formar uma secção do movimento anarco-defecalista na Dinamarca. Disse-lhe que sim, é claro, disse-lhe que os camaradas angolanos teriam certamente muito gosto em lhe ministrar um curso intensivo sobre os princípios e as técnicas do movimento. Abraçou-me, entusiasmado, agradecido, quase em lágrimas. Felizmente adoeceu nessa mesma tarde, com uma violenta crise de malária, e no dia seguinte seguiu para Luanda. Creio que já terá regressado, entretanto, ao seu país.
Engraçado... Há dias, escrevia eu por aqui mesmo: "Yá, é que aqui [em Angola] as pessoas são livres de, em qualquer espaço público ao ar livre, desanuviarem as entranhas."
Hoje, li este texto dele no semanário angolano "A Capital". Que coincidência!
Como eu, ele está sempre atento; a "única" diferença é que este meu amigo ESCREVE e eu... apenas penso em "voz escrita".

Foto tirada numa praia em Luanda
BREVE INTRODUÇÃO AO ANARCO-DEFECALISMO
Por: José Eduardo Agualusa
Visitei recentemente a província de Benguela na companhia de um jovem dinamarquês, Christian (vou chamá-lo assim) representante de um conhecido movimento ecologista europeu.
Enquanto atravessávamos a custo as ruas lamacentas, passando por bairros abandonados, respeitáveis casarões em ruínas, bandos de mendigos em andrajos, o jovem dinamarquês não conseguia ocultar a indignação. A extrema miséria da população, num país produtor de petróleo e diamantes, horrorizava-o. Em determinada altura, ao passarmos defronte ao Cemitério da Catumbela, demos com um grupo de cinco ou seis pessoas agachadas de encontro ao muro.
Envergonhado, tentei distraí-lo, chamando-lhe a atenção para uma rixa que ocorria do outro lado. Não consegui.
– Aquelas pessoas estão...
Achei que era demais. O meu brio nacionalista veio ao de cima:
– Não, não! – Retorqui. – Aquilo não é o que parece. Trata-se na verdade de uma acção política.
– Acção política?
– Exactamente. Aquelas pessoas fazem parte de um movimento anarquista radical. Chamam-se a si mesmo anarco-defecalistas. Reúnem-se todos os dias, a determinadas horas, junto de instituições ligadas ao poder político ou religioso, para expressar a sua rejeição. Expressam-na desta forma.
Christian voltou-se para mim, maravilhado:
– Fantástico! Brilhante! Caramba, uma acção como essa está a anos luz do que nós fazemos lá na Europa. Ocupar casas velhas, pintar paredes, incendiar carros, acções assim parecem-me agora falhas de imaginação, até infantis, uma coisa de meninos de coro. E como reage o poder? Os manifestantes são presos?
Disse-lhe que na nossa democracia avançada, tão avançada que, inclusive, prescinde da farsa burguesa das eleições, não existem – não podem existir – constrangimentos à liberdade de expressão. As pessoas são livres de defecar onde bem quiserem. E fazem-no, na verdade, com extraordinária competência e determinação. Christian abanou a cabeça, incrédulo. Viera a Angola na disposição de formar combatentes contra a globalização e o imperialismo, contra o capitalismo e o consumismo, e descobria que era ele, afinal, quem precisava de receber lições.
Perguntou-me se poderia formar uma secção do movimento anarco-defecalista na Dinamarca. Disse-lhe que sim, é claro, disse-lhe que os camaradas angolanos teriam certamente muito gosto em lhe ministrar um curso intensivo sobre os princípios e as técnicas do movimento. Abraçou-me, entusiasmado, agradecido, quase em lágrimas. Felizmente adoeceu nessa mesma tarde, com uma violenta crise de malária, e no dia seguinte seguiu para Luanda. Creio que já terá regressado, entretanto, ao seu país.
Sábado, Março 17, 2007
A tia Maria do Carmo

Inspirada no blog da minha amiga Cangonja, onde gosto de a ir ouvir contar as histórias dos seus antepassados, hoje apresento-vos a minha tia avó Maria do Carmo.
Não falarei muito sobre ela, pois ainda estou sob o encanto de um CD que hoje recebemos cá em casa, com uma boa centena de fotos de família. Nunca tinha visto tantas fotos das minhas "origens"!...
Esta é, então, a irmã da minha avó materna. Professora e poetisa.
Podia ter retocado a foto, mas prefiro-a assim, com marcas do tempo.
Quinta-feira, Março 15, 2007
O muro

Desde que vim para esta casa, era ainda miúda, que aquele muro cor-de-rosa ali está. Um muro normal a acompanhar, ao longo de alguns metros, o passeio que ladeia a rua onde moro.
Já depois da independência, era ali que nos sentávamos à espera do professor de equitação que nos levava para a escola, em Viana.
Às vezes passava com a carrinha vazia, outras trazia-a já quase lotada por um grupo de pioneiros da OPA que eram nossos colegas lá “nos cavalos”.
Certo dia, um carro empurrou o muro para dentro. Rachou-o e o condutor ainda lhe atirou a garrafa de cerveja, já vazia, que o acompanhava.
Outra vez, uma marcha atrás raivosa partiu-o naquele lugar já fragilizado.
E, de um momento para o outro, o muro transformou-se em fronteira de um local de encontros clandestinos. Todas as noites se via entrar um vulto masculino diferente.
Passado um tempo, havia um telheiro entre o muro e a parede da casa de trás; depois aumentou-se a altura do muro, abriu-se uma porta em arco, uma janela, pintou-se tudo... e uma casa apareceu! Passou a bar. O negócio dos moradores.
Há cerca de dois meses, o muro foi novamente “incomodado”. Tiraram o arco da porta, rasgaram umas janelas grandes e envidraçaram-nas. Uma loja, pensei. Só pode ser. Com a moda das “butikes”…
Mas não era. Abusivamente, o “salão” (de cabeleireiro) ocupa também o passeio à sua frente com um estendal onde toalhas coloridas (algumas já manchadas pela tinta) secam ao sol.´
Homens sentados em cadeiras de plástico guardam o “estabelecimento” durante a noite. De quem será?
A triste sina ou a versatilidade do (ex) muro-cor-de-rosa?
E foi assim...
(Até ver.)
Segunda-feira, Março 12, 2007
Paula Tavares: de novo!

Dentre as pessoas que acompanharam desde o início e que têm apoiado cada etapa da minha carreira profissional, está a Paula Tavares.
Mas ela é presença num círculo ainda mais restrito; o daqueles a quem peço conselhos sempre que preciso. E não há ajuda que ela me recuse. É família... é cúmplice.
Assim, e porque a Paula não precisa que lhe deseje sucessos, partilho com os que aqui vierem, um poema do seu novo livro - "Manual para amantes desesperados" - que li, ainda quente.
Nas tuas mãos
ardia
barco de espuma
rede
das tuas mãos escorria
língua de fogo
sede
nas tuas mãos
sentia
dobra do vento
febre
nas tuas mãos
tremia
nome da vida
tempo.
O desenho da capa - Cisele & Pwo - é de Luandino Vieira que fará a apresentação do livro no próximo dia 14 de Março, pelas 18h 30m, na sede da Editorial Caminho (Av. Almirante Gago Coutinho, 121, em Lisboa).
Quinta-feira, Março 08, 2007
Angola. África. Dança Contemporânea.
É fácil, nos dias que correm, falar-se em Angola, em dança contemporânea e em profissionais de dança. Se, por um lado, podemos interpretar este dado pela positiva – “fala-se sobre, porque já se teve contacto com” – por outro, é infelizmente a evidência da falta de uma consciência e de um conhecimento profundo do que significa e quais são os fundamentos destes elementos que integram a chamada dança teatral.
A comprová-lo está a contaminação do já debilitado panorama da dança cénica em Angola, por uma sem número de manifestações e atitudes que, apesar de se insinuarem como tal - na tentativa de convencerem um público menos conhecedor desta nova corrente -, não possuem as características que lhes permitam integrar-se técnica, metodológica e esteticamente nas categorias em questão.
Falar da história da dança contemporânea obriga um recuo aos anos 70, ao coreógrafo americano Merce Cunningham e mesmo às manifestações performativas surgidas em meados do século XX.
Em África é incontornável o nome da franco-senegalesa Germaine Acogny, a primeira coreógrafa africana a defender uma formação em dança e a propôr que a dança africana ultrapassasse os moldes do tradicional para, em paralelo, acompanhar as correntes universais. Numa iniciativa conjunta com o coreógrafo belga Maurice Béjart, e sob os auspícios de Léopold Senghor, é criada em Dakar (1977) a “Moudra Afrique”, talvez a primeira escola de dança moderna no continente (exceptua-se a África do Sul e Angola) a qual, apesar da sua curta duração, alertou para a importância de uma abertura no plano da dança em África.
Mas o que é a dança contemporânea, afinal?

CDC Angola. Fotografia sobre tela pintada. Rui Tavares.
Vivemos num tempo em que a articulação da tradição (que não é uma exclusividade africana) com a actualidade é possível, em que as fronteiras territoriais e as linguagens se interceptam, em que a circulação e a comunicação acontecem a velocidades alucinantes.
De forma muito abreviada, podemos dizer que a dança contemporânea é uma corrente cujas origens se situam na segunda metade do séc. XX, e que parte das transformações formais e teóricas do Pós-Modernismo norte-americano e das inovações da chamada Nova Dança Europeia. Distanciando-se das gerações e dos géneros anteriores – clássico e moderno – , esta forma de dança não se encerra em métodos cristalizados ou técnicas sistematizadas e constitui uma forma mais abrangente e ecléctica, revelando-se mais permissiva e aberta ao diálogo.
Mais atenta à improvisação e à informalidade, esta corrente procura processos de construção distintos dos habituais. Temáticas ligadas às vivências, posturas e visões pessoais do coreógrafo e dos bailarinos, são normalmente preferidas nos processos de criação liderados pelo questionamento e pela experimentação. Outros elementos de confluência são a diversidade técnica e a interdisciplinaridade.
Ref.as: G-Marques, A.C. & Tavares, R. (2003). A Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Lisboa: Mukixe.
A comprová-lo está a contaminação do já debilitado panorama da dança cénica em Angola, por uma sem número de manifestações e atitudes que, apesar de se insinuarem como tal - na tentativa de convencerem um público menos conhecedor desta nova corrente -, não possuem as características que lhes permitam integrar-se técnica, metodológica e esteticamente nas categorias em questão.
Falar da história da dança contemporânea obriga um recuo aos anos 70, ao coreógrafo americano Merce Cunningham e mesmo às manifestações performativas surgidas em meados do século XX.
Em África é incontornável o nome da franco-senegalesa Germaine Acogny, a primeira coreógrafa africana a defender uma formação em dança e a propôr que a dança africana ultrapassasse os moldes do tradicional para, em paralelo, acompanhar as correntes universais. Numa iniciativa conjunta com o coreógrafo belga Maurice Béjart, e sob os auspícios de Léopold Senghor, é criada em Dakar (1977) a “Moudra Afrique”, talvez a primeira escola de dança moderna no continente (exceptua-se a África do Sul e Angola) a qual, apesar da sua curta duração, alertou para a importância de uma abertura no plano da dança em África.
Mas o que é a dança contemporânea, afinal?

CDC Angola. Fotografia sobre tela pintada. Rui Tavares.
Vivemos num tempo em que a articulação da tradição (que não é uma exclusividade africana) com a actualidade é possível, em que as fronteiras territoriais e as linguagens se interceptam, em que a circulação e a comunicação acontecem a velocidades alucinantes.
De forma muito abreviada, podemos dizer que a dança contemporânea é uma corrente cujas origens se situam na segunda metade do séc. XX, e que parte das transformações formais e teóricas do Pós-Modernismo norte-americano e das inovações da chamada Nova Dança Europeia. Distanciando-se das gerações e dos géneros anteriores – clássico e moderno – , esta forma de dança não se encerra em métodos cristalizados ou técnicas sistematizadas e constitui uma forma mais abrangente e ecléctica, revelando-se mais permissiva e aberta ao diálogo.
Mais atenta à improvisação e à informalidade, esta corrente procura processos de construção distintos dos habituais. Temáticas ligadas às vivências, posturas e visões pessoais do coreógrafo e dos bailarinos, são normalmente preferidas nos processos de criação liderados pelo questionamento e pela experimentação. Outros elementos de confluência são a diversidade técnica e a interdisciplinaridade.
Ref.as: G-Marques, A.C. & Tavares, R. (2003). A Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Lisboa: Mukixe.











