Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Saudades

Deito-me a teu lado, a pele esperando que as tuas mãos me viagem lentamente em ti. As tuas mãos…
Mordo os lábios desenhando, na memória, letras tuas dispostas como pedrinhas apontando um caminho que interpreto, livre, sem te perceber os códigos. Não te lembraste que falavas diferente com as mesmas palavras que eu percebia experimentadas, já?
Olhas-me de forma infinitamente bela, tocando-me num avesso descontroladamente sereno. Ao proteger-te, acerquei-me sem querer. Magoei-te. Sofri; tanto!...
Quis-te para mim, possuído em noite de chuva, trocando o impossível como se a lua e o sol se fustigassem perturbadoramente, queimando-se e arrefecendo-se de morte.



Lágrimas apagadas com suspiros, mãos nas mãos fechadas para nunca mais se soltarem. Febre de tentações afinal distantes, dolorosamente mudas, num abraço prometido apertado, mas castrado pela culpa com que te esvais.
Do fundo do mar, me ergo em onda violenta. Venho para te desentranhar.
Violoncelos e vozes de anjos ensurdecer-nos-ão com a mais triste e sublime das melodias, na qual desaguarás, para sempre, em paz.

Desço à tua boca. No anel prateado, brilham promessas de eternidade até que nada nos separe. As máscaras validam-nos assim…

1 Comentários:

Anonymous Katia Cristina disse...

Lindo!
Bj.

20-12-2007 14:33  

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