Belo texto que nos deixaste aqui, Phwo. A angolanidade, ou os genuínos angolanos, não passa de uma questão de retórica para alguns dos que gostariam, porque excluídos. Lembram-se dos reinos do Congo, mas esquecem o povo martirizado Khoisan. Esses sim, excluídos, marginalizados, perdendo cada dia que passa a sua genuinidade, a sua cultura. Desaparecendo sob os olhares de outros que se esquecem da história. Beijo
Paula: Claro. Esse é um problema que tem de ser levantado, embora seja uma ferida na qual não se pode colocar o dedo pois, quando assim acontece, conclui-se que os Bantu foram, à sua chegada e fixação, absolutamente bárbaros e crueis para com esses povos que já habitavam o que hoje é Angola, desde há muitos mais milhares de anos. É difícil a história... Outro.
Sobre este povo tenho também algo a dizer. Quase todos os indivíduos em boas condições físicas eram recrutados pelo exército português – por intermédio da PIDE - com a designação de (“FLECHAS.”) Devido às capacidades que se lhe reconheciam, na análise de trilhos e sobrevivência na mata em condições adversas, por serem inimigos figadais de todos os outros que os subjugaram - durante séculos - como escravos, foi fácil aliciá-los a pertencerem ao exército português que lhe dava protecção e estatuto de tropas especiais. Eu que os conheci no Kuito Canaval, infelizmente, tenho de corroborar a tese apresentada por esse senhor da PIDE que, felizmente, nunca conheci. Segundo constava na altura, porque o aspecto cultural da transmissão oral em Angola era fulcral para a história e identificação dos povos dizia-se: que saíam vinte dias para a mata apenas com uma ração de combate e 20 kg de sal. Quando regressavam traziam prisioneiros (poucos), para além de algumas dezenas de armas capturadas ao inimigo; nessa altura, dos movimentos que combatiam o exército português: MPLA, UNITA e FLNA… Nota:) Uma palavra de reconhecimento para este povo que – com pouco mais de 1,5m de altura média – desprezado e ignorado por todos “incluindo os portugueses” sobreviveu até hoje, onde quase nenhum outro ousou fazê-lo. Parece que, depois da independência, voltaram a ser de novo perseguidos.
Madaleno: Sim, eles vivem em condições absolutamente indignas. Eles, que habitavam o território do que é hoje Angola há muitos milhares de anos. Espero que a História de Angola que se quer agora escrever não acabe de os aniquilar.
4 Comentários:
Belo texto que nos deixaste aqui, Phwo.
A angolanidade, ou os genuínos angolanos, não passa de uma questão de retórica para alguns dos que gostariam, porque excluídos.
Lembram-se dos reinos do Congo, mas esquecem o povo martirizado Khoisan.
Esses sim, excluídos, marginalizados, perdendo cada dia que passa a sua genuinidade, a sua cultura. Desaparecendo sob os olhares de outros que se esquecem da história.
Beijo
Paula:
Claro. Esse é um problema que tem de ser levantado, embora seja uma ferida na qual não se pode colocar o dedo pois, quando assim acontece, conclui-se que os Bantu foram, à sua chegada e fixação, absolutamente bárbaros e crueis para com esses povos que já habitavam o que hoje é Angola, desde há muitos mais milhares de anos.
É difícil a história...
Outro.
“Koisan” “Bosquímanos” ou “Kamussequele.”
Sobre este povo tenho também algo a dizer. Quase todos os indivíduos em boas condições físicas eram recrutados pelo exército português – por intermédio da PIDE - com a designação de (“FLECHAS.”) Devido às capacidades que se lhe reconheciam, na análise de trilhos e sobrevivência na mata em condições adversas, por serem inimigos figadais de todos os outros que os subjugaram - durante séculos - como escravos, foi fácil aliciá-los a pertencerem ao exército português que lhe dava protecção e estatuto de tropas especiais. Eu que os conheci no Kuito Canaval, infelizmente, tenho de corroborar a tese apresentada por esse senhor da PIDE que, felizmente, nunca conheci. Segundo constava na altura, porque o aspecto cultural da transmissão oral em Angola era fulcral para a história e identificação dos povos dizia-se: que saíam vinte dias para a mata apenas com uma ração de combate e 20 kg de sal. Quando regressavam traziam prisioneiros (poucos), para além de algumas dezenas de armas capturadas ao inimigo; nessa altura, dos movimentos que combatiam o exército português: MPLA, UNITA e FLNA…
Nota:) Uma palavra de reconhecimento para este povo que – com pouco mais de 1,5m de altura média – desprezado e ignorado por todos “incluindo os portugueses” sobreviveu até hoje, onde quase nenhum outro ousou fazê-lo. Parece que, depois da independência, voltaram a ser de novo perseguidos.
Madaleno
Madaleno: Sim, eles vivem em condições absolutamente indignas. Eles, que habitavam o território do que é hoje Angola há muitos milhares de anos.
Espero que a História de Angola que se quer agora escrever não acabe de os aniquilar.
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