Primeira vez
Enquanto trabalhadora da então Secretaria de Estado da Cultura fui destacada como directora de palco de um espectáculo, em Luanda, no qual participariam grupos de dança de todas as províncias angolanas.
No decorrer de um dos ensaios fui impedida por alguém, quando tencionava auxiliar um bailarino mascarado visivelmente desorientado no palco – um local de apresentação de características completamente distintas do terreno no centro da aldeia: «- Não vás, porque as mulheres não se podem aproximar deles. Batem e podem até matar.»
Hesitei, obedeci, mas decidi naquele momento que me aproximaria o mais possível daqueles bailarinos cuja performance me atraiu pela dualidade entre deslumbramento e recusa, entre o espectacular e o aterrador.
E foi assim. Vivia-se o início dos anos 80.





4 Comentários:
Em miúdo tinha terror dos Tchinganges (era assim que se chamavam na minha terra).
Depois, adolescente ia vê-los de muito perto e até confraternizei com alguns.
Muito bonito.
BJS
Henrique
Tchinganje como lhes chamam no sul.
Os meus terrores de menina.
O estalar do chicote no ar.
As investidas para nos assustar.
A poeira levantada pelos seus pés.
Mesmo assim…um dia, encontrei um fato.
A medo inspecionei-o muito bem e o Tchinganje já não me fazia medo.
Conta! Conta tudo quero ouvir
Mulemba
Saudades tantas, Phwo!...
Beijo
Gavião: Mas tu és homem, o que torna a aproximação mais pacífica...
Bj.
Mulemba: É mesmo assim... O resto tu já sabes, viagens para aprender e viagens para saber mais, até que um dia... entrei numa máscara e dancei. Os meus mestres não se zangaram. Gostaram, até.
Nelsinho: Também... Beijo grande!
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