Já foi há bwe...

Estávamos em 1986. Cacimbo. O avião era um enorme Antonov militar; dois bancos corridos frente a frente e duas cordas ao alto para nos segurarmos. Era grande a delegação da Secretaria de Estado da Cultura. No meio, entre os dois bancos e à nossa frente, a bagagem empilhada. Destino: Lunda Sul.
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Chegou o dia da festa. Na época, ainda não tinha máquina; apenas papel e lápis de carvão, mas só consegui escrever quando regressei ao local de alojamento.
Era um final de Mukanda. Tundanji e Akixi exibiam-se com organização e ordem de actuação próprias. Fiquei petrificada entre o medo e o fascínio.
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Chegou o dia da festa. Na época, ainda não tinha máquina; apenas papel e lápis de carvão, mas só consegui escrever quando regressei ao local de alojamento.
Era um final de Mukanda. Tundanji e Akixi exibiam-se com organização e ordem de actuação próprias. Fiquei petrificada entre o medo e o fascínio.
Entravam em fila; os tambores no seu lugar, dirigidos pelo mukwa ngoma ya xina. Os movimentos perfeitos para pôr as máscaras em movimento, espalhando a memória dos antepassados, as suas qualidades e as suas funções na sociedade. Os jovens, já ngalami, dançavam ao lado dos profissionais para mostrar o que tinham aprendido durante o tempo de retiro. Os seus cikolokolo, olhavam com satisfação.
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Depois foi a vez da Ciyanda. Fui desafiada por um "chefe" de Luanda para entrar na roda. Percebi que o fazia por provocação. Não "obedeci". Achei que entrar numa roda, assim, sem convite, não era ético. Para além disso, não dominava a técnica de execução daquela dança.
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Depois foi a vez da Ciyanda. Fui desafiada por um "chefe" de Luanda para entrar na roda. Percebi que o fazia por provocação. Não "obedeci". Achei que entrar numa roda, assim, sem convite, não era ético. Para além disso, não dominava a técnica de execução daquela dança.
(Guardei o desafio para mais tarde. Anos depois viu-me dançar. Admirado, mostrou o seu agrado. Tive tempo para aprender.)
Em palco, jamais danço sem saber bem a coreografia. Não gosto de errar.
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Os outros partiram e eu ainda fiquei.
Semanas depois regressei; o caderno cheio de letras e desenhos, o lápis gasto de tanto afiar.
Em palco, jamais danço sem saber bem a coreografia. Não gosto de errar.
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Os outros partiram e eu ainda fiquei.
Semanas depois regressei; o caderno cheio de letras e desenhos, o lápis gasto de tanto afiar.





2 Comentários:
Encantos!
(fora o 'chefe' de Luanda, claro)
é do que aqui se fala, não é?
Pirata:
Não sei o que perguntas. Sobre o "chefe"?: Não era 'O' chefe; apenas 'um' chefe.
Ou é de encantos? Sim, é maizoumenos assim que tudo começa.
O que seria de nós de não nos encantássemos por aquilo que gostamos?
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