Crólicas VI
Um buraco daqueles para o meu tendão de Aquiles
Por: Wa Zani
In, Jornal de Angola, 6 de Setembro de 2007
Por: Wa Zani
In, Jornal de Angola, 6 de Setembro de 2007
Mais um Blog onde se debitam patetices - umas desinteressantes, outras menos - em forma de pretensão...
Como convém a um Blog.
3 Comentários:
"(...) Entende-se, apenas, por letal, a mina que ainda se encontra traiçoeiramente escondida nas lavras e nos caminhos sem asfalto das áreas pouco urbanizadas. Do erário público gastam-se milhões de dólares para as remover. Milhões com que se construiriam escolas, hospitais, campos de jogos, piscinas públicas, jardins e outros espaços de lazer, que a nossa população carece, mas que, tal como ocorre na Rua Albano Machado, a sociedade civil certamente comparticiparia do esforço do Estado para a obtenção de melhores condições sociais."
Eu leio isto e não acredito. Não acredito que alguém possa ter escrito que as minas escondidas nas lavras e nos caminhos do mato são apenas (sic) letais! Eu até compreendo a indignação, a revolta, as dores e a incapacidade física sentidas pelo sr. Wa Zani (que não sei quem é) ao ver-se vítima de um acidente causado pela exclusiva irresponsabilidade de terceiros.
Mas já não compreendo que queira comparar os buracos e buracões das ruas de Luanda com as minas espalhadas pelos caminhos sem asfalto, que o povo é obrigado a percorrer descalço, e colocadas nas lavras, que o povo tem que cultivar, para assegurar a sua própria subsistência.
Não compreendo como é que pode afirmar que com os milhões de dólares gastos no levantamento das minas se construiriam escolas, hospitais, campos de jogos, piscinas públicas, jardins e outros espaços de lazer. Achará o sr. Wa Zani que o levantamento e neutralização das minas não devem ser a prioridade número 1 neste momento em Angola? Se algum parente próximo do sr. Wa Zani tivesse ficado mutilado por ter accionado uma mina enquanto se dirigia para a sua lavra, teria esse senhor a coragem de questionar o dinheiro gasto na desminagem?
Não compreendo que o sr. Wa Zani pretenda que a sociedade civil comparticipe no esforço do Estado para a obtenção de melhores condições sociais. Mas qual sociedade civil? Só se for a "sociedade civil" dos nababos do petróleo e dos diamantes, porque a outra está ocupada na sua própria sobrevivência mais básica.
Enfim, tal como o Gavião escreveu num outro comentário, eu quereria ir mais longe e mais fundo na minha argumentação, mas este não é um espaço próprio para textos longos, e este já está comprido demais. Fico-me, portanto, por aqui.
Um abraço
Minha amiga Phwo,
Depois de ter publicado este meu comentário, arrependi-me de o ter feito, por me parecer ter sido duro demais. E talvez injusto para com o autor, que não sei quem é.
Agora, depois de ler a sua última crólica, quero aqui expressar o meu total acordo com o que Wa Zani nela escreveu. Também desejo que os dedos todos da mão angolana se juntem cada vez mais e trabalhem em prol de um futuro melhor para todos. Uma mão com dedos decepados nunca conseguirá fazer tudo aquilo de que uma mão completa é capaz.
Um abraço
Caro Amigo Denudado:
Se há pessoas "peritas" em escrever a "quente", posso bem considerar-me uma delas. É quando se escrevem as coisas mais verdadeiras. No entanto, é também quando se correm os riscos decorrentes da precipitação.
Mas não é o teu caso. No momento interpretaste assim o texto do Wa Zani, que te garanto ser uma pessoa honesta, lúcida e com excelente formação académica. Não respondi,pois achei que talvez tivesse havido um problema de interpretação e, poruqe resepito imenso a tua opinião sobre o que aqui vou publicando.
Depois da "crólica" dos dedos (que já publiquei) há uma outra, saída ontem no Jornal de Angola, sobre a construção da angolanidade, que publicarei dentro de dias (pois precisa de ser convertida para outro formato).
Obrigada pela tua presença.
Um abraço.
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