A contra-dança
CONTRAEu cá ando a tentar achar "very typical" todas estas "problemátikas políticas e sociais", mas a paciência tem falhas e a capacidade de condescender em situações que me parecem, de facto, intoleráveis, também. É a "selva" (no sentido de caos, anarquia desenfreada) a tomar conta do material e, infelizmente, do espiritual também.
Na minha área, cada vez acho menos piada à tal ignorância atrevida que transforma massivamente em coreógrafos, em professores de dança e em bailarinos conceituados, indivíduos não diplomados que preferem a arrogância à honestidade e à modéstia. Efectivamente, alguns grupos de dança amadores e de vocação puramente recreativa, atribuem-se, em grande estilo e impunemente, designações como Escola de Dança ou Escola de Artes Cénicas, sem nunca terem "botado" um pé numa escola da especialidade.
Enfim... porque esses grupos não se registam; porque não há ninguém que lhes diga que escolham outra, já que a designação de Escola depende do reconhecimento e aprovação dos Ministérios da Educação, da Cultura ou da Secretaria de Estado do Ensino Superior; porque não se pode autorizar como organismo de Ensino Artístico um agrupamento entusiasta qualquer, sem profissionais especializados, sem programas de cursos e respectivos planos de estudo, sem sede própria, entre outros elementos imprescindíveis para poderem ser olhados como instituição académica ou escolar; PORQUE aqui tudo é permitido, sobretudo quando são iniciativas cheias de boa vontade, daquelas que "mais vale isto que nada", estão a topar?
É claro que tudo isto acaba por ter a cumplicidade do Mincult que os incentiva mas, principalmente da Imprensa que, de forma irresponsável e sem conhecimentos para produzir críticas esclarecidas (e esclarecedoras) sobre o que estes "artistas" apresentam, faz circular estes textos anónimos desinformando os leitores que têm o azar de tropeçar neles. Será desnecessário referir o espaço e a visibilidade que, desta forma se dá "àquilo que parece, mas não é".
- Aqui, esperando que se possam aperceber do ridículo da situação
- Aqui, para que comprovem o engano em que encorrem os leitores destas notícias.
DANÇA
Viva o populismo que isso é que atrai votos e mantém os poleiros por muitos e muitos anos!
O povo gosta (eles acham), o povo tem. O povo não sabe o que é "bom", dá-se-lhe a merda do costume e assim lá se vão mantendo distraídos sem agitar as águas (eles também acham). Na crista da onda... sempre os mesmos. Aqueles do tal sucesso que lhes aconteceu. (Coitados... eles até nem queriam...)





4 Comentários:
O povo gosta (eles acham), o povo tem. O povo não sabe o que é "bom", dá-se-lhe a merda do costume e assim lá se vão mantendo distraídos sem agitar as águas.
É o empobrecimento total e generalizado e ainda se usa e se dita como regra legalista que dão o que eles (povo) precisam porque de mercado e de audiências os tratantes precisam a se tentarem bem tratar!
Um abraço
Alice
É sem dúvida complicado uma pessoa conseguir gerir-se sem que dê em doida. Em Portugal há uns anos atrás era mais ou menos a mesma coisa.O que acontece é que esse tipo de atrevimento é agora muito menos, pois já há alguma noção do que é o academicismo e o amadorismo. Se insiste é logo corrido á paulada por quem percebe da matéria.
Os curiosos não têm, portanto grandes hipóteses a não ser que o seu trabalho seja absolutamente inovador e brilhante.
mesmo assim, são muitos os que recorrem ás Escolas para melhorarem os seus dotes artísticos,pois sabem que a concorrência é forte e os medíocras mais tarde ou mais cedo acabam por definhar.
Mas também acho que o Estado deveriaa controlar e intervir nesse esse tipo de situação.
Desejo-lhe coragem para encaixar tudo isso.
T.M.
Concordo consigo. Arte cultura são temas muito sérios para serem banalizados. É a base estrutural de um povo.
Sendo Angola jovem é preciso evitar que caia no ballet ou dança Pimba!
Ali_se: Pois é... A política decide aquilo de que o "povo" deve ou não gostar. O direito à escolha é muitas vezes "rebentado" com o moralismo de que não se devem consumir coisas "alienantes".
Como se "alienar" só tivesse um único sentido. O que quererá dizer "cultura alienada"? Pois...
Anónimo: O problema aqui é que não existe um termo de comparação. A "qualidade" confunde-se com "quantidade", ou seja, se muitos aqui dizem ou fazem assim, então, está decidido: É assim!
E pode ser, de facto, mas não em tudo.
Corsário: "Não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal. Amén". ;-)
O "ballet" (clássico) é uma forma de dança tradicional (há até uma antropóloga que a apresenta como uma forma de dança étnica, sustentando as suas afirmações). É também um suporte de manutenção de um património cultural, que, tratando-se de dança (actividade efémera), é vivo. (Digamos que comparável a um museu). Há grandes companhias de dança clássica em todo o mundo, mesmo naqueles países que não estão na génese do seu surgimento; como, por exempolo a China, o Japão, Cuba (e diversos países da América latina) ou os Estados Unidos (Espreite na net sobre a companhia de dança de Harlem).
Claro que não é uma prioridade para Angola, mas não se pode tratar ao nível do tal "pimba". E isso, sim, nós também temos a nossa fatia cultural pimba e essa, como em todo lado, é a que leva mais votos. O problema é que, em outros lados há lugar para tudo. Aqui, esse lugar é muito, mas muito apertado.
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