Terça-feira, Agosto 21, 2007

Crólicas I

A inversão de um discurso racializado.
(Clicar sobre o título)
Por: Wa Zani.

In, Jornal de Angola, Agosto de 2007

9 Comentários:

Blogger -pirata-vermelho- disse...

Um texto de referência, muito interessante, pelo conteúdo e pela postura do autor - os meus cumprimentos se o conhecer e se ele quiser aceitar.
Desejo todavia balizar um parecer crítico pelo seu início e pelo fim, a saber:
- nem a escravatura foi introduzida em África pelos europeus, nem muitos africanos contemporâneos foram inocentes no tráfico;
- nem os 'factores biológicos' são totalmente alheios às 'vertentes da identidade', nem a sua componente determinante é constante, nos variados contextos.

21-08-2007 12:58  
Anonymous margarida fortes disse...

Sem dúvida um texto de grande pertinência, citando alguns autores de relevo e que não serve apenas o continente africano.

Quanto ao problema da escravatura, felizmente já se começam a desmistificar as teorias que se mantêm ao serviço de interesses muito restritos. É claro que isto não implica que o tema seja abandonado e que as suas consequências (com marcas profundas registadas ainda hoje) deixem de ser avaliadas.
De facto, a escravatura não aconteceu apenas em África, embora esta seja a que memórias mais recentes deixou. Só em Angola, por exemplo, conheceu três grandes planos: uma escravatura com iniciativa externa (produzida pelos povos banto sobre as populações já existentes no território) e, seguidamente, outras duas formas que chegaram a co-existir: uma promovida internamente (entre os vários povos de origem banto, entretanto constituídos enquanto grupos socio-culturais) e outra, mais recente, desencadeada pelos europeus com o auxílio, em alguns casos, de agentes internos, alguns dos quais soberanos dos reinos então constituídos nos territórios da actual República de Angola.
O problema é bastante complexo e delicado, estendendo-se hoje a outros âmbitos. Actualmente o tráfico de mulheres, de crianças, os problemas das migrações ou a condição da mulher em algumas sociedades são, apesar da diferença de contextos, consideradas as novas formas de escravatura.

22-08-2007 2:55  
Blogger Phwo disse...

Caros Pirata e Professora Margarida,
obrigada pelas vossas contribuições. Este é, de facto um tema, que tem de ser discutido à exaustão pois existem muitos equívocos, distorções e omissões em torno dele.
Quanto mais visões existirem, mais profunda se torna a discussão e mais dados se interceptam.
Um abraço

23-08-2007 12:30  
Blogger inominável disse...

um texto interessante que mereceria muitos aprofundamentos...

26-08-2007 15:02  
Blogger Phwo disse...

Inominável: Tens toda a razão. Mas é sempre difícil encaixar em três ou quatro páginas um assunto com tantas ramificações e onde cabem uma diversidade de posturas,polémicas e razões.
Mas, quanto a mim, o que interessa é que o tema seja publicamente abordado. Já é um bom sinal e um bom começo para que se saia dos temas tabu.
Bj.

27-08-2007 10:11  
Blogger gaviao disse...

Abomino o black power, como abomino o feminismo e outras coisas que tais.
Num mundo global, as diferenças biológicas não são para contar e quem pensa o contrário dana-se.
Verdade que houve escravatura, nem só negra, mas também é verdade que houve varíola, febre amarela e por aí.
Pode sempre discutir-se este ou qualquer tema à exaustão, mas a verdade é que já passou, como já aconteceu o holocausto. Nada pode mudar a história. O futuro esse sim, pode e deve ser construido por gente limpa.
Eu pelo menos continuo a acreditar.
Pwo, um abraço.
GED

03-09-2007 23:32  
Blogger Phwo disse...

Olá Gavião.
Tens toda a razão quando dizes que o futuro deve ser construído com gente limpa. Oxalá assim pudesse ser. O que me parece é que, enquanto os passados não estiverem bem resolvidos (e não estão), isso será difícil; muito difícil mesmo.
E, por estranho que possa parecer, são as elites intelectuais, com as suas "missões" de teorizar e investigar, quem mais mantêm vivas essas memórias (que embora não possam ser esquecidas, não devem ser espicaçadas). Para não falar nas terríveis manipulações políticas e sociais com fins muito precisos.
É difícil escrecer as escravaturas, como o(s) holocausto(s), pois, ao contrário das doenças e das pestes, eles foram protagonizados e da inteira responsabilidade e (des)controle do homem.
Com o que vemos hoje no Iraque, na Palestina, etc., será possível não se estarem a marcar de ódio outras gerações?
:-((
Um abraço

05-09-2007 17:23  
Blogger gaviao disse...

Das duas, uma.
Ou eu vou discutir contigo todos esses temas "quentes" e corremos o risco certo de não discutir nada, pois estamos de acordo em quase tudo, ou vamos discutir com o outro lado da barricada e nunca chegaremos a acordo.
Por isso, considero inutil fazê-lo.
Não me esqueço, como espero que os milhões do nosso lado não esqueçam.
Isso serve-me para lutas mais eficazes. Para tomar lugar no lado certo da barricada sempre que isso for necessário.
Um grande abraço.
Henrique
PS: vou a Luanda em Fevereiro, de férias. Talvez possas fazer-me uma visita guiada ao teu mundo da dança aí. Tenho muita curiosidade e acompanho como posso.

05-09-2007 19:19  
Blogger Phwo disse...

Gavião:
Certo! Não esquecer, conhecer bem, para projectar uma acção melhor(ada).
Terei muito gosto em falar-te de algo que domino bem e me é muito grato: a dança em Angola. Adianto-te, no entanto, que sobre Luanda (cidade) pouco há para ver (de interessante)...
Mas pode ser que apanhes o Carnaval, que continua a ser um interessantíssimo fenómeno de assimilação cultural, hoje marcadamente angolano (apesar de, em alguns grupos já se estar a descambar para o brasileiro)

06-09-2007 11:42  

Enviar um comentário

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial

users online