Afinal, ainda falta muito!
Comecei por preparar um texto mais denso. Afinal tratava-se de uma comunicação a apresentar no III Simpósio organizado pelo Ministério da Cultura de Angola.
Depois de o ler algumas vezes, decidi aligeirá-lo, torná-lo mais didáctico; afinal a dança enquanto categoria de discussão académica é ainda muito pouco acessível entre nós. Não fiquei satisfeita com o resultado que achei demasiado simples, mas...
Ainda assim... fui confrontada com comentários e reacções incríveis, do género: "Esta senhora que fale de coisas que se entendam. Está para aí com conceitos e categorias ocidentais, ela que vá estudar as danças de Angola, que vá para o terreno do povo! Que faça algo pela dança em Angola!"
Fantástico!, pensei. Estou perante um tipo que representa a cultura angolana no estrangeiro; um diplomata! Depois, olhei bem para o mwadiê e verifiquei que era alguém que conhecia perfeitamente o meu percurso profissional. Mais, ele tem uma licenciatura num ramo das artes! Discurso para parecer politicamente bem, concluí, sem deixar de lhe dar o merecido troco em público.
Afinal, o texto ainda estava "difícil".
Querem ler? Clicar no link em baixo.
TEXTO: Dança Contemporânea: Formação - Criação - Investigação
Depois de o ler algumas vezes, decidi aligeirá-lo, torná-lo mais didáctico; afinal a dança enquanto categoria de discussão académica é ainda muito pouco acessível entre nós. Não fiquei satisfeita com o resultado que achei demasiado simples, mas...
Ainda assim... fui confrontada com comentários e reacções incríveis, do género: "Esta senhora que fale de coisas que se entendam. Está para aí com conceitos e categorias ocidentais, ela que vá estudar as danças de Angola, que vá para o terreno do povo! Que faça algo pela dança em Angola!"
Fantástico!, pensei. Estou perante um tipo que representa a cultura angolana no estrangeiro; um diplomata! Depois, olhei bem para o mwadiê e verifiquei que era alguém que conhecia perfeitamente o meu percurso profissional. Mais, ele tem uma licenciatura num ramo das artes! Discurso para parecer politicamente bem, concluí, sem deixar de lhe dar o merecido troco em público.
Afinal, o texto ainda estava "difícil".
Querem ler? Clicar no link em baixo.
TEXTO: Dança Contemporânea: Formação - Criação - Investigação





11 Comentários:
very very good blog, congratulations
regard from Catalonia Spain
thank you
Claro, nada a que não estejas já habituada. Nem sei como tens força para continuar. Eu já tinha mandado esses tipos todos ara as "urtigas". ;-)
Beijinhos.
Cara Phwo
Estás no teu "campo". Sabes como agir.
Reabri o meu blog numa versão restrita aos meus estudantes, a partir deste mês. Envia-me um mail, para o caso de aceitares o convite para participar. Apesar de já não pertenceres à nossa "equipa" temos sempre muito gosto em receber-te.
Um abraço.
Já li.
Fico a perceber parte...
Fico a pensar se será útil designar a dança por referência a uma região ou área geográfica ou a uma Área-de-Estado, uma vez que com estas não coincidem áreas etno-culturais distintas.
Poderiamos dizer Dança Contemporânea de Angola, sem enfeudamentos de qualquer espécie?
Despacho do Director Geral:
Considerando a beleza das palavras da "camarada" Phwo, que não sou entendidas por determinadas mentes, fica a mesma proibida de dar pérolas a porcos.
Té la mà Maria - Reus: Obrigada pela tua visita e pelo teu comentário!
Kátia: LOL. Já sabes que a insistência é a melhor arma para enfraquecer alguns "tristes". Bjs.
Professora Margarida: Mail enviado. Obrigada pelo convite. Terei muito gosto em continuar a pertencer à "equipa". Um abraço.
Pirata: De facto, e enquanto artista, sou absolutam ente contra os rótulos. Não se podem limitar os criadores com "moralismos" nacionalistas, patrióticos ou outros. Cada um cria sobre o que quer e como sente. Arte por encomenda, não é arte. Ou é (?)... mas prefiro a espontaneidade. Criar quando nos dá na "real gana" e sobre o que nos apetece. Assim, impetuosamente, apaixonadamente.
No entanto... quando se está a teorizar, há que sistematizar. Se pretendermos fazer uma análise, é necessário que se definam categorias operativas, para evitar as relativizações. Assim, os estudiosos da dança foram capazes de encontrar pontos comuns nas produções coreográficas contemporâneas europeias, bem como nas americanas. Embora a dança contemporanea em África esteja ainda em fase inicial, é possível encontrarmos aspectos comuns entre as criações de diversos países do continente.
Assim, e pondo de lado alguma da rigidez académica, é claro que se pode dizer Dança Contemporânea de Angola que, neste caso, será a mesma coisa que dança Contemporânea Angolana, mas não necessariamente "made in Angola".
Quanto a mim, a dança contemporânea não é universal. Ela reflecte fortemente as inquietações privadas do coreógrafo inserido num meio social específico. É uma das suas características e que a torna, de certa forma, hermética. Assim sendo, é inevitável isso a que chama "enfeudamentos" com o qual eu não estou de acordo. Espero que a minha explicação tenha contribuído para a discussão :-)
Anónimo dos Despachos_do_Director_Geral: Pois, até pode ser verdade essa das pérolas, embora eu as sinta mais como pedras. E assim, de tanto bater, alguma cabeça dura se há-de abrir.
(oxalá... é que parecem bem duras, cuidado!)
---------------------------------
Claro que estou de acordo com o que diz
(passando por cima das designações 'arte' e 'artista' cujo significado há muito discuto)
pode portanto passara ser Dança Contemporânea
ou
Dança Contemporânea
de Angola
ou
Dança Contemporânea
de África
E
em vez de 'contemporânea' pode ser qualificada ou enquadrada de outra forma, também; ou sem adjectivo mas com uma referência temporal aproximada.
Não é fácil fugir ao estereótipo!
Alguns?? Eheheh.
Pirata: Como sabes, para uma sistematização (ou enquadramento) é necessário existir sempre um critério (não um estereótipo), permitindo que o mesmo elemento possa ser incluído em categorias diferentes, sem que a informação seja contraditória.
Neste caso, o critério é uma corrente artística: arte contemporânea. Foi assim "definido" e creio que assim constará até que surja ou que se estabilize uma nova corrente.
É claro que o termo "contemporâneo" é polémico e relativo, se o olharmos como aglutinador de tudo o que se produz "nos nossos dias" (ou no mesmo tempo em que existimos). Por isso costumo dizer que a dança contemporânea é, realmente, dança temporariamente contemporânea. A discussão é interesante, mas infelizmente difícil de manter num espaço como este, onde muitas informações, argumentos, teorias, categorias, etc. ficam de fora. Não há "tempo" (espaço) para dizer tudo e o pouco que se diz é insuficiente.
Kátia: Sim, alguns. Como sabes estou a referir-me àquela "meia dúzia" de cabeças duras de sempre, em lugares administrativos, a quem interessa não abrir o âmbito das artes a outras opções e vertentes.
Mas os velhos ditados são sempre fundados na sabedoria. Portanto, "água mole em pedra dura..."
;-)
Fiquei fascinado com esta dissertação. Não apenas pelo que tem a ver com a dança, mas fundamentalmente com o ponto de vista. De uma só vez, ele é político, claro, tomada de posição sem tréguas nem concessões. Exactamente como eu penso. Acima de tudo, anti-racista. Eu explico.
Não pode nestes tempos, haver uma concessão à africanidade pura. Vivemos num planeta redondo, intercultural de influências maciças e imediatas. Eu, tu, nós todos, somos o produto de tudo isso. Nem negros nem brancos nem azuis. Muito provávelmente todos vermelhos (que eu sou do Benfica).
Tudo o que escreveste fez-me lembrar uma experiência maravilhosa, no domínio musical, que provávelmente conheces. Gotham Project.
Um abraço
Henrique
Gavião: Eu perguntaria o que é a "africanidade pura", como perguntaria o que é a "americanidade pura" ou, ainda mais insólito, a "europeidade pura". (Talvez esta palavra nem exista)
A palavra "pura" não existe enquanto conceito. Obviamente que grande parte dos portugueses têm "sangue negro" (recuemos dois séculos na história), que um expressivo número de americanos têm "sangue índio" ou que grande parte dos angolanos têm "sangue bantu" (porque nem todos os indivíduos negros em Angola possuem esta origem).
É claro que quanto mais nos agarrarmos a estes aspectos exteriores e menos ao genoma, à cultura ou às questões ecológicas (que dizimarão massivamente sem olhar a cores da pele), mais nos afastaremos da possibiliodade de ter um "mundo melhor" (outra utopia, mas enfim...).
Falaste do Gotham Project. Há vários exemplos interessantes como esse. A chamada "música popular brasileira" teve na sua fundação compositores e intérpretes clássicos brasileiros como Carlos Gomes, Joaquim Calado ou Francisca Gonzaga, que incorporaram nas suas obras elementos de outras culturas existentes no Brasil. A ópera Guarani é um exemplo de integração de padrões musicais índios.
Obviamente que todos somos produto de misturas que, quanto a mim, são mais culturais do que epidérmicas, mas há sempre aqueles que só vêm "cores" e não corações.
Um beijo.
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