Segunda-feira, Março 19, 2007

"Até Depois..."

Até poderia ser o anúncio de um último post, pois o meu desencantamento e o do Cassé estão fundados nos mesmos motivos.
Crescemos juntos, vimos a independência juntos, embarcámos juntos na quimera de uma Angola justa e de direitos iguais. Hoje, continuamos juntos - sem abdicar dos nossos valores - agora a assistir ao desmoronar do sonho que se esvai nos "edifícios de vidro espelhado" que se erguem por todo o lado, para o contentamento de alguns (poucos?).

"Até Depois..." é o título do livro deste escritor angolano, um dos fundadores da Brigada Jovem de Literatura, herdeiro do dom da escrita de seu pai, o Dr. Eugénio Ferreira.
O livro, editado pela editora angolana Nzila, será apresentado pelo escritor João Melo, dia 20 de Março, em Luanda, na sede da União dos Escritores Angolanos, às 18.00H.



Diz ele, nesta sua mais recente obra de poesia:
(…)«enquanto durar esta gente / parola / amoral / sem princípios – só com fins / vou ali e não venho / talvez até nunca mais».

Breve biografia
Carlos Sérgio Monteiro Ferreira
Natural de Luanda onde nasceu a 28 de Fevereiro de 1960.
Realizador de Programas de rádio. Letrista. Cronista.

De 1977 a 1995, trabalhou na Rádio Nacional de Angola onde foi, sucessivamente, Chefe das Redacções Desportivas e de Intercâmbio, Chefe do Departamento de Intercâmbio, Chefe do Departamento de Realização, Assistente do Director de Programas e Director de Programas.
Correspondente do "Diário de Notícias" e da “Revista Seara Nova" entre 1990 e 1991.
Jornalista da Assessoria de Imprensa do Presidente da República, a partir de 1991 retornando depois à RNA até 1995.
Co-fundador da Brigada Jovem de Literatura, onde foi Secretário das Actividades Culturais, a mesma função que exerceu posteriormente na União dos Escritores Angolanos, da qual é membro.
É membro da União dos Jornalistas Angolanos.
Actualmente exerce a actividade literária em tempo inteiro.


Um poema
Não devias vir
e vieste
eu curtia esta solidão antiga
pontiaguda
faca apontada ao estômago
no mais escuro de mim
onde te imagino todos os dias sem descanso

Não devias vir
e vieste
voltou o curso dos rios à violência
quando era tão só um lago parado quieto manso
adormecido pelo cálido sonho
tão cedo tornado hirto...

2 Comentários:

Blogger -pirata-vermelho- disse...

Quere-se dizer que poderia vir a haver uma revolta em Angola?

Mas
tinha que se enxotar patrões e esbirros com a mesma vassourada; e os patrões estrangeiros têm cá uns cães de guarda que fáchavor ...!

19-03-2007 20:46  
Blogger inominável disse...

que bonito o poema... Mas não será verdade que quem poderia vir é que não veio? A vida desorganiza-me noutras voltas e eu desenho-me, como um compasso que desconhece a mão que me gira...

20-03-2007 19:24  

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