Sábado, Outubro 28, 2006
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Sábado, Outubro 21, 2006
VALE A PENA VER!
- Teatro/Dança em Évora -
De 2 a 28 de Outubro de 2006

NuIsIs ZoBoP: ABBADON e SHE WILL NOT LIVE 1 em Evora
ABBADON
Criação/ Direcção: Hugo Calhim Cristóvão
Texto: Hugo Calhim Cristóvão
Criação/ Performance: Paula Cepeda Rodrigues
SHE WILL NOT LIVE (part one)
Criação/Direcção: Hugo Calhim Cristovão
Criação/Performance: Joana von Mayer Trindade
--------------------------------------------------------
Fui, há dois dias, ver as peças dirigidas pelo Hugo. Ainda hoje há algo que me escapa para poder fazer uma apreciação completa (isto existe?).
Descrever aqui o que vi no pequeno compartimento completamente fechado e povoado de desenhos-símbolos, onde a Paula nos prende durante quase uma hora, seria revelar algo que só é permitido sentir-se em presença da actriz/performer e na clausura do espaço escolhido.
Para além da excelente direcção e interpretação, há um texto que desafia, incomoda, agride e fala do amor, das memórias das coisas e das pessoas.
Na segunda peça, há a Joana. Lindíssima na sua pele alva que vai metamorfoseando com molas de madeira, baton vermelho, alcool e uma bata roxa.
Ao contrário do título escolhido, eu atrever-me-ia a dizer: She will live, ou she lives e com ela somos transportados ao universo das máscaras. Quantas temos cada um de nós?
Todas e mais essa que tiramos para perceber o excelente trabalho do Hugo, da Joana e da Paula.
De 2 a 28 de Outubro de 2006

NuIsIs ZoBoP: ABBADON e SHE WILL NOT LIVE 1 em Evora
ABBADON
Criação/ Direcção: Hugo Calhim Cristóvão
Texto: Hugo Calhim Cristóvão
Criação/ Performance: Paula Cepeda Rodrigues
SHE WILL NOT LIVE (part one)
Criação/Direcção: Hugo Calhim Cristovão
Criação/Performance: Joana von Mayer Trindade
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Fui, há dois dias, ver as peças dirigidas pelo Hugo. Ainda hoje há algo que me escapa para poder fazer uma apreciação completa (isto existe?).
Descrever aqui o que vi no pequeno compartimento completamente fechado e povoado de desenhos-símbolos, onde a Paula nos prende durante quase uma hora, seria revelar algo que só é permitido sentir-se em presença da actriz/performer e na clausura do espaço escolhido.
Para além da excelente direcção e interpretação, há um texto que desafia, incomoda, agride e fala do amor, das memórias das coisas e das pessoas.
Na segunda peça, há a Joana. Lindíssima na sua pele alva que vai metamorfoseando com molas de madeira, baton vermelho, alcool e uma bata roxa.
Ao contrário do título escolhido, eu atrever-me-ia a dizer: She will live, ou she lives e com ela somos transportados ao universo das máscaras. Quantas temos cada um de nós?
Todas e mais essa que tiramos para perceber o excelente trabalho do Hugo, da Joana e da Paula.
Sexta-feira, Outubro 20, 2006
Terça-feira, Outubro 17, 2006
Yá...
Foto: Rui Tavares
Do outro lado da linha não sabias que a tua boca tinha esvaziado o meu estômago e asfixiado o meu pescoço, em arrepio desta música que sempre me incomodou.
Deste lado, vejo as tuas raízes que tento guardar sem tu perceberes como. "- A tradição morre e os livros ficam". "- Mas eu não vou morrer agora!"
Yá, ao longe, a serpente vermelha continua a dividir o mundo em dois: um negro e outro branco, um feminino e outro masculino.
Olho para de ti de olhos presos e reparo que afinal não és.
Às vezes penso em ti e depois já não.
Do outro lado da linha não sabias que a tua boca tinha esvaziado o meu estômago e asfixiado o meu pescoço, em arrepio desta música que sempre me incomodou.Deste lado, vejo as tuas raízes que tento guardar sem tu perceberes como. "- A tradição morre e os livros ficam". "- Mas eu não vou morrer agora!"
Yá, ao longe, a serpente vermelha continua a dividir o mundo em dois: um negro e outro branco, um feminino e outro masculino.
Olho para de ti de olhos presos e reparo que afinal não és.
Às vezes penso em ti e depois já não.
Domingo, Outubro 15, 2006
Quarta-feira, Outubro 11, 2006
Terça-feira, Outubro 10, 2006
Um insecto de madeira num texto pouco intelectual.
Pois é, uma parvoíce completa, as brincadeiras a que nos dedicamos no recreio.
Na varanda da minha casa há um vaso com...
De facto, na varanda de minha casa existem vários vasos.
Mas como dizia, porque ando assim meio desconcentrada para estas questões da botânica doméstica (jardinagem?), na varanda de minha casa há um vaso com um cacto (consegui acabar a frase!).
Nesse vaso está também plantada uma joaninha de madeira que alguém ofereceu à minha filha. Há anos.
Antes de começar a escrever, deu-me para pensar (!) que não a posso deixar cá, muito embora transportar fétiches - sejam eles em forma de recordações ou de objectos materiais - não faça o meu género.
Será porque ela está a olhar para mim ou será porque, "através do" vento, a ventoinha que ela traz ao pescoço me soprou para a varanda de outra minha casa. A Casa que me viu crescer, no país onde o mesmo vento é quente em Outubro e se prepara para atirar a árvore de natal ao chão?
Sei lá!
Vou regressar ao estudo.
Na varanda da minha casa há um vaso com...De facto, na varanda de minha casa existem vários vasos.
Mas como dizia, porque ando assim meio desconcentrada para estas questões da botânica doméstica (jardinagem?), na varanda de minha casa há um vaso com um cacto (consegui acabar a frase!).
Nesse vaso está também plantada uma joaninha de madeira que alguém ofereceu à minha filha. Há anos.
Antes de começar a escrever, deu-me para pensar (!) que não a posso deixar cá, muito embora transportar fétiches - sejam eles em forma de recordações ou de objectos materiais - não faça o meu género.
Será porque ela está a olhar para mim ou será porque, "através do" vento, a ventoinha que ela traz ao pescoço me soprou para a varanda de outra minha casa. A Casa que me viu crescer, no país onde o mesmo vento é quente em Outubro e se prepara para atirar a árvore de natal ao chão?
Sei lá!
Vou regressar ao estudo.
Sexta-feira, Outubro 06, 2006
As senhoras do grupo de dança Wino wa Cikota*
Elas estavam desde manhã muito cedo na pista do aeroporto. Esperavam, para participar nas despedidas ao "chefe".
Mas, à 1:00 h da tarde, o avião nem sequer havia saído de Luanda e depois eram mais umas horas até ao Moxico (outra vez o Moxico!...).
No meio de tantos "mwatas" (o correcto é miyata), só eu achei um escândalo aquelas mamãs estarem há tanto tempo em baixo de sol, sem comer e sem qualquer justificação.
Quando lá cheguei, as caras delas estavam trancadas. Entraram no autocarro e alguém que surpreendentemente me conhecia, apresentou-me.
" - Tunanumeneka!", eu disse.
" - Ewa!", responderam-me satisfeitas. As caras delas mudaram.
Durante a viagem, cantaram para mim e saudaram-me por ser mulher, como elas (traduziram-me).
À mesa do "restaurante" passei um dos momentos mais intensos da minha experiência enquanto investigadora. Dando-se conta que eu percebia (e, timidamente, balbuciava) algumas palavras em Ucokwe, mas, principalmente, que eu sabia das coisas (e de alguns segredos) do povo ao qual pertenciam, fizeram-me as confissões mais fantásticas que eu jamais ouvira, sobre o ser-se mulher cokwe.
"- Hanjika!", ordenavam-me, para eu falar e perguntar.
E eu, desconcertada. Sem saber como gerir tal cumplicidade e confiança. Não fotografei, não filmei, não tirei notas e pouco perguntei. Frui o momento.
Comemos e rimos.
De regresso ao aeroporto, convidaram-me para dançar. Percebi o desafio e aceitei! O asfalto da pista queimava-me os pés. Aguentei firme! Ofereceram-me um pano que me apertaram à volta da cintura. Discretamente, todas olhavam para mim enquanto dançávamos. Os tocadores também estavam atentos.
Foi quando me dei conta da presença dos responsáveis da província e do Ministério da Cultura que avançavam na nossa direcção.
Contra a vontade das senhoras, parei.
Já no avião, pensei no que me havia dito o principal mukwa ngoma do grupo:
"- Nunca vimos um branco dançar assim. Sim, senhor!"
Wino wa Cikota quer dizer dança da tradição, do início, antiga. É o nome do grupo de dança tradicional ao qual pertencem estas mulheres, especialistas na Ciyanda, uma das principais danças cokwe e executada sobretudo pelas mulheres.
Mas, à 1:00 h da tarde, o avião nem sequer havia saído de Luanda e depois eram mais umas horas até ao Moxico (outra vez o Moxico!...).
No meio de tantos "mwatas" (o correcto é miyata), só eu achei um escândalo aquelas mamãs estarem há tanto tempo em baixo de sol, sem comer e sem qualquer justificação.
Quando lá cheguei, as caras delas estavam trancadas. Entraram no autocarro e alguém que surpreendentemente me conhecia, apresentou-me.
" - Tunanumeneka!", eu disse.
" - Ewa!", responderam-me satisfeitas. As caras delas mudaram.
Durante a viagem, cantaram para mim e saudaram-me por ser mulher, como elas (traduziram-me).
À mesa do "restaurante" passei um dos momentos mais intensos da minha experiência enquanto investigadora. Dando-se conta que eu percebia (e, timidamente, balbuciava) algumas palavras em Ucokwe, mas, principalmente, que eu sabia das coisas (e de alguns segredos) do povo ao qual pertenciam, fizeram-me as confissões mais fantásticas que eu jamais ouvira, sobre o ser-se mulher cokwe.
"- Hanjika!", ordenavam-me, para eu falar e perguntar.
E eu, desconcertada. Sem saber como gerir tal cumplicidade e confiança. Não fotografei, não filmei, não tirei notas e pouco perguntei. Frui o momento.
Comemos e rimos.
De regresso ao aeroporto, convidaram-me para dançar. Percebi o desafio e aceitei! O asfalto da pista queimava-me os pés. Aguentei firme! Ofereceram-me um pano que me apertaram à volta da cintura. Discretamente, todas olhavam para mim enquanto dançávamos. Os tocadores também estavam atentos.
Foi quando me dei conta da presença dos responsáveis da província e do Ministério da Cultura que avançavam na nossa direcção.
Contra a vontade das senhoras, parei.
Já no avião, pensei no que me havia dito o principal mukwa ngoma do grupo:
"- Nunca vimos um branco dançar assim. Sim, senhor!"
Wino wa Cikota quer dizer dança da tradição, do início, antiga. É o nome do grupo de dança tradicional ao qual pertencem estas mulheres, especialistas na Ciyanda, uma das principais danças cokwe e executada sobretudo pelas mulheres.
Terça-feira, Outubro 03, 2006
Eu, o hotel e... a "Própria Lixa" *
Havia tempo que não saía de Luanda. Coisas da guerra...
Mas ali estava eu olhando uma paisagem verde cortada por uma serpente de lama vermelha. Cheguei-me à frente. Do ar podia ver a impressionante ravina que conhecia da televisão e que rasga no solo um sulco profundo. Lwena continua em perigo.
«- O quarto 25 é bom, sai água um bocado quente», disse o empregado do hotel engraçado na sua farda gasta, de há bwé. Atirou o meu saco preto para dentro do quarto e saiu mais rápido que o meu gesto de procurar uma nota dentro do bolso dos jeans. (Ainda bem, pois não sabia quantos Kwanzas lhe dar.)
Os «dirigentes» do Ministério ficaram numa ala onde os quartos tinham alcatifa e ar condicionado. Eu não corri esses riscos; (en)calhei no corredor dos «técnicos» e... dos artistas.
O quarto 25 não tinha ar condicionado, nem alcatifa, nem água quente e cheirava fortemente a insecticida. Não havia baratas (deviam estar atordoadas como eu).
A minha porta ficava elevada do chão uns quatro centímetros. «Dormi» com a luz acesa para não dormir e dar conta de algum rato que entrasse. Receava ainda que alguém me irrompesse pelo quarto, pois o trinco mal prendia a porta que abanava ao mínimo movimento.
Passei uma noite infernal, de barulho, até às duas com recomeço às seis da manhã. O novo dia encontrou-me de mau humor. Foi quando me bateram à porta. O diálogo foi (quase) surreal.
- Bom dia.
- Bom dia.
- Desculpe, a moça é a própria lixa?
- Perdão?!!!
- A própria lixa.
- Própria lixa?????
- Sim, a kudurista.
- Acha-me com cara de kudurista?
- Não sei, né?... Podia ser...
- Pois... mas não sou!
Fechei a porta estragada, mas com o número 25 em belos algarismos dourados.
* Ontem falei com um amigo no Lwena e recordei com ele este episódio passado em Janeiro. Resolvi "recuperá-lo".
Mas ali estava eu olhando uma paisagem verde cortada por uma serpente de lama vermelha. Cheguei-me à frente. Do ar podia ver a impressionante ravina que conhecia da televisão e que rasga no solo um sulco profundo. Lwena continua em perigo.
«- O quarto 25 é bom, sai água um bocado quente», disse o empregado do hotel engraçado na sua farda gasta, de há bwé. Atirou o meu saco preto para dentro do quarto e saiu mais rápido que o meu gesto de procurar uma nota dentro do bolso dos jeans. (Ainda bem, pois não sabia quantos Kwanzas lhe dar.)Os «dirigentes» do Ministério ficaram numa ala onde os quartos tinham alcatifa e ar condicionado. Eu não corri esses riscos; (en)calhei no corredor dos «técnicos» e... dos artistas.
O quarto 25 não tinha ar condicionado, nem alcatifa, nem água quente e cheirava fortemente a insecticida. Não havia baratas (deviam estar atordoadas como eu).
A minha porta ficava elevada do chão uns quatro centímetros. «Dormi» com a luz acesa para não dormir e dar conta de algum rato que entrasse. Receava ainda que alguém me irrompesse pelo quarto, pois o trinco mal prendia a porta que abanava ao mínimo movimento.
Passei uma noite infernal, de barulho, até às duas com recomeço às seis da manhã. O novo dia encontrou-me de mau humor. Foi quando me bateram à porta. O diálogo foi (quase) surreal.
- Bom dia.
- Bom dia.
- Desculpe, a moça é a própria lixa?
- Perdão?!!!
- A própria lixa.
- Própria lixa?????
- Sim, a kudurista.
- Acha-me com cara de kudurista?
- Não sei, né?... Podia ser...
- Pois... mas não sou!
Fechei a porta estragada, mas com o número 25 em belos algarismos dourados.
* Ontem falei com um amigo no Lwena e recordei com ele este episódio passado em Janeiro. Resolvi "recuperá-lo".
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
CIKUNGU, a máscara do chefe

«Le grand masque sacré Cikungu représente les ancêtres du chef de terre mwanangana. Il ne peut être porté que par ce dernier ou son neveu sororal»

«Conservé à l’abri des regards dans la hutte mutenji, le masque n’est revêtu lorsqu’un sacrifice propitiatoire doit être fait aux ancêtres à l’occasion de calamités publiques, principalement.»

«(...) Parfois Cikungu est invité à intervenir aussi au cours de l’initiation Mukanda»
In Art Décortatif Tshokwe (1961), de Marie-Louise Bastin














