Sábado, Setembro 30, 2006
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Em 1878, a dança do soba Mavanda

Abstraindo-nos de uma linguagem característica da época e de uma geração de exploradores, importa constatar, através deste texto, o lugar nobre reservado à dança (e à máscara), entre os povos de origem bantu ("Ngangela", neste caso).
«Pelas 8 horas chegaram os batuques e juntou-se grande concurso de povo.
Meia hora depois apareceu o soba, com a cabeça metida em uma cabaça pintada de branco e preto, e o enorme corpo aumentado por uma armação de varas de varas coberta de liconde, igualmente pintado de preto e branco. Um saio de clinas e caudas de animais completavam o trajo.
Logo que ele chegou, os homens formaram em linha, com os batuques atrás, e as mulheres e rapazes desviaram-se para longe. Começaram os batuques e os homens, imóveis do corpo, cantando as suas monótonas toadas e batendo as palmas.
O soba foi colocar-se a uns trinta passos em frente da linha e começou uma brutesca dança, em que parecia fera enraivecida; conquistando os maiores aplausos da sua e da minha gente.»
(Serpa Pinto, 1881/1999: 201)






