Quarta-feira, Junho 28, 2006

Homenagem I

Autocrítica

Aqui, a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...

Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...

Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!

Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
– ah! minhas palavras minhas!

António Cardoso

1 Comentários:

Blogger Denudado disse...

Não sendo eu um grande admirador de António Cardoso como poeta, admiro-o, sim, como lutador que foi, em prol da sua terra e da sua gente. Luandino Vieira enalteceu uma vez a força indomável de António Cardoso, dizendo que ele enfrentou todos os sofrimentos e torturas por que passou nos longos anos do Tarrafal sem dar parte de fraco uma única vez sequer.

28-06-2006 2:46  

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