A propósito de conceitos
Troca de / ou ideias em sintonia
A minha vivência pessoal e a experiência de mais de 20 anos a trabalhar no Ministério da Cultura de Angola (ya, comecei bwé cedo) e numa área delicada (Formação Artística), associadas aos meus parcos conhecimentos no campo da antropologia, levam-me frequentemente à reflexão sobre as questões da «identidade», um tema muito complexo, um terreno tão escorregadio.
Tão complexo e falacioso como os discursos sobre «cultura nacional».
Pela existência de diversos povos ou grupos etno-linguísticos, quer-me parecer mais sensato falar-se em diversas culturas.
Pensemos ainda nas distintas realidades urbanas (ou suburbanas) com as suas «tribos» ou grupos «periféricos» possuidores de traços identitários bem definidos e distintivos.
Há ainda outra palavra que me incomoda e com a qual não simpatizo muito: tipicamente. Parece-me um termo algo redutor a raiar o mesquinho, até...
(“tipicamente angolano, prato típico, tipicamente africano, trajes típicos, tipicamente... sei lá!”)
Resumindo (como se tal fosse possível): não acredito numa identidade angolana comum nem numa cultura nacional única. Prefiro aceitar a diversidade; várias identidades, várias culturas...
E para quem aprecia alguma demagogia, aqui vai a minha proposta: a riqueza (?) do nosso país não está no petróleo ou nos diamantes, mas sim na diversidade cultural!
[ Fui bem? ;-/]
A minha vivência pessoal e a experiência de mais de 20 anos a trabalhar no Ministério da Cultura de Angola (ya, comecei bwé cedo) e numa área delicada (Formação Artística), associadas aos meus parcos conhecimentos no campo da antropologia, levam-me frequentemente à reflexão sobre as questões da «identidade», um tema muito complexo, um terreno tão escorregadio.
Tão complexo e falacioso como os discursos sobre «cultura nacional».
Pela existência de diversos povos ou grupos etno-linguísticos, quer-me parecer mais sensato falar-se em diversas culturas.
Pensemos ainda nas distintas realidades urbanas (ou suburbanas) com as suas «tribos» ou grupos «periféricos» possuidores de traços identitários bem definidos e distintivos.
Há ainda outra palavra que me incomoda e com a qual não simpatizo muito: tipicamente. Parece-me um termo algo redutor a raiar o mesquinho, até...
(“tipicamente angolano, prato típico, tipicamente africano, trajes típicos, tipicamente... sei lá!”)
Resumindo (como se tal fosse possível): não acredito numa identidade angolana comum nem numa cultura nacional única. Prefiro aceitar a diversidade; várias identidades, várias culturas...
E para quem aprecia alguma demagogia, aqui vai a minha proposta: a riqueza (?) do nosso país não está no petróleo ou nos diamantes, mas sim na diversidade cultural!
[ Fui bem? ;-/]





5 Comentários:
Prezo demais a diversidade!
Vou mais longe anchando irreal querer reconhecer "uma só identidade" para o povo angolano.
Nelsinho
Nelsinho, meu querido amigo:
Pois é, mas os políticos e "aspirantes a" têm desses absurdos. Para além disso, orgulham-se de deixar fluir a ignorância. O que queres?
Bj.
Neste ping-pong em que nos metemos, foi este teu artigo que me levou a publicar os trechos do Mia Couto no meu blog. :-)
P.S. - Há poucos meses, cruzei-me com ele aqui no Porto...
Obrigada, Denudado. Eu percebi (do meu post) ;-)
Este também foi "inspirado" sob no teu rap.
A um amigo comum, tanto eu como Mia Couto revelámos o desejo de nos conhecermos. Até hoje...
»:-|
claro que "identidade nacional angolana" é coisa que não existe... ainda. concordo contigo, o que existem são várias culturas de nações diversas que, com o tempo, tenderão a misturar-se e, amalgamadas, constituirão então a tal identidade nacional.
agora, será isso riqueza? só se essa intuição se disseminar pelo povo e isso o ajude a ser feliz. de resto... não valerá grande coisa.
quanto ao petróleo, já tem dono. não pertence a Angola...
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