... (tchokwe, tshokwe, tjokwe, chokwe, mas também, aioko, bachok, bachoko, badjok, bajokwe, batshioko, batshoko, chibokwe, chivoke, ciokwe, katxokwe, kioke, kioko, tjivoke, tjivokwe, tshiboko, tshok, tschokwe, tshivokwe, tshivuokwe, tsokwe, tutxokwe, txokwe, vatchokwe, watshiwokwe, quiocos e quiboque.)
Porque achei que a resposta à interessante preocupação colocada no
Comment d@ "nu e cru" poderia servir a todos, deixo aqui uma breve explicação a partir da palavra
COKWE.
Desde Maio de 1987 que vigoram em Angola os alfabetos criados para seis das principais línguas faladas neste país (
Kikongo,
Kimbundu,
Cokwe,
Umbundu,
Mbunda e
Ocikwanyama), os quais foram elaborados por especialistas angolanos com a prestação de peritos da UNESCO, em linguística, e obedecendo a acordos estabelecidos internacionalmente. Assim, convencionaram-se as
regras de transcrição abaixo indicadas as quais, para uma melhor percepção, eu apresento com uma correspondência fonética para o Português:
C - [Tchê]
G - [Guê]
H - [Hê]- sempre aspirado, mesmo quando surge no meio da palavra
J - [Jê]
K - [Kê]
Mb - [Mbê]
Nd - [Ndê]
Ng - [Nguê]
Ny - [Nhê]
S - [Ç ou SS]
W - [U]
Y - [I]
Z - [Zê]
Quando se questiona porque não se escreve Tchokwe ou Tshokwe, sob a alegação de que são grafias mais próximas da pronúncia, pergunto sempre: pronúncia em que língua? No Português, responderão os lusófonos. Mas a palavra não é portuguesa. Os Zambianos (e todos os anglófonos) escrevem Chokwe, porque na língua inglesa "Ch" tem o valor fonético correspondente ao "Tch" em Português. Um italiano, por exemplo, não teria dificuldades em ler "Tchokwe", perante a palavra em questão, já que o som correspondente ao "Tch" em português é, no Italiano, o "C" simples. POr seu lado, os francófonos optam por usar "Tsh". Algum etnocentrismo impera ainda, infelizmente, entre alguns autores e escolas.
Tudo isto apesar do convencionado, pelo qual eu e a generalidade dos investigadores angolanos optamos, havendo ainda a registar algumas «resistências».
Uma coisa é certa, a palavra "Quioco", surgida do aportuguesamento do termo original há muito caiu em desuso no meio académico e literário, pelo que ninguém se atreve hoje a usá-la a não ser em citações ("sic"), uma vez que nada tem a ver com a sonoridade produzida pelos falantes da língua
cokwe (ou
Ucokwe).