(De)composição: «O Corpo»

Corpo belo, jovem. Corpo de criança brincando livre, cor de flores.
Corpo de homem; de mulher. Corpo único. Corpo de baile.
No cinema, o corpo de ficção, o corpo inventado. Virtual. Mentes sãs. Corpos escondidos. Castanhos, beges, claros e mais ou menos. Corpos livres, expostos sem medo.
Corpus. A morte e corpos que se arrastam vivos em mentes moribundas. Pervertidas. Corpos que não têm lugar para existir nem onde esconder a perversidade. Gastos, nojentos. Bocas flácidas babando ódio pelos cantos e regurgitando o veneno que anuncia a própria morte.
Corpos imundos esgueirando-se pela fantasia. Cansadamente arruinados e frios; roxos. Tristemente arrumados nas sarjetas que escoam para o submundo.
Olhar transparente. Olhar ingénuo. Magnético, sedutor. Olhar de mar, de limonada doce.
Olhar sórdido, libidinoso, escorrendo de olhos desfocados.
Covardemente evadidos apareçam, algozes do luto! Máscaras de aves agoirentas sem pena(s), ostentando gládios afiados.
Contra vós:
Corpos belos, jovens. Corpos de crianças brincando livres, cor de céu.
Corpos de homens; de mulheres. Corpo único.




