Depois da independência voltei para o nosso liceu!
Era o «Ano da Recuperação». Todos deveriam recuar um ano lectivo para se «acertar o passo».
Os programas haviam mudado e já dávamos História de Angola.
O D. Guiomar de Lencastre foi rebaptizado. Agora chamava-se Nzinga Mbandi.
Das professoras antigas só me lembro da minha mãe, da Aida, da Lígia, da Gracelinda...
A Fátima Fernandes era a directora. Exigente, mas amiga. E tinha mão na malta que, entretanto, se tornara rebelde!
O Sr. Kituxi, hoje o nosso grande mestre do hungo, trabalhava na secretaria.
Entrei para o 4º ano. Não gostava das aulas de Formação Política (Marxismo-Leninismo), porque eram à tarde e dadas por uma colega nossa que era da «Jota» (JMPLA), a Clarinda. O meu professor de matemática era o escritor Henrique Guerra. Gostávamos dele. Liberal. Permitia que saíssemos a meio da prova para ir ao quarto de banho e quando não acabávamos o teste, deixava-nos a terminar, pedindo para o entregarmos, mais tarde, na sala dos professores. Mas nem por isso as notas eram brilhantes.
Aos sábados havia campanhas de limpeza e todos participávamos. Não, não éramos obrigados. Gostávamos e acreditávamos mesmo que o nosso país precisava que todos arregaçássemos as mangas para fazer de tudo para o desenvolvermos.
O ambiente era diferente. Tão diferente dos tempos em que eu, menina pequena ia com o meu pai buscar a minha mãe. Parecia ter passado tanto tempo...
No ano seguinte fiz o 5º ano e, ainda com 16 anos vi-me na Universidade a fazer o Pré-Universitário.
Nesse ano comecei a dar aulas de dança e a dirigir a Escola de Dança, pois as professoras tinham ido embora... Eram tempos de experiênciar coisas novas.
Entrei para a Faculdade de Economia, mas nunca concluí o curso. Fiquei-me pelo 3º ano.
Viria a formar-me em Dança, mais tarde. Muito mais tarde...
Morava (e moro) perto do liceu. Por isso, mesmo depois de sair, passava sempre por lá e, do lado da rua, ia assistindo à sua morte lenta por degradação.
Um dia, vi obras. Uma empresa estrangeira recuperou-o todo. Ficou lindo! Outra vez pintadinho de branco, agora com umas cenas da vida da rainha Nzinga Mbandi a castanho na fachada da entrada. Os vidros todos novamente. Mas o jardim... o jardim nunca mais deu para pôr igual...