Sexta-feira, Maio 27, 2005

Concerto ao meio dia

Chopin

De marcas somos feitos. Em nós se cruzam acontecimentos, estórias, imagens, matizes e afectos. Tudo o que nos toca passa a constituir uma célula mais do conjunto de registos que já somos.
Das colunas do meu computador sai Chopin retirado da colectânea oferecida pela gentil Renata Szmidt.
«Imortal» ou descartável?
E o que isso importa, perante a sensação única que se tem ao ouvi-lo, ainda que através de outras mãos?
No jardim de Lazienki, a pianista japonesa usava um vestido comprido preto que brilhava ao sol. Tinha o cabelo curto e estava de costas para mim.
O compositor olhava-a no seu olhar de pedra.

Quinta-feira, Maio 26, 2005

Pergunta

ballet3

O que queres ser quando fores grande? A pergunta do costume, pensava eu enfadada e confusa pois nunca soube responder com convicção. De tradutora a pintora, tudo me passou pela cabeça, só para contentar alguns membros da classe de patetas que acham que perguntar sobre o futuro a uma criança é a melhor forma de «meter conversa» com ela. Enfim... coisas.
Desde cedo andei no ballet. Nunca quis ser bailarina.
Pois... coisas que (nos) acontecem.

Terça-feira, Maio 24, 2005

Impressões I

Conferência Internacional. The Human Body - A Universal Sign: The Rhytms and Steps of Africa. Jagiellonian University.
À medida que me ia aproximando do belíssimo e vetusto edifício do Collegium Maius onde estudou Nicolaus Copérnico, pensava como afinal me agradava estar entre aquele povo mais ou menos sisudo que enchia de vida as ruas e as praças de Cracóvia, sempre num silêncio impressionante.
Inevitavelmente comparei com a minha vivência africana.
19 de Maio. 11.30. Hora reservada para a comunicação de Angola. Apresentei-me com «As Máscaras de Dança Cokwe na Perspectiva de Uma Estética Africana».
Regressei pela praça central. Estava um belo dia de sol e centenas de pessoas desenhavam trajectos em todas as direcções sob um céu azul e limpo de nuvens.
O tal silêncio, sempre presente, ajudava à contemplação de uma arquitectura escapada à feroz destruição nazi.
Dobrei as folhas do meu artigo e atirei-as para o fundo da mochila. Por cima guardei a camisola preta com botões à frente. Estava calor na Polónia.

Sexta-feira, Maio 13, 2005

Estética ou estéticas?

Considerando a contribuição dada para a divulgação da arte africana acontecida nos finais do século XIX e início do século XX, quer pelos coleccionadores, quer pela influência que esta teve nas obras de artistas como Picasso, Matisse ou Braque, também se pode afirmar que ela passa a ser pensada através das categorias conceituais da arte ocidental que, numa espécie de «contemplação romântica», a foi limitando às suas funções mágico-religiosas.
Sendo evidente que o termo «estética» transporta uma carga cultural ocidental, é possível a sua utilização e ampliação no contexto da cultura africana, se o entendermos enquanto categoria qualificadora e gerindo o eventual conflito entre a subjectividade da experiência estética, experiência sensível e objectividade dos padrões e conceitos ditados e seguidos pelas culturas locais.
Como o indica o exemplo das máscaras de dança, os valores estéticos africanos mostram-se distintos dos ocidentais, já que a arte africana responde a um problema e serve uma finalidade prática.

Domingo, Maio 08, 2005

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Quarta-feira, Maio 04, 2005

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