Quinta-feira, Outubro 27, 2005

A transparência pode ser imprudente, mas é isenta - I

Não quero «trair» os meus amigos, nem apoiar os seus «opositores». Aliás, como sempre fiz questão de frisar, sou independente. Não gosto de me colar a grupos, rebanhos ou bandos (até porque agora os voos são potencialmente pandémicos).
O amor é cego, diz-se...
E é...
Angola continua a ter o mesmo pôr do sol com as cores mais belas do mundo, as mesmas praias imensas com água tépida, os mesmos rios com as quedas de água mais imponentes alguma vez vistas; tudo como revelam as saudades daqueles que há 30 anos retornaram a Portugal vindos das colónias em África.
Angola ganhou a sua independência e todos os que lutaram por ela gostamos de perceber o nosso país soberano. Mas, se os marinheiros são bons, o mesmo não se pode dizer dos timoneiros. E os grandes abutres à espreita, do lado de fora das nossas fronteiras, são mais que muitos.
Angola continua a ser o país dos sonhos de muitos: dos que nunca mais lá voltaram, dos que vivem à custa da corrupção e da extorsão... e de outros.
Mas em Angola existe uma camada que continua a acreditar em ideais de justiça. Entre esses estão os intelectuais. Mas os antigos, os meus mentores, que ainda andam a pé, que ainda escrevem, desenham e cantam melodias de revolta; que abandonam ou se abandonam ao país por não haver lugar para eles... Alguns ainda transportam a garrafa de gás pelas escadas acima até ao apartamento no 5º andar. Ainda há aqueles que, «no outro tempo» pertenciam à tal burguesia, mas optaram por ficar, por se entregar, por se esvaziar à procura da quimera e que, de repente, percebem que ninguém dá mais conta que eles existem. Desses, alguns «enfiam cervejas pela goela abaixo», mas para esquecer. Alguns estão doentes. Pobres amigos... Cirrose, dizem. Trombose também. E ainda assim, os nossos olhos brilham de esperança.

2 Comentários:

Anonymous Maz disse...

Ao som da música leio com bastante interesse este teu têma sobre Angola! Não pares...

Mazungue

28-10-2005 20:01  
Blogger Leston Bandeira disse...

Pwo, ninguiém se atrveu a interrogar-me sobre as minhas avaliações de Agostinho Neto. Provavelmente, ninguém se deu ao trabalho de tentar perceber que elas não eram o simples prazer de dizer mal, mas um grito de "basta". Já fomos enganados o que basta. Apreciei a sua pergunta e o modo como aceitou a min ha explicação. Gosto do seu blogue e do nome que adoptou para ele. Lembra um romance, uma estória, a fazer esquecer a História.

A partir de agora faz parte dos links dos meus três blobgues. Bem Vinda.

28-10-2005 22:57  

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