Terça-feira, Junho 07, 2005

O Liceu – VI

Hoje, quando me cruzo com o NOSSO liceu, penso na forma como a história passou por ele e por mim, penso em tudo o que lhe aconteceu a ele e a mim, em todas as pessoas que por ele passaram... e por mim.
Os alunos ainda enchem as varandas, mas o jardim já quase não tem árvores.
No seu espaço, existem agora uma série de pavilhões construídos para albergar o número de alunos que não para de aumentar.
No camarim das roupas coloridas e atraentes vivia um militar maluco que andava nu e se lavava numa torneira onde antes se ligava aquela mangueira imensa que regava a relva, hoje apenas terra vermelha.
Mas o liceu está lá. Nzinga Mbandi! Firme e cheio de jovens sempre de batas brancas. Alguns vidros outra vez partidos e alguns papéis no chão.
A zona dos campos de desporto, na parte de trás, foi negociada e agora é um parque de estacionamento de uma empresa qualquer.
No largo em frente, onde paravam os carros dos papás e as motos dos «pretendentes» à hora da saída, kitandeiras vendem mangas, abacaxi, abacates, mikates e chinelas havaianas em grandes bacias; vendedores ambulantes apregoam cigarros, roupa interior, acessórios para carros, sofás, fatos de banho, espelhos, cassetes de filmes pornográficos e ferragens; os ardinas também passam para vender os jornais (mais caros que o preço neles impresso) e a revista Caras edição Angola, onde um jet set de novos ricos não se envergonha de afrontar, em poses estereotipadas e sorrisos idiotas, os que pouco ou nada possuem.
Nas conversas, quando me perguntam onde estudei, respondo: no Nzinga.

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