O Liceu – III
No ano de 1973 entrei finalmente para o liceu como aluna. Nesse tempo já se podiam usar as batas curtinhas. As minhas eram tão curtas que a minha mãe mandava sempre fazer uns calções do mesmo tecido; para quando eu fosse ao quadro... Mas era ela que não gostava de me ver de bata comprida, pelos joelhos, apesar das minhas pernas que pareciam dois esparguetes.
Lá estavam as mesmas professoras e também alguns professores homens: o Seabra e o Enes Ferreira (filho da professora Clotilde, de Ginástica). A Lígia era a mesma, bem como a Dilma que se fechava no armário dos instrumentos musicais (naquela sala no fundo do jardim) e, quando nós achávamos que ía ser borla.... Zás! Ela saía lá de dentro, tipo «Surprise!», mas gritava primeiro «Abre-te césamo!». Era um bocado passada, mas muito fixe. Muito mais tarde, nos anos 80, numa das minhas viagens a Portugal para os habituais cursos de verão, ainda fui com ela lanchar à pastelaria Ferrari (antes do incêndio, portanto).
Continuava a gostar de ir para a cerca, mas já não visitava tanto os jacarés. Também não fumava.
Eram os tempos da Pró-Associação e do Grupo de Trabalho; do MPLA e da UNITA; da FNLA. O movimento político entrava na escola e separava os alunos por «simpatias».
Mas o ano lectivo não chegou ao fim. A «invasão» pelos alunos da Industrial (?) apanhou-nos em plena aula de inglês. Enquanto a professora Lígia ficava branca de medo, nós espreitávamos pelas janelas. Quando voltámos a olhar para a secretária, ela havia «bazado», deixando-nos ali, uma turma de miúdos de 12 anos, sozinhos.
De tudo isso, a última imagem que retive foi a do professor João Freitas e da Fátima Fernandes a segurarem os portões. Depois... não me lembro de mais nada.
Lá estavam as mesmas professoras e também alguns professores homens: o Seabra e o Enes Ferreira (filho da professora Clotilde, de Ginástica). A Lígia era a mesma, bem como a Dilma que se fechava no armário dos instrumentos musicais (naquela sala no fundo do jardim) e, quando nós achávamos que ía ser borla.... Zás! Ela saía lá de dentro, tipo «Surprise!», mas gritava primeiro «Abre-te césamo!». Era um bocado passada, mas muito fixe. Muito mais tarde, nos anos 80, numa das minhas viagens a Portugal para os habituais cursos de verão, ainda fui com ela lanchar à pastelaria Ferrari (antes do incêndio, portanto).
Continuava a gostar de ir para a cerca, mas já não visitava tanto os jacarés. Também não fumava.
Eram os tempos da Pró-Associação e do Grupo de Trabalho; do MPLA e da UNITA; da FNLA. O movimento político entrava na escola e separava os alunos por «simpatias».
Mas o ano lectivo não chegou ao fim. A «invasão» pelos alunos da Industrial (?) apanhou-nos em plena aula de inglês. Enquanto a professora Lígia ficava branca de medo, nós espreitávamos pelas janelas. Quando voltámos a olhar para a secretária, ela havia «bazado», deixando-nos ali, uma turma de miúdos de 12 anos, sozinhos.
De tudo isso, a última imagem que retive foi a do professor João Freitas e da Fátima Fernandes a segurarem os portões. Depois... não me lembro de mais nada.





2 Comentários:
Que engraçado encontrar de repente num blogue o nome da minha mãe - a professora Lígia Carvalho!
Engraçado e inesperado!
Recentemente sei que a minha mãe foi a um encontro de professoras+alunas(?) do Liceu Guiomar de Lencastre.
Olá João,
Também me lembro de ti pequenino, da tua irmã Paula (?).
Vinham cá a casa com a vossa mãe que era colega e amiga da minha.
Fui a um desses encontros e acabou!
De todas as formas... continuo em Luanda (bem como a minha mãe) e cá não há muito disso.
Bjnhos para todos
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