Quinta-feira, Março 03, 2005

Mukixi wa Mwana Pwo

Máscara COKWE Mwana Pwo Bué cedo subi aos palcos. Mas em todo o meu percurso de bailarina nunca aprendi a representar a falsidade. Na sociedade tradicional cokwe, a comunidade junta-se no centro da aldeia para ver a máscara Mwana Pwo dançar. Ela também não esconde o que não é, e representa o ancestral feminino. Ao lado dela, as mulheres aprendem as boas maneiras, os princípios éticos, a solenidade com que se devem impor na colectividade.
Todos os papeis que assumi e assumo enquanto intérprete, são baseados nas minhas vivências, restando-lhes sempre o real. Nunca danço a fazer de conta e também não finjo quando estou no palco... Nem quando estou fora dele.
Entre os Tucokwe, as máscaras não são um disfarce, mas sim uma instituição que contribui para a perpetuação das diligências sociais e culturais, para a transmissão do conhecimento colectivo e para a negociação das grandes preocupações e aspirações humanas.
Através daquela se celebra a esposa, a irmã, a mãe. Através dela se declara a autoridade e o papel moderador da mulher na sociedade cokwe.
Com ela aprendi a dançar a verdade. Com ela aprendi a dignidade de ser mulher.
Foi o Mukixi wa Mwana Pwo que me mostrou, na honestidade, na autenticidade dos seus sábios gestos de dança, como partilhar com o público, desprezando a inveja dos que morrem.

1 Comentários:

Blogger JPN disse...

excelente ideia sobre as máscaras. vou levá-la para o "respirar"

22-06-2005 15:02  

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