Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Textos que Sobraram 7 - Branco, cinzento e amarelo

Hoje madruguei. Estava incompleta. Pensava em alguém que há muito não via.
Deambulei a água pelo rosto e salpiquei o espelho de vontade de me sentar nos seus joelhos a ouvir aquelas estórias sobre a estrada das estrelas... Ou outras quaisquer.
Rapidamente - tanto quanto me é permitido a esta hora - olhei para a porta e pensei premir o botão de abrir. Esperaria alguns segundos e olharia de novo para o relógio.
...Estava em branco... O tempo tinha sido desviado pelo mar.
Escutei o ranger da porta virtual e o cinzento desceu. Havia nevoeiro e uma cortina de palidez passeou-se pelos meus ombros.
Eu.
Levava flores... Para quê? Preferi não acreditar na resposta.
De dentro do meu avesso saiu o medo de que o dia seguinte não quisesse encontrar novamente aquele passado, tão próximo agora.
Avancei, carregando noutra tecla. Vazio, o estojo de cumprimentos. Olhei as pétalas de dedos espalhadas no teclado. Eram amarelas... Como aqueles sorrires de ocasião.
Fechei a preocupação sob as minhas pálpebras e apertei, um por um, os botões da minha vontade.
Fui deitar-me de novo.
Hoje é mesmo outro dia...
Será?... Ou apenas mais um para estrear?

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