Um Café na Esplanada 8 - Não vou aparecer
... Subitamente, sem saber bem porquê, lembrei-me deste fragmento do poema de Miguel Torga... «Desfecho».
Sento-me de costas para o mar e vejo o espelho que segue a minha respiração. Aos poucos, os meus gestos vão desaparecendo. Fecho os olhos e tenho a certeza de que oiço aquela voz muda e escondida:
Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte.)
Fico incomodada... desisto de abrir a minha janela. Só para não aparecer.
Sento-me de costas para o mar e vejo o espelho que segue a minha respiração. Aos poucos, os meus gestos vão desaparecendo. Fecho os olhos e tenho a certeza de que oiço aquela voz muda e escondida:
Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte.)
Fico incomodada... desisto de abrir a minha janela. Só para não aparecer.





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