Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Um Café na Esplanada 7 - Do outro lado

Atrevendo-me a pensar que Wim Mertens a compôs para mim, passo-me para «Au delà du fleuve».
Em posição vertical, flutuo no brilho do sol queimando razões, e a minha vontade de sorrir pensamentos que se «catadupam», sem fim, pelas tranças dos meu dias.
Aqui e agora revejo o tudo e o penso invenção. Incolor. De música em música adolesci de novo e me deixei prender aos olhos da diferença, ao cérebro inventado, à alma gémea... Simulacro quase perfeito.
Mas aqui e agora, não te elejo sentido. Não és sinfonia para os meus dedos, não és sobressalto ao levantar. Neste momento, não és íman para a minha voz. Não és dança para o meu corpo.
Na cartografia da minha desordem, hoje és, ao longe! Sem motivo para aportar no mar que inunda a minha esplanada.
Tenho pena de ti, de ambos... O que esperas, para resgatar quem, de tanto te sonhar livre, de tanto te gostar sem malícia, de tanto te engendrar sedutor... te quer sereno e presente, pleno e distinto?
O que te leva, Meu País, à humilhação da covardia, à vergonha da desfaçatez?
Em posição horizontal, flutuo no brilho da lua arrefecendo razões, e a minha vontade de chorar pensamentos que se desbotam, assim, pela pulseira vermelha e preta que, maquinalmente, afago todas as noites.

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