Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Um Café na Esplanada 5 - Strip Tease

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
Sophia A.

Em frente ao mar... caminho. O meu vestido, grávido de cinco meses é longo e pesado, apesar da transparência. Mas... para trás fica o teu olhar, perdido nos meus olhos, fazendo-me juras de amigo. Os teus olhos querendo ver-me sempre, percebendo-me frágil, dizendo-me tão perto.
Para trás, a sombra do teu sorriso. O sorriso mais bonito que colhi da última lua cheia. E os teus lábios... cantando-me versos de outros, por ti pensados para mim. A tua boca repetindo o teu medo de me desiludires, de me perderes... o teu orgulho de me saberes tua amiga. O teu sorriso, que eu imaginei incapaz de me falar mais alto que o sussurro das ondas pequeninas.
Para trás, os teus dedos grossos enleados nos meus, finos, ficaram sem se tocar. Os teus dedos parados de juntar letras nas palavras mais bonitas, tacteando o mais profundo do meu coração. Os mesmos dedos que folheiam livros sem fim e que agora não sinto mais desenharem a forma do meu rosto.
Vou-me despindo para o mar... deixando os papelinhos de nós conversando com o sol que começa a pintar de azul um céu sem nuvens.
Soletro os dois poemas da Sophia que tu me ensinaste, de uma vez só, a redescobrir assim:

És tu a Primavera que eu esperava / A vida multiplicada e brilhante / Em que é pleno e perfeito cada instante.
Pudesse eu não ter laços nem limites / Ó vida de mil faces transbordantes / Para poder responder aos teus convites / Suspensos na surpresa dos instantes!


(Lembras-te? O meu sorriso é rasgado)
Com a água acariciando-me os tornozelos, reparo então que a sétima onda nunca chegou. O mar está quieto. Tu ficaste para trás, mas em mim, esperando.
E de novo, as palavras dos outros que eu própria escolho para dizer:

De todos os cantos do mundo / Amo com um amor mais forte e mais profundo / Aquela praia extasiada e nua / Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Como o vento, estás parado. Eternamente e sem ternura, a tua inesperada rudeza junta o mar aos meus olhos, agora esverdeados e fundos de tristezas que não sei explicar.
Quero desistir! Enganei-me... A minha lua não é aquela que fugiu para tão longe! A minha parecia boa e amiga, suave e quente, presente e sincera. E fazia-me sorrir, acreditar. Dançar!...A minha lua nunca se esconderia. Vinha ver-me sempre e jurava para sempre! Era linda e eu adorava-a, porque me prometia colo e o abraço eterno!
Amigo:Deixa-me falar-te com a Sophia A. Só... uma vez mais:

Dei-te a solidão do dia inteiro / Na praia deserta, brincando com a areia, / No silêncio que apenas quebrava a maré cheia / A gritar o seu eterno insulto, / Longamente esperei que o teu vulto / Rompesse o nevoeiro.

1 Comentários:

Blogger Phwo disse...

Ehehehhehe, Streap Tease, ou uma lamechice à antiga. Kurti e estou a komentar à (muito) posteriori, claro! ;)

01-03-2005 5:05  

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