Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Um Café na Esplanada 3 - Sonhar...

Hoje fiquei muito tempo sozinha. Pensei em ti. Acabamos sempre a pensar em quem gostamos quando ficamos sózinhos.Mas tu... não «aparecias». Ouvi Chopin, Bach, Lizt e Haendel (embora não seja natal). Os discos de Mozart, deixei-os de lado.O sol apareceu timidamente à tardinha e convidou-me a um passeio que se fez longo... e belo.
Levei comigo a possibilidade de vires ao meu encontro... Mas não acreditei. Ainda assim, fui esperando e gastando os olhos em tudo o que na cidade não vejo.
Por fim, sentei-me e estavas ao meu lado. Também olhavas o rio cor de prata e não me deixaste ter frio.
A tua voz não era tão forte e eu dei-te um beijinho no rosto, igual ao meu: laranja pálido da cor do sol que desaparecia. Quando olhei para o lado, já não estavas. Apenas o teu sorriso...
Em cima da mesa da biblioteca estava um livro com este poema:

O sorriso , de Eugénio de Andrade

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

... e guardei-o para te dar. Espero que gostes.

Achei-o «bem», para contrastar com tudo de feio que se tem passado na Sanzala.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial

users online