Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Um café na Esplanada 1 - Esplanada

Entro para a esplanada (ou será que saio?). O corpo é mais que uma máquina. Mas o meu não bebe «Imperiais» (porque será que nunca faço o que normalmente é prática nestes espaços sociais?). O calor não me aperta, não me molesta, mas também não solta o que de mais espectacular há em mim: a preguiça. No entanto não vou à praia. Horas em filas de carros cheios de pessoas estufadas, com os vidros fechados para fingir o ar condicionado; multidões de todos os tons de branco (desde o transparente osga, ao castanho sucedâneo de chocolate) vestidas de cores «alegres», pirosas, bonés de propaganda imperialista, lambendo alarvemente gelados que escorrem pelos pulsos acima, arrastando cadeiras de plástico e sombrinhas desbotadas. E lá vão eles de ténis e peúgas de turco (vejam lá!) e toalha ao ombro pela praia fora, mais dez minutos até chegar perto de um mar estupidamente gelado.
Da esplanada, recrio cenários mentais que me transportam para outro azul. Revejo o Mussulo, mas sem as casas com ar condicionado dos mwatas, dos idiotas e dos novos ricos, aquele Mussulo ainda com os coqueiros todos, ainda com os acessos à contracosta sem os arames farpados e os condomínios com piscina de água doce da HP.
Pois, o Mussulo ao fim da tarde... A lua a espreitar... O Mussulo de 1980 e não outro...
Doutor, ainda estás aí? Acho que, por querer, também estive na sombra das pálpebras a fingir que pensava.
Não quero que o verão passe, nunca mais!

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