Refeição
Nesses tempos, em que rareava quase tudo menos o entusiasmo sustentado pela decisão de mudar aquela Angola...
De manhã, como todos os dias, o meu avô, saiu e desceu a rua assobiando, com as mãos atrás das costas. Nunca se esquecia do boné.
Fui à escola. Voltei. Quando entrei em casa, admirei-me com a minha poderosa memória olfactiva e com a minha imaginação, pois fui capaz de reconstituir o cheiro a bifes, daqueles que comíamos quando íamos de férias. Fantástico, pensei. Até o peixe já me cheira a carne. Entrei na cozinha. A kota Francisca estava lá, em frente da frigideira reluzente. Hoje ela estava contente. Percebi porquê.
Sentámo-nos à mesa, não rezámos e o pankê chegou. Servimo-nos. Primeiro, a minha mãe, depois o avô, a seguir o meu pai... e os kandengues com a gula, à espera, no fim da vez.
A comida era mesmo diferente. Estava boa. Bála bála! A kuiar!
Só tinha uns ossinhos que sobravam teimosos na boca depois de engolir cada garfada.
Ossinhos?! Então era mesmo... Era carne de verdade sem ser em lata!
Só quando já estávamos a comer uma manga é que percebemos que o meu avô - a quem tinham sobrado uns kambas da «Metrópole», donos de armazéns e de mercearias - nessa manhã saiu para trazer aquela carne triturada com ossos e tudo, que no «tempo anterior» se comprava para dar aos cães.
(E desta, lembravas-te Kilha? Também pitaste, né? E não estamos aqui?...)
De manhã, como todos os dias, o meu avô, saiu e desceu a rua assobiando, com as mãos atrás das costas. Nunca se esquecia do boné.
Fui à escola. Voltei. Quando entrei em casa, admirei-me com a minha poderosa memória olfactiva e com a minha imaginação, pois fui capaz de reconstituir o cheiro a bifes, daqueles que comíamos quando íamos de férias. Fantástico, pensei. Até o peixe já me cheira a carne. Entrei na cozinha. A kota Francisca estava lá, em frente da frigideira reluzente. Hoje ela estava contente. Percebi porquê.
Sentámo-nos à mesa, não rezámos e o pankê chegou. Servimo-nos. Primeiro, a minha mãe, depois o avô, a seguir o meu pai... e os kandengues com a gula, à espera, no fim da vez.
A comida era mesmo diferente. Estava boa. Bála bála! A kuiar!
Só tinha uns ossinhos que sobravam teimosos na boca depois de engolir cada garfada.
Ossinhos?! Então era mesmo... Era carne de verdade sem ser em lata!
Só quando já estávamos a comer uma manga é que percebemos que o meu avô - a quem tinham sobrado uns kambas da «Metrópole», donos de armazéns e de mercearias - nessa manhã saiu para trazer aquela carne triturada com ossos e tudo, que no «tempo anterior» se comprava para dar aos cães.
(E desta, lembravas-te Kilha? Também pitaste, né? E não estamos aqui?...)





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