«Histórias de Encantar» VIII - A Liga que te (pro)meti.
... E eles, os convidados em uníssono, gritavam, já algo «avinhatados», o nome da noiva. Ela, a noiva, sem se descompor e com o olhar no chão, erguia, no entanto o sobrolho direito varrendo a plateia com um olhar transverso e avaliador. É agora..., pensava ela para com os seus atilhos (que os botões dão muito trabalho depois com as pressas!) - já aliviados - do corpete de tafetá.
Então, para surpresa de todos «la voila», qual Liza Minelli naquele filme cujo nome não se pode pronunciar diante de tantas donzelas casadoiras, subindo arrojadamente para cima de uma das cadeiras de ferro forradas com um cetim já meio «coçado». Os amigos dão uma ajudinha, não fosse ela cometer um deslize durante a subida para a mesa.
A mãe perguntando às amigas que linda está a minha filhinha não está? As amigas da mãe acenando as cabeças, e de mãos agarrando com força as carteiras atulhadas de croquetes, rissóis e umas fatias de carne assada que dão sempre imenso jeito para o almoço do dia seguinte, entressonham um casamento igual para as suas cachopas. O pai, já arroxeado e tentando equilibrar-se junto ao guitarrista do conjunto, depois de lhe ter puxado várias vezes o paletó azul de lantejoulas, hesita entre uma zurrapa (o branco) e outra (o tinto).
As amigas dos vestidinhos de chita «tão mimosos» e «folhosos», com um cândido sorriso nos lábios e olhar deslumbrado, a desejarem intimamente que a sua melhor amiga caísse ruidosamente (que reles-zinhas que elas são!).
E começa o leilão.
Ela, a noiva, mostra o tornozelo grosso a sair de dentro dos sapatos onde o pé já tinha posto «o feitio» de joanete. Os amigos exclamam... ah! Todos e todas aplaudem!
A noiva levanta mais um pouco da encardida bainha do vestido, um exclama mil; Outro mil e cinco! Todos aplaudem! Muitos exclamam... ahhhhh! E a pobre e recatada moça lá vai subindo a saia pondo a descoberto uma leitosa e grossa perna... de rapariga trabalhadeira, pois então! A mãe, agora com falta de ar (pró que lh’havia de dar!), junta-se às avós que alternam ruidosos «arfanços» com uns gemidos tipo ai Jesus! O pai já vê a filha a dobrar e parece-lhe estar perante uma aranha gigante. E a saia sobe sempre, para aumentar a parada. Vinte mil! As mulheres dos amigos, já com o baton derretido a escorregar pelos cantos da boca gritam de buço arreganhado, esbracejam e desajeitam os decotes para atrair a atenção dos seus maridos. Eles, os maridos concentram-se alarvemente naquela perna peluda, vítima de uma depilação esquecida. Com o suor a escorregar pela testa, vão tirando dos bolsos das calças (aproveitam para verificar o fecho éclair), amarrotados lenços daqueles que se compram em lotes de seis, um de cada cor e são tão jeitosos, não são? Ganem... ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!... e levam o lenço à boca para limpar a baba (é possível consertar-se este computador que não escreveu o erre?) e continuam a desejar (é sinónimo de olhar, não é?) o tal pernil e a prometer, com as pernas bambas, o dinheiro poupado para a compra do carrinho (até já têm a garagem construída) e para pagar os estudos do filho mais velho na capital. Ela, a noiva, já com o vestido a meio da coxa, o cabelo em deslinho e os olhos revirados em quebranto, deixa finalmente à vista a tão cobiçada liga. Ninguém dá mais!?...O silêncio percorre a sala e os «ânimos» arrefecem (Ufa! Finalmente). Apenas uma avó, agora em tom mais debilitado, insiste num gemido ai Jesus, balbuciando em seguida um... que pouca vergonha, este violentamente calado por uma pisadela da mãe, coitadita, a disfarçar o embaraço. Enfim...
No fim...
A liga, era afinal um belo suporte em couro, com respectiva faca, brilhando e constrangendo (também ficava bem, encantando...) familiares, convidados, empregados e...
A noiva era afinal eu, mas com o aspecto da Lara Croft, claro (a) está e...
Acordei...
Moral da História: Devemos sempre sentir-nos envergonhados e arrependidos por nos acharmos parecidos com a Angelina Jolie.
Então, para surpresa de todos «la voila», qual Liza Minelli naquele filme cujo nome não se pode pronunciar diante de tantas donzelas casadoiras, subindo arrojadamente para cima de uma das cadeiras de ferro forradas com um cetim já meio «coçado». Os amigos dão uma ajudinha, não fosse ela cometer um deslize durante a subida para a mesa.
A mãe perguntando às amigas que linda está a minha filhinha não está? As amigas da mãe acenando as cabeças, e de mãos agarrando com força as carteiras atulhadas de croquetes, rissóis e umas fatias de carne assada que dão sempre imenso jeito para o almoço do dia seguinte, entressonham um casamento igual para as suas cachopas. O pai, já arroxeado e tentando equilibrar-se junto ao guitarrista do conjunto, depois de lhe ter puxado várias vezes o paletó azul de lantejoulas, hesita entre uma zurrapa (o branco) e outra (o tinto).
As amigas dos vestidinhos de chita «tão mimosos» e «folhosos», com um cândido sorriso nos lábios e olhar deslumbrado, a desejarem intimamente que a sua melhor amiga caísse ruidosamente (que reles-zinhas que elas são!).
E começa o leilão.
Ela, a noiva, mostra o tornozelo grosso a sair de dentro dos sapatos onde o pé já tinha posto «o feitio» de joanete. Os amigos exclamam... ah! Todos e todas aplaudem!
A noiva levanta mais um pouco da encardida bainha do vestido, um exclama mil; Outro mil e cinco! Todos aplaudem! Muitos exclamam... ahhhhh! E a pobre e recatada moça lá vai subindo a saia pondo a descoberto uma leitosa e grossa perna... de rapariga trabalhadeira, pois então! A mãe, agora com falta de ar (pró que lh’havia de dar!), junta-se às avós que alternam ruidosos «arfanços» com uns gemidos tipo ai Jesus! O pai já vê a filha a dobrar e parece-lhe estar perante uma aranha gigante. E a saia sobe sempre, para aumentar a parada. Vinte mil! As mulheres dos amigos, já com o baton derretido a escorregar pelos cantos da boca gritam de buço arreganhado, esbracejam e desajeitam os decotes para atrair a atenção dos seus maridos. Eles, os maridos concentram-se alarvemente naquela perna peluda, vítima de uma depilação esquecida. Com o suor a escorregar pela testa, vão tirando dos bolsos das calças (aproveitam para verificar o fecho éclair), amarrotados lenços daqueles que se compram em lotes de seis, um de cada cor e são tão jeitosos, não são? Ganem... ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!... e levam o lenço à boca para limpar a baba (é possível consertar-se este computador que não escreveu o erre?) e continuam a desejar (é sinónimo de olhar, não é?) o tal pernil e a prometer, com as pernas bambas, o dinheiro poupado para a compra do carrinho (até já têm a garagem construída) e para pagar os estudos do filho mais velho na capital. Ela, a noiva, já com o vestido a meio da coxa, o cabelo em deslinho e os olhos revirados em quebranto, deixa finalmente à vista a tão cobiçada liga. Ninguém dá mais!?...O silêncio percorre a sala e os «ânimos» arrefecem (Ufa! Finalmente). Apenas uma avó, agora em tom mais debilitado, insiste num gemido ai Jesus, balbuciando em seguida um... que pouca vergonha, este violentamente calado por uma pisadela da mãe, coitadita, a disfarçar o embaraço. Enfim...
No fim...
A liga, era afinal um belo suporte em couro, com respectiva faca, brilhando e constrangendo (também ficava bem, encantando...) familiares, convidados, empregados e...
A noiva era afinal eu, mas com o aspecto da Lara Croft, claro (a) está e...
Acordei...
Moral da História: Devemos sempre sentir-nos envergonhados e arrependidos por nos acharmos parecidos com a Angelina Jolie.





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