«Histórias de Encantar» VII - Mea Culpa
Pois eu confesso ter andado a fixar atentamente o corpinho de cristo, pensando seriamente se o poderia contratar ou não para a minha Companhia. Estava eu “piamente” ajoelhada no altar a pensar nos testes de aptidão física a que o haveria de submeter antes da admissão, quando dei por uma serie de devotas frequentadoras do local percorrendo-o de cima a baixo com olhares languidos e ávidos - e muito mais a baixo - para o paninho que cobria o meu futuro bailarino. Confesso ainda ter imediatamente sido assolada pelas palavras: êxtase, santinhas, cobiça, dissolutas, concupiscência, desfalecer e libidinosamente.
Detestando estar a pôr o dedo nas chagas (até porque sem luvas é cada vez mais perigoso), temo, no entanto vir a ser excomungada por querer contratar o próprio representante do Senhor, apenas para tentar minorar o pecado de uma profissão em que o corpo é usado inadvertidamente e sem tabus.
Achando que a minha expulsão, só por estas ninharias, seria verdadeiramente injusta, vou continuar a abrir audições em todas as praças, na esperança de encontrar os melhores bailarinos, cantores, comediantes e artistas em geral, como convém a um coreógrafo contemporâneo.
Moral da História:Amén, digo, A mim (esses génios do espectáculo)!
Detestando estar a pôr o dedo nas chagas (até porque sem luvas é cada vez mais perigoso), temo, no entanto vir a ser excomungada por querer contratar o próprio representante do Senhor, apenas para tentar minorar o pecado de uma profissão em que o corpo é usado inadvertidamente e sem tabus.
Achando que a minha expulsão, só por estas ninharias, seria verdadeiramente injusta, vou continuar a abrir audições em todas as praças, na esperança de encontrar os melhores bailarinos, cantores, comediantes e artistas em geral, como convém a um coreógrafo contemporâneo.
Moral da História:Amén, digo, A mim (esses génios do espectáculo)!





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