Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Café do desassossego 7 - Tásssssssssse!

E engraçado como o ser humano é igual a ele próprio. Sempre descontente, sempre insatisfeito com aquilo que ele próprio inventa.
"- Diga?... Ah, sim, desculpe. Eu já peço."
Mas, como dizia, ainda bem, pois isso traz o conhecimento e o progresso, mas ainda mal, pois instala-se uma espécie de frustração que nunca mais nos larga.Ainda que mal pergunte, porque cheira o café a mofo? Será do meu nariz, mas a mim não me cheira. E não é da máscara pois ela tem lugar de cheirar, de respirar e de falar. E de ver também. Só oiço o inevitável cheiro a fumo, mas esse, já faz parte da decoração.Também continuo sem frio e sem calor... e sem bolor. Tento ser criativa e invento cores, texturas, temperaturas e personagens que comigo interagem neste e em todos os cafés que desenho (não gosto de cafés sempre iguais). Nem preciso de os conhecer ao vivo. Imagino-os! E é bem fixe! Gosto de todos. Bem... de quase todos. Já imaginaram como seria toda a gente a falar ao mesmo tempo e sem pausas? (É caso para atirar essa exclamação que anda por aí, já à solta). Pois eu sinto-me bem e gosto destas nuances de ritmo. Por isso prefiro dizer: Tássssssssssse!
"- Diga? Ah, sim, desculpe. Hoje era um chá de camomila. Duplo, por favor!"
Nota: Pensando bem, eu acho que o café não devia mudar de poiso, mas sim de piso. Doutor, porque não no terraço? Assim o fumo basava rapidinho e o tal cheiro que eu não estou a ver, também. Pense na minha proposta, mas NÃO desista deste negócio. Mesmo que não seja rentável para o bolso, é-o para a alma (será que agora fui bem?).
Pwo (a refilar sozinha porque queimou a língua no chá. Castigo de quem? Não, não é desse que estão a pensar.)

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