Café do desassossego 3 - Transparências
A sério! É verdade que não gosto nada de cafés. No entanto este é, quase irresistível. De tal maneira que me chega a aborrecer esta mania de passar à porta, os dedos a puxarem as mãos para as teclas de entrar. Nunca deveria ter cedido, talvez. Até nem conhecia ninguém... Depois... Esta minha timidez que me impede de aproximar e ir cumprimentando a "esquerdo e a direito". Mas simpatizei com as diferenças embora separe nos bolsos as pedras, as nuvens, as conchas, as estrelas e os cacos (é preciso reciclar!). Tenho bué de lugar. Alguns bolsos são grandes, outros... "Nem tanto". Também não gosto do frio. Mas também não me importa, pois passo ao lado e ainda o consigo rasteirar. Só tenho pena que as pessoas não sejam sempre da cor do mar. Mas assim isto não era um café; era uma nave "especial" cheia de seres estranhos. Doutor, nas férias venho à experiência. Trago um saco transparente cheio de CDs. Sei lá... Acredito no poder da arte. Mas venho só eu. Com máscara e com pulseira no pé, só que a minha é especial. É de missangas pretas e vermelhas e prende-me à liberdade. Por isso, hoje vou até ao balcão pedir um copo de água. Não sei... Gosto daquela cor.





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