Bellos Tempos!...
Nesses tempos, ainda acreditávamos. Não nos corria mal a vida, não nos lamentávamos. O que era isso? Tínhamos aprendido que esse era o caminho para a quimera.
E tudo o que hoje retiro da estante das recordações, tem sabor a graça, a alegria. E nunca a "pão que o diabo amassou".
A alegria que sinto em ter tido sempre a capacidade e a lucidez de nem me lembrar que era infeliz por comer carne para cão ou usar a água da banheira até acabar a reserva (e o banho de caneca?). Isso era "normal" e tinha adquirido o estatuto de "somenos importante". Usar a roupa que saía nas lojas e chegar à faculdade e estar tudo vestido com o mesmo, desde o professor até aos empregados de limpeza. Lembram-se desta? Mas, o que importava o "embrulho"?
E lá íamos nós, convictos, para as manifestações que desembocavam quase sempre no largo 1º de Maio onde a "actividade" prosseguia com um discurso de 1, 2, 3 e mais horas em que, de vez em quando, lá levantávamos o braço e gritávamos aquelas palavras de ordem com que animavam (ou entretinham, como preferirem) as "massas". Nós não tínhamos opção. Íamos com os kotas e ponto final. O do Fidel foi o mais cruel para nos, os kandengues, que estávamos a ver a hora da praia basar na fala daquele homem que nem parava para beber água. Mas era um grande homem. Era o nosso exemplo, e depois?
Épocas, homens, mentalidades e saudades. Não do futuro, mas da esperança e daquela inocência mais ou menos colectiva (ainda) em acreditar que seria possível.
Se voltasse atrás, faria tudo de novo. Apenas me recusaria... a tomar banho com Lifeboy!
E tudo o que hoje retiro da estante das recordações, tem sabor a graça, a alegria. E nunca a "pão que o diabo amassou".
A alegria que sinto em ter tido sempre a capacidade e a lucidez de nem me lembrar que era infeliz por comer carne para cão ou usar a água da banheira até acabar a reserva (e o banho de caneca?). Isso era "normal" e tinha adquirido o estatuto de "somenos importante". Usar a roupa que saía nas lojas e chegar à faculdade e estar tudo vestido com o mesmo, desde o professor até aos empregados de limpeza. Lembram-se desta? Mas, o que importava o "embrulho"?
E lá íamos nós, convictos, para as manifestações que desembocavam quase sempre no largo 1º de Maio onde a "actividade" prosseguia com um discurso de 1, 2, 3 e mais horas em que, de vez em quando, lá levantávamos o braço e gritávamos aquelas palavras de ordem com que animavam (ou entretinham, como preferirem) as "massas". Nós não tínhamos opção. Íamos com os kotas e ponto final. O do Fidel foi o mais cruel para nos, os kandengues, que estávamos a ver a hora da praia basar na fala daquele homem que nem parava para beber água. Mas era um grande homem. Era o nosso exemplo, e depois?
Épocas, homens, mentalidades e saudades. Não do futuro, mas da esperança e daquela inocência mais ou menos colectiva (ainda) em acreditar que seria possível.
Se voltasse atrás, faria tudo de novo. Apenas me recusaria... a tomar banho com Lifeboy!





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