As Bichas ou Convívios ao Fim da Tarde
E o tempo de esperar nas bichas?
Naquele dia, era fim de tarde. Fomos ficar na bicha daquele supermercado na Maianga... daquele branco, o Cardoso que depois foi kangado no processo da kamanga (mas já saiu e continua lá na sua loja). As bichas não eram sempre lugar de makas, empurrões e barulho. Eram locais de convívio. Cá não havia essas revistas cor de nome de flor. Então, nas bichas ouviam-se as novidades sociais que, à época, não eram bizarras. Mas também ficávamos a saber como ia a guerra. Se a UNITA tinha avançado; Se tinha «comido»; Se os karkamanos sul africanos tinham morto quantos FAPLAs... Era assim, nas bichas.
Havia os profissionais das pedrinhas. Iam cedo, ainda o dia estava a acordar, assim lilás, e eles já tinham madrugado; bué de pedras em cima de cartões. Quem quisesse, podia comprar lugar. Como no cinema: mais atrás, mais à frente, centrais. E conforme o tempo que querias ficar lá a conviver.
Mas nesse fim de tarde, entrarmos no Cardoso, de cartões preparados para as cruzinhas: 2kg de «assucar» mulato, 5 latas de «xalxixas», 3 pacotes de «kissuku», 2 tubos de «pepsodente», 1 pacote de Modess, 4 sabotenes Lifeboy (beck!)... e o empregado ia verificando e anotando. Chegou a altura do arroz com gorgulho e o meu kota perguntou: "- Então, esse arroz, assim com bicho é mais caro, não?" Ao que o empregado, muito à vontade e sem hesitar respondeu simplesmente: "- Não, o preço é o mesmo".
Dúvida: teria ele o sentido de humor mais apurado que o do meu pai?
Eu gostava de ficar nas bichas ao fim do dia. Era tão... (des) stressante, depois de um dia de trabalho.
Naquele dia, era fim de tarde. Fomos ficar na bicha daquele supermercado na Maianga... daquele branco, o Cardoso que depois foi kangado no processo da kamanga (mas já saiu e continua lá na sua loja). As bichas não eram sempre lugar de makas, empurrões e barulho. Eram locais de convívio. Cá não havia essas revistas cor de nome de flor. Então, nas bichas ouviam-se as novidades sociais que, à época, não eram bizarras. Mas também ficávamos a saber como ia a guerra. Se a UNITA tinha avançado; Se tinha «comido»; Se os karkamanos sul africanos tinham morto quantos FAPLAs... Era assim, nas bichas.
Havia os profissionais das pedrinhas. Iam cedo, ainda o dia estava a acordar, assim lilás, e eles já tinham madrugado; bué de pedras em cima de cartões. Quem quisesse, podia comprar lugar. Como no cinema: mais atrás, mais à frente, centrais. E conforme o tempo que querias ficar lá a conviver.
Mas nesse fim de tarde, entrarmos no Cardoso, de cartões preparados para as cruzinhas: 2kg de «assucar» mulato, 5 latas de «xalxixas», 3 pacotes de «kissuku», 2 tubos de «pepsodente», 1 pacote de Modess, 4 sabotenes Lifeboy (beck!)... e o empregado ia verificando e anotando. Chegou a altura do arroz com gorgulho e o meu kota perguntou: "- Então, esse arroz, assim com bicho é mais caro, não?" Ao que o empregado, muito à vontade e sem hesitar respondeu simplesmente: "- Não, o preço é o mesmo".
Dúvida: teria ele o sentido de humor mais apurado que o do meu pai?
Eu gostava de ficar nas bichas ao fim do dia. Era tão... (des) stressante, depois de um dia de trabalho.





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