Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

2008 - 2009


Fui...

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

É Natal outra vez.



Mas que lindo, o Natal!....
Luzes e luzinhas, bolas e bolinhas
Ricos e pobrinhos
(ai, ricos não?)
OK!
Mas que lindo! O Natal!!!!
Perus nas mesas e merda com assaltos nas ruas onde os pobres pisam
(também não há pobres?)
Porra! Mas que o Natal é lindo que se farta, é!
Devotos e missas, hipócritas com sorrisos de ocasião...
(O natal não tem sorrisos de ocasião?).
Olhem, que se f... o Natal e os que, distraídos, se deixam enlear pelo dia mais hipócrita de todo o ano.


Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

Ritual


Dei-te o meu corpo todo.
Roubaste-me a alma inteira.
Guardei-te em mim, para sempre..

Sábado, Dezembro 06, 2008

Parecenças. Coincidências?




O primeiro é um desenho na areia cokwe que representa uma núvem com chuva
O segundo, um símbolo chinês que encontrei, insistente, em quase todos os lugares de um restaurante chinês em Benguela. É um símbolo "bom".

Domingo, Novembro 30, 2008

A praia tropical! Que maravilha turística!....


Hoje fui à praia.
O dia estava excelente, o sol já a confirmar o verão.
Com os meus óculos de marca (pois!) o mar tinha duas cores nítidas: verde e azul escuro.
No horizonte, bwe de barcos com bwe de carros novos e em 873949654342673 mão para vender a 1.000usd e para ajudarem a entupir (ainda mais, como se isso fosse possível!) as ruas de Luanda. Também poluem mais "um nadinha" o já tão sacrificado ambiente desta bela cidade à beira mar com uma baía liiinda que vai ter prédios liiindos como no Dubai (tomem lá ó invejosos!). Da praia, adivinho que nos barcos estão também os famosos e ridículos cabazes para todos os bolsos (dizem eles achando que as pessoas são anormais e que todas têm bolsos).
A água azul e verde tinha alguma sujidade. Coisa pouca para o que costuma estar, mas a saber: umas tranças velhas, um pacote pequeno de bolachas de chocolate, pedaços de sacos plásticos e um penso higiénico já em cor-de-rosa (bela cor!) decomposição.
A areia branquiiinha e solta escaldava, enfeitada por conchiiinhas igualmente branquiiinhas e um caco de garrafa e uma pilha média "Tigre" rebentada e duas ou três seringas (sem agulhas desta vez, vá lá!). Ah! Havia também um maço dourado de cigarros "Yes" pack!
Belo dia!

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Convite

Não me rolam as palavras, lisas como as lágrimas. Não estás.
Não te adivinho a sorte e te imagino, finalmente, em episódio que jamais quereria presenciar, mas que me inquieta.
A caminho do longe, junto ao mar... Vais, no banco de trás (talvez…), para ‘de onde vieste’.
Neste regresso levas-me, a mais. Na bagagem, os meus pedidos, os meus medos, os teus segredos… Eu, (des)dobrada em objectos, perfumes, imagens, sons. Letras...
(Knock, knock!) Caberei? Ganharei território? Guardá-lo-ei, ao menos? Quererei?
Deixa-me só ficar, de pernas cruzadas, dentro do teu coração, olhando-te os pulmões respirarem-me.
Com o que 'tragas' nos matarás, mas a minha alma sobreviverá, vítrea; de amor puro.
E para longe (ainda mais do que ‘de onde vieste’) voará!...
E tu? Vens?...
1988

Domingo, Novembro 23, 2008

FIC - LUANDA


A primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda decorrerá entre os dias 22 e 29 de Novembro na nossa cidade capital.
Embora o site não esteja a ser convenientemente actualizado, aqui está o seu endereço onde se poderá encontrar alguma informação.
Para ver a PROGRAMAÇÃO clicar AQUI

Sábado, Novembro 22, 2008

Ainda a falácia cromática

E se Obama fosse africano?
Por Mia Couto


Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
  1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
  2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
  3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
  4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
  5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
  6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

No Jornal "SAVANA"
14 de Novembro de 2008

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Aparelhagens e armadilhas


O meu ipod é branco e só 'canta' o que eu quero. Já o Michael Jackson é cinzento e nem sempre encanta quem quer (LOL).
Eu sou bege e o pai do Obama é castanho.
Em contextos cromáticos mais convencionais uns são brancos e outros negros. Não há meio termo.
No entanto, tendo em conta a sua ascendência mais directa, o Obama tem, geneticamente, tanto de 'castanho' como de 'bege'.
Ou será que, com o entusiasmo, alguns 'intelectuais', em pleno séc. XXI, se aproximam perigosamente da ideia artificialmente construída por caucasianos complexados, segundo a qual basta uma gota de chocolate no leite para fazer da bebida, não uma mistura de dois ingredientes, mas para o transformar em chocolate "puro"?
Histéricos caem, assim, na armadilha e servem, portanto, o 'inimigo' bege.
E os daltónicos, como eu? (Não me digam que o ipod da imagem não é verde!)

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

E porque toda a gente fala do assunto, já agora...

"OBAMEMO-NOS", por: Wa-Zani

Emocionei-me (e penso que não apenas eu) com as lágrimas do reverendo Jesse Jackson, defensor dos direitos civis nos EUA, durante o discurso de vitória pronunciado por Barack Obama. Quer Jesse Jackson, em 1984 e 1988, quer Al Sharpton, em 2004, foram candidatos à presidência dos EUA e assumiram-se, sobretudo, como representantes da comunidade afro-americana. Barack Obama foi capaz de se desprender das amarras que, numa sociedade marcadamente racial, o situam apenas como negro e apresentou-se como candidato de todos os americanos: “(…) não há uma América branca e uma outra negra. Há os Estados Unidos da América (…)”. Provavelmente, estará aqui a chave do seu sucesso, para o qual também contribuiu, indubitavelmente, a actual crise financeira mundial, os desaires na guerra do Iraque, do Afeganistão… e os sérios atropelos aos direitos humanos em Guantánamo.

Dois dias antes da eleição de Obama como futuro Presidente dos EUA, a maior superpotência mundial, o reverendo Jesse Jackson esteve no “The O´Reilly Factor”, da Fox News e, desconhecendo que o micro estivesse ligado, teceu comentários pouco abonatórios em relação a Obama, criticando-o por não falar nos assuntos verdadeiramente importantes para a comunidade negra, tais como: o desemprego, a crise dos créditos ou o número de negros nas prisões. Estas declarações acabaram por ser amplificadas pela media o que levou Jesse Jackson a pedir desculpas a Barack Obama pelas declarações proferidas, apesar das mesmas terem sido feitas em privado e não com o objectivo de causarem problemas ao candidato democrata: “eu estava a conversar com um amigo convidado pela Fox, no domingo e ele perguntou-me sobre os recentes discursos de Barack nas igrejas negras. Eu respondi que isso pode parecer que ele fala aos negros com condescendência”, procurou esclarecer Jackson. “Então eu telefonei imediatamente para a campanha do senador e enviei o meu comunicado de desculpas para reparar o mal que isso possa ter causado para a sua campanha, porque eu a apoio inequivocamente”.

As desculpas foram aceites por Obama. Contudo, Jesse L. Jackson Jr, deputado pelo Estado de Illinois, partidário de Obama e filho do reverendo Jasse Jackson, não deixou de condenar os comentários feitos por seu pai e frisou o seguinte: “o reverendo Jackson é meu pai e eu sempre o amarei. Ele deve saber o quanto trabalhei no último ano como co-presidente nacional da campanha presidencial de Barack Obama. Então, eu rejeito completamente e repudio a feia retórica dele”. Afirmou o deputado também em comunicado.

Na realidade, o mundo está em mudança. Uma mudança que, particularmente, sobre questões raciais, não começa com a eleição do primeiro presidente negro dos EUA, mas com o fim do “apartheid” e a nomeação de Nelson Mandela como presidente da República da África do Sul, após ter estado três décadas preso por lutar contra a segregação racial. Mandela nunca se assumiu como representante dos negros sul-africanos mas sempre como presidente de todos os sul-africanos. Martin Luther King, no seu conhecido discurso conhecido por “I have a dream”, realizado junto do Lincoln Memorial, em 28 de Agosto de 1963, chegou, à época, a afirmar o seguinte: “A nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos dos nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só”.

Aparentemente, esta recomendação foi, décadas depois, melhor apreendida por Barack Obama do que pelo reverendo Jesse Jackson, apesar deste último ser contemporâneo e discípulo de Martin Luther King. Jackson perdeu sempre as suas apostas presidenciais. Barack acertou logo à primeira.
Como as ciências sociais não se regem por determinismos rígidos, por vezes cabe a vez aos mais novos de poderem dar lições de conduta aos mais velhos. Em vez do revanchismo e permanente combatividade “obamemo-nos” mais, resolvendo os problemas de uma mesma sociedade como um todo, independentemente das diferenças culturais que caracterizam a mesma.

In, Jornal de Angola de 7 de Novembro de 2008

Domingo, Novembro 02, 2008

Marés...

Tu: Sabes que gosto do que escreves?
Eu: Sabes que me magoas tão perfeitamente, que tornas fecunda e única a minha inspiração?; E (sabes) que a dor é já tão espontânea que as palavras certas para a destilar andam por aí, 'distraídas'? É... Uma é minha... outra é tua... outras são de quem as apanhar: sempre eu!

Tu (a dormir): Zzzzz…
Eu (a pensar): A minha musa está outra vez a 'desafiar-me' (para a escrita, é claro!). Voltou a adormecer sem me dizer "até já"...

Antes de começar, molho o aparo numa lágrima de sal.
1990

Sexta-feira, Outubro 31, 2008

Sonho, sonho meu: há alguém no mundo mais acordado do que eu?


Fecho os olhos e sinto-te, desenhado nas minhas costas. Nas mãos, sei-te a fita… (aquela branca de tecido fino e transparente.)
Vens, finalmente, para cumprir a trança entretanto feita desejo.
Sorrio, feliz.
Porém, não te aproximas; não a sinto no meu cabelo.
Mas a tua respiração espreita (como sempre) por sobre o meu ombro.
Como um felino, beijas-me insinuantemente o rosto e tapas-me a boca
… com a fita de tecido fino; (aquela branca…)
Acordo: dos teus lábios semi-selados recebo, devastador, meio silêncio.
1990

Domingo, Outubro 26, 2008

Interculturalidade e Desenvolvimento

Por: Filipe Zau*

Tem havido, através dos tempos e em diferentes sociedades, três formas diversificadas de encarar e lidar como a diversidade:
Na aculturação, muitas vezes utilizada com o sentido de assimilação, as pessoas tendem a perder a sua cultura de origem, a desintegrarem-se do ponto de vista sócio-cultural e, segundo Félix Neto, a sentirem-se, do ponto de vista psicológico, perdidas na mudança, dado o desaparecimento de normas culturais de referência [NETO: 87-89]. Em África, a língua de comunicação, é um dos mais fortes componentes culturais, que, de geração em geração, transmite valores, formas de pensar e de agir... enfim, toda uma filosofia de vida. Ao nível do grupo, os antigos padrões de autoridade podem deixar de funcionar e ao nível do indivíduo pode surgir a incerteza, a confusão de identidade, a depressão e a solidão. O stress de aculturação constitui, assim, um dos lados mais negativos do assimilacionismo.

A integração social foi um conceito elaborado pelos americanos em função de um certo ideal de “way of life” e de “bem-estar social”. A integração implica na manutenção parcial da identidade cultural do grupo étnico juntamente com uma participação cada vez mais acentuada no seio da nova sociedade. Nesta situação, as pessoas conservam a sua identidade e outras características culturais próprias (língua, hábitos alimentares, religião, festas, etc.), participando simultaneamente nas instituições económicas, políticas e jurídicas com outros grupos da sociedade. No integracionismo a manutenção cultural é procurada, enquanto que no assimilacionismo há pouco ou porventura nenhum interesse em tal continuidade. A integração só é possível no caso da sociedade receptora ou dominante ser tolerante e valorizar, de alguma forma, a diversidade.

Segundo Hermano Carmo, no seu livro “Desenvolvimento Comunitário”, tal como o ambiente, a saúde, a população, o género e a cidadania económica, também a interculturalidade passou a constituir uma das áreas-chave de uma Educação para o Desenvolvimento, onde se fazem necessárias as aprendizagem para a identidade e diversidade cultural, bem como ainda para o ecumenismo. O respeito pela diversidade cultural isenta de preocupações hegemónicas é a corrente onde se situa o pluralismo cultural, que defende um modelo de relacionamento social, no qual cada grupo étnico preserva as respectivas origens, partilhando, em simultâneo, um conjunto de características culturais com os restantes grupos. Esta teoria viria pois a influenciar as políticas sociais, culturais e educativas, dando lugar ao aparecimento da educação multicultural, cuja finalidade é valorizar e legitimar, numa dada sociedade, as diferenças em presença.

Surge, assim, no Canadá, o multiculturalismo, em 1971 e, posteriormente, por volta dos anos 80, nos EUA. No entanto, na Europa, há um a reacção à abordagem compartimentada e um tanto separatista das culturas e, em meados da década de 70, surge a teoria intercultural, que parte do princípio que a identidade sócio-cultural se encontra em estreita relação com o universo cultural em que o indivíduo é socializado e, assim sendo, cada ser humano está simultaneamente ligado a vários subgrupos culturais e inserido em várias microculturas. Logo, a educação intercultural tem como principal objectivo assegurar que o desenvolvimento educacional e a inserção social dos indivíduos não sejam condicionados pelo sexo, idade, classe, aptidões de ordem física ou mental, língua, religião e outras características culturais que lhe são próprias.

O ano de 2008 apresenta-se como a da confirmação da interculturalidade, já que foi declarado pela ONU, através de uma resolução aprovada em 16 de Maio de 2007, “Ano Internacional das Línguas”; também “Ano Europeu do Diálogo Intercultural” ao reconhecer-se, a partir de 4 de Dezembro de 2007, que a grande diversidade cultural europeia representa uma vantagem única; e, o dia 26 de Setembro de 2008, como “Dia Europeu das Línguas”, por iniciativa do Conselho da Europa, o que encoraja todos os que vivem naquele continente a explorarem os benefícios do seu acervo e a oportunidade de aprender com outras tradições culturais.

Nesta conformidade, a Federação Nacional das Associações de Professores de Línguas Vivas, em Portugal, constituída por associações de professores de alemão, francês, inglês e português, passou a sensibilizar a sociedade para a importância da aprendizagem de várias línguas no processo de formação do cidadão. Paralelamente, alerta as entidades educativas para a necessidade de uma maior reflexão para as decisões que venham a contribuir para o desenvolvimento duma competência plurilingue durante o percurso escolar. Para além de vantagens cognitivas e comunicativas, esta competência constitui ainda uma mais valia para o acesso à informação, à formação ao longo da vida e ao desempenho profissional.

Em Angola, independentemente do facto da reforma educativa já ter introduzido sete línguas africanas no ensino primário, aparentemente, com algum sucesso, necessário se torna estreitar, numa perspectiva transsectorial, os laços indissociáveis entre Educação/Cultura/Informação, em prol de um política linguística a ser futuramente institucionalizada pela Assembleia Nacional e que contribua para os fins de uma Educação para o Desenvolvimento.

* Ph.D em Ciências da Educação e
Mestre em Relações Interculturais

In, Jornal de Angola de 24 de Outubro de 2008

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Quando o teu discurso não é sobre a carne, mas também não é carne nem é peixe


E a noite chegou contigo; escura, densa, indecifrável.
As nuvens negras sujaram o meu sol que não te conseguiu limpar a alma.
Engoli as palavras que não me ouviste. Ouvi-te os queixumes que não disseste.
Luto agora para encontrar o pequeno fragmento de alegria que tinha guardado para o nosso encontro.
Vivemos um puzzle insolúvel
1990

Domingo, Outubro 05, 2008

O Mário



Este é o Mário.

O Mário é o responsável pelo meu regresso ao espectáculo.

Por culpa dele decidi reacender a Companhia.

Ah! O Mário tem sentido de humor, é super organizado, é uma mistura de mau e bom; de agressivo e sensível;

(como deve ser um chefe grande!)

Masssss... um "vidrinho" sempre pronto a emocionar-se numa lágrima nos olhos, com ar grave.

Gosto do Mário e...

"Prontos", obrigada!

Angola, país de futuro!


Também temos!...
Caro??? Nããããão! Então é um lugar de luxúria (porra, confundo sempre com luxo ou lixo ou lixa ou líxia, porque não uma chinesisse???...)

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Ogros em Luanda















Os QUADROS de Mário Tendinha
FOTOS e mais FOTOS: José Pinto (Tonspi)
CRÍTICA: Uma estética do imaginário e da criatividade artística (por Filipe Zau)

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

CONVITE

Para a Exposição e Performance:

ORATURA... DOS OGROS... E DO FANTÁSTICO



Local: Museu Nacional de História Natural - Luanda
Horas: 18.30 (dadas as suas características, após o início do espectáculo não será possível o acesso à sala)
Dias: 20, 21, 26, 27 e 28 de Setembro


Entrada Livre

Mais informações: http://oratura.multiply.com/

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Um exemplo de vitória conseguida



IMAGENS de Beautiful People, pela Companhia "Dançando com a Diferença"
Coreografia de Rui Horta
Sobre esta Companhia de dança inclusiva, ler mais AQUI e AQUI

Domingo, Setembro 07, 2008

Esperança

Hoje voltei a lembrar-me deste post:

arvore_cinza
«Uma árvore gira foi cultivada no cimento e deu perfeitamente.
As árvores foram todas plantadas no cimento.»
(Enzo T.)
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